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Professor que torturou companheira é denunciado pelo Ministério Público

Por Rafael Lima

O professor de educação física Adalberto França Araújo Júnior foi denunciado pelo Ministério Público estadual por tentativa de homicídio duplamente qualificado, com motivação torpe e prática de tortura, agravado pelo fato de se prevalecer da relação de coabitação com a vítima, sua companheira Luciana Brasileiro Lopo. A denúncia teve por base o Inquérito Policial nº 03/2009, presidido pela delegada de Polícia Luciana Côrtes dos Anjos, e foi oferecida à Vara Criminal de Lauro de Freitas na última sexta-feira (24), pelo promotor de Justiça Marcelo Mascarenhas de Cerqueira, que pediu a decretação da prisão preventiva do acusado. Os atos criminosos denunciados pelo MP aconteceram na madrugada do último dia 26 de junho, no imóvel do casal, quando Adalberto, “movido por ciúme exagerado e infundado”, tentou contra a vida da companheira, causando-lhe inúmeras lesões, inclusive com arma de fogo, e infligindo-lhe intenso sofrimento físico e mental.

 

 

 

A denúncia relata que Adalberto utilizou um sofá para fazer barreira à porta e conduziu Luciana até o quarto do casal, onde lhe aplicou socos e pontapés. Bastante lesionada, a vítima foi obrigada a se dirigir até a cozinha, onde a empregada doméstica Maria Santana da Silva tentou, sem êxito, dissuadir Adalberto do comportamento agressor. Utilizando facas de cozinha, ele passou a cortar a vítima por todo o corpo, obrigou-a a se despir e jogou-lhe ovos na cabeça. O professor ainda obrigou a companheira a ficar sentada em uma bacia com água e sal grosso; com um cassetete, aplicou-lhe golpes nas mãos, braços e pernas, fraturando-lhe os dedos; e fez com que ela ingerisse suas fezes.

 

 

 

Ainda segundo as informações da denúncia, indiferente aos apelos da empregada doméstica, e com uma arma calibre 38 em punho, Adalberto exigia que Luciana Lopo confessasse uma suposta traição amorosa. Em desespero e querendo ser poupada de um mal ainda maior, Luciana disse-lhe que dois conhecidos do denunciado haviam olhado para ela, algo que efetivamente não acontecera, explica o promotor de Justiça. Adalberto desferiu, então, um tiro contra a vítima, atingindo-a na perna esquerda. Ele amarrou Luciana na cama e jogou leite fervente e café contra ela, ferindo-a nas costas. “Ao final da ação delituosa”, explica o promotor Marcelo Cerqueira, Adalberto “teve a frieza de ligar para os pais da vítima, para dizer que a havia amarrado e matado, evadindo-se em seguida do local do crime”.

 

 

 

Pela riqueza das provas produzidas, o MP pediu a decretação da prisão preventiva formulada pela autoridade policial. Essa medida se justifica com a garantia da ordem pública, evitando que o denunciado, em liberdade, venha a infligir novas agressões à vítima, interfira de qualquer forma no ânimo das testemunhas ou que volte a fugir.
Com informações da Ascom/MP-BA