Defensoria Pública visita comarca de Dias D´Ávila após denúncias de familiares de presos
Por Rafael Albuquerque
Após uma série de denúncias de familiares de presos da Cadeia Pública de Dias D'Ávila, a Central de Assistência a Presos em Delegacias (Capred) da Defensoria Pública do Estado visitou a comarca para avaliar as condições de encarceramento e revisar os processos paralisados no Fórum da cidade. A visita aconteceu no dia 30 de setembro, quando foram atendidos 38 presos, e realizadas diversas petições para regularizar a situação de detentos. Em apenas um dia de trabalho, foram realizadas 15 petições, entre solicitações de habeas corpus, relaxamento de prisão, liberdade provisória e suspensão de prisão temporária. Desde então, o trabalho já resultou na liberação de seis presos, em sua maioria casos com os prazos processuais vencidos.
De acordo com a defensora pública Soraia Ramos, coordenadora da Capred, a Central foi procurada por diversos familiares dos presos que denunciavam a situação da comarca, e em especial da Cadeia Pública. Dias D'Ávila conta apenas com uma juíza substituta à frente do cargo há pouco mais de um mês. Somente nas áreas cível e criminal, são cerca de 16 mil processos acumulados. Desde maio, a comarca não realiza nenhuma audiência. A equipe que visitou a comarca, composta pela defensora e cinco estagiários de Direito, também verificou diversas irregularidades na execução penal. Entre as mais graves, está a transferência de presos sem comunicação à autoridade judicial. Segundo Soraia Ramos, a relação de presos que consta na Delegacia é diferente daquela em poder do Fórum.
"Por conta disso, nosso trabalho de atendimento ficou comprometido, pois nem a Delegacia nem o Fórum souberam afirmar onde os presos procurados se encontravam. Além disso, se o delegado não nos comunica a prisão em flagrante, como determina a Lei Federal nº 11.449/07, a "Lei do Flagrante", como é conhecida, não temos acesso aos presos que precisam de atendimento", avalia Soraia Ramos. "Pretendemos voltar a Dias D´Ávilla para avaliar o andamento dos processos, e ao mesmo tempo encaminharemos relatório a autoridades superiores do Ministério Público, Tribunal de Justiça , Secretarias de Segurança Pública e Justiça e Direitos Humanos, para que um trabalho maior seja feito, além da revisão processual", ressalta.