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Congresso de Direito Médico discute aumento de 155% de ações contra médicos

Por Rafael Albuquerque

Dados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dão conta de que ações contra médicos no país cresceram 155%. Diante desta estatística, médicos se reúnem em Brasília, nesta sexta-feira (3), para discutir o tema durante o I Congresso Brasileiro de Direito Médico do Conselho federal de Medicina, que começou ontem.


Dentre os palestrantes está um representante da Bahia, o advogado Leonardo Vieira, do grupo Oliveira, Calasans e Vieira (OCAV), autor do livro “Responsabilidade Civil Médico-Hospitalar e a Questão da  Culpa no Direito”, que abordará o tema “A responsabilidade do médico no CDC e Código Penal: diferenças e possibilidades”.


Para o advogado, o Código de Defesa do Consumidor somado ao perfil mais consciente dos pacientes e acesso amplo a informação faz com que o cidadão busque mais a justiça. Ele aponta as áreas com maior número de causas a obstetrícia, a cirúrgica, destacando nesta área a cirurgia plástica, depois vem ortopedia e anestesiologia.


Dentro da análise do advogado, um dos motivos deste crescimento de queixas está ligado à extinção do médico de família. “Houve também uma extinção da figura do médico de família. Agora a esmagadora maioria dos médicos , imersos na sociedade de massa, não mantém uma relação personalizada com o paciente”. Ele acrescenta ainda que “vale destacar também fatores como o excesso de faculdades de medicina, a má remuneração dos profissionais, falta de preparo e falta de vagas para residentes, sem dúvida, fatores que motivam esse incremento”.


O presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindmed), José Caíres, concorda com o advogado em relação aos motivos do aumento do índice de ações contra a categoria “a conquista da cidadania, isto é um avanço que a sociedade está desenvolvendo”, e vai mais longe, ao afirmar que “a grande maioria é sem fundamento porque a situação de perda é muito grande, levando os familiares a achar que foi erro médico. E a nossa sociedade é fundamentada neste paradigma”, explicou.