Estacionamento do STC põe empresas, síndico e administração em conflito
Por Rafael Albuquerque

A disputa de empresas para administrar o estacionamento do edifico / condomínio Salvador Trade Center (STC), na Avenida Tancredo Neves, está cada vez mais acirrada. Ainda na administração passada foi feita uma tomada de preços, onde a empresa que atualmente faz o gerenciamento do estacionamento, a SMS, sequer participou. As empresas Masterpark, Omni, Sinart e Wellpark participaram; esta última, que ganhou com a melhor cotação (leia a ata), ainda espera ocupar o posto de administrar o estacionamento / garagem do STC.
“Nós ganhamos. Fizemos a melhor proposta em uma série de condições financeiras e operacionais. Estranhamente, depois de trinta dias houve nova eleição do síndico e de lá pra cá já encaminhamos correspondências perguntando quando seriamos contratados, já que tínhamos as melhores condições”, afirmou Jorge Novais, diretor da Wellpark Estacionamentos.
Contatado pela Coluna Justiça, Bruno Lauar, administrador do STC, afirmou que realmente houve a tomada de preço, mas que tudo isso está sendo encaminhado para uma assembleia geral. Lauar foi enfático ao afirmar que o novo síndico, o advogado Walter Coelho, nem mesmo precisava fazer tomada de preços ou consulta aos condôminos para decidir o assunto: “Não devemos satisfação às empresas que participaram. Aqui dentro quem manda é o síndico, mas ele quis fazer tudo com transparência. O que tiver que acontecer será ratificado na assembleia”.
A assembleia a que ele se refere será no dia 25 deste mês (leia convocação), e também causou estranheza, já que um dos itens a serem debatidos é a “admissibilidade de preferência à empresa SMS, atual operadora” que, de acordo com o atual síndico “não participou (da tomada de preços) porque tinha certo conflito com a administração”.
O motivo pelo qual a direção da Well Park se mostrou mais indignada é o fato de, em auditoria realizada pela AFM Auditores Independentes em novembro de 2009 (leia aqui), foram apontadas diversas irregularidades na gestão da SMS: “Solicitamos ao Sr. Marcos Liguori os livros fiscais, livros de caixa, os relatórios analíticos e de movimentos de caixa do período de janeiro a setembro/2009 para efetuar os exames das transações ocorridas naquele período, e, por conseguinte, atestar valores dos repasses efetuados ao Condomínio Salvador Trade Centeio Foi explicado pelo SI. Marcos Liguori que as bases de dados do sistema da Link Tecnologia foram perdidas, devido a um problema técnico ocorrido no HD central que controla as informações, e os
livros fiscais e de caixa que fosse do seu conhecimento nunca havia sido feito”, diz um trecho do documento elaborado após a auditoria.
Uma falha no controle do faturamento também foi encontrada pela auditoria: “Informamos que não foi possível examinar o faturamento da SMS Estacionamentos e Serviços Ltda do período de-0l dejaneiro a 30 de setembro de 2009, tendo em vista que os Relatórios de Movimentos Fiscais, os Relatórios de Fechamento Diário, os Relatórios Descritivos Diário de Faturamento, e os Fechamentos de Caixas contendo todas as sangrias do período, os Livros Fiscais, os Livro Caixa, não foram disponibilizados aos nossos auditores. Nossa responsabilidade era a de expressar uma opinião sobre esses relatórios de faturamento. Por esse motivo, não foi possível expressar uma opinião sobre a veracidade do faturamento informado mensalmente pela SMS, no período de 01 de janeiro a 30 de setembro de 2009”.
Em resposta às correspondências enviadas pela direção da Well Park (leia aqui), o síndico Walter Coelho afirmou que teve recurso contra a tomada de preços, mas não informou quem recorreu. Os referidos fatos fizeram com que o diretor a Well Park acreditasse que a não contratação de sua empresa se deve a interesses externos: “soubemos que o dono da atual operadora é ligado a Odebrecht, que construiu o prédio”, e foi além: “sabemos também que há uma troca de interesses entre pessoas que estão na gestão do condomínio e da empresa (a SMS)”.
Sobre interferência da Odebrecht, Coelho afirmou: “Não vejo interferência. Eu não poderia aceitar, assim como eu não aceito a interferência da Well e SMS, que são apenas prestadores de serviço”. Já o administrado, Bruno Lauar, afirmou: “olha, o que eu sei são boatos, assim como você. Não há informação precisa sobre isso”. Ele se limitou a dizer que “a antiga administração faria de forma arbitrária”.
Novais afirmou que “o que causa espanto é que aquilo é um condomínio. Se a Odebrecht fosse dona do prédio, ela podia entregar a quem quisesse, mas não é. As salas foram vendidas”, e envolveu até um outro empreendimento: “a informação que tenho é que a mesma coisa vai acontece no Mundo Plaza”.
O síndico informou que “a Assembleia é um recurso natural quando se precisa de uma transparência maior; é uma busca de provar que o síndico não está privilegiando um ou outro”. Sobre o caso, o diretor da empresa reclamante afirmou que pensou em tomar medidas judiciais, “mas não houve consenso quanto a viabilidade disso, por não ser o prédio uma coletividade pública. Mesmo porque a concorrência não tem cunho de concorrência pública” e finalizou: “mas é uma questão de cunho moral”.