Desarticulada “máfia das funerárias”
Por Rafael Lima
Uma ação conjunta do Ministério Público baiano com a Polícia Civil conseguiu desmontar uma quadrilha que monopolizava serviços funerários em Porto Seguro e em outros municípios do Extremo Sul da Bahia. A quadrilha era integrada por seis pessoas dentre elas o policial civil Cláudio dos Santos Bispo e o secretário municipal de Agricultura Robson Roberto Santana, e era conhecida como “máfia das funerárias”. Os acusados atuavam num esquema de fraudes e corrupção montado desde 1999, que usava como fachada as empresas Salmo 23 Indústria e Comércio Distribuidora Ltda., Funerária Eterna Saudade, Mercolbrasil Comércio e Distribuidura Ltda. (nome fantasia Califórnia) e Funerária Universal, todas sediadas em Porto Seguro.
Os comerciantes Clemerson Bispo e Frederico Porto Leão, dois dos denunciados, foram presos no último sábado (15), e encontram-se foragidos o policial civil Cláudio Bispo, o secretário Robson Santana e os empresários Ricardo Amaral e Neurimar de Souza. Ontem (17) foram cumpridos pela Polícia Civil sete mandados de busca e apreensão nas casas dos acusados e na Secretaria Municipal de Finanças.
Autor da denúncia, o promotor de Justiça Dioneles Santana explica que a quadrilha era favorecida por membros da administração pública, que passaram a favorecê-los nos contratos de prestação de serviços funerários por meio de licitações fraudulentas que tinham como objeto a prestação de “auxílio funeral para famílias carentes”. As empresas, segundo o MP, recebiam valores exorbitantes dos cofres públicos municipais e ainda podia cobrar, uma segunda vez, pelos mesmos serviços às famílias dos mortos, que eram assediadas pelo policial conhecido como “Bispo”. Lotado na Delegacia de Porto Seguro, o agente da Polícia Civil tinha conhecimento imediato dos óbitos ocorridos na região e repassava as informações privilegiadas e sigilosas para os demais integrantes da quadrilha.
Além de Porto Seguro, a máfia atuava nos municípios de Santa Cruz Cabrália, Belmonte, Eunápolis, Itabela, Guaratinga, Itapebi e Itagimirim. Todos os seus integrantes são acusados de formação de quadrilha, concussão, violação de sigilo funcional, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Com informações da Ascom/MP