Justiça decreta prisão de jornalista, advogados e policiais por fraude em concurso da Abin
Por Rafael Albuquerque

O jornalista Antonio Carlos Vilela e outras 20 pessoas responderão por fraude no concurso para os cargos de oficial e agente de inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), realizado em 12 de outubro de 2008. A 3ª Vara da Justiça Federal de Santos recebeu a terceira denúncia do Ministério Público Federal sobre a Operação Tormenta e abriu processo contra os 21 integrantes do grupo.
A Justiça ainda decretou as prisões preventivas de Vilela, dos advogados Antonio Di Luca e Edgard Rikio Suenaga, dos policiais rodoviários federais Maurício Toshikatsu Iyda e Renato Maia Sciarretta e do comerciante Pedro de Lucca Filho. A quadrilha furtava o conteúdo das provas e vendia os gabaritos por R$ 80 mil. A Justiça também determinou que Fernanda Leal Dias Mongon, oficial de inteligência da Abin, fosse afastada do cargo. Ela recebeu o gabarito e foi a única que efetivamente chegou a tomar posse após ser aprovada no concurso da agência de inteligência, em São Paulo.
A partir de uma cópia do caderno de questões, o jornalista e Suenaga elaboravam as respostas. No entanto, ambos tiveram dificuldades com uma prova elaborada pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) - organizador do concurso - e usaram o sistema de ponto eletrônico para passar as respostas. Um candidato - que pagou R$ 80 mil para o grupo e mesmo assim não foi aprovado - resolveu colaborar com as investigações. A Justiça não revelou a identidade dele. Vilela e Suenaga responderão pelos mesmos crimes: receptação qualificada, fraude a concorrência e tentativa de estelionato. Os doze candidatos que participaram da fraude responderão pelos crimes de tentativa de estelionato contra entidade pública, receptação e fraude a concorrência.
Com informações são do Ministério Público Federal