Ordem dos Advogados do Brasil é contra dispensa de advogados na Justiça do Trabalho
Por Rafael Albuquerque
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) deve julgar hoje (13) a possibilidade de aceitar a atuação das partes em processo sem a necessidade da intermediação de advogado. Essa possibilidade é conhecida como jus postulandi e a perspectiva de sua aprovação já está provocando polêmica.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Brito, afirmou que a entidade deverá levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso a dispensa de advogado em processos trabalhistas realmente seja admitida pelo TST. "Caso seja aprovada, vamos levar o caso ao Supremo. Isso porque consideramos a decisão um retrocesso. É o mesmo que tirar dos mais pobres a possibilidade de recurso. Se observarmos quem são os réus na Justiça do Trabalho, veremos que são os donos de banco, as empresas de telefonia, de fornecimento de energia, os grandes supermercados. Esses, com certeza, estarão acompanhados do melhores advogados."
Na avaliação de Brito, o jus postulandi fere a Constituição Federal, que garante a assistência de um advogado para todas as pessoas. Para ele, se o TST for favorável à dispensa desse profissional, a decisão poderá fazer com que o poder econômico prevaleça no julgamento das causas trabalhistas. A Constituição de 1988 estabeleceu como indispensável o advogado nos processos, o que foi reforçado pelo Estatuto do Advogado (Lei 8.906).