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Marca Bahia Notícias Justiça

Entrevista

“Golpe do falso advogado” se espalha com uso de dados judiciais e inteligência artificial, alerta especialista

Por Aline Gama

“Golpe do falso advogado” se espalha com uso de dados judiciais e inteligência artificial, alerta especialista

Em meio ao avanço dos crimes digitais e à crescente sensação de insegurança pública, uma modalidade de estelionato tem feito cada vez mais vítimas no país: o chamado “golpe do falso advogado”.

 

Para entender o funcionamento dessa fraude, seus impactos e as formas de prevenção, o Bahia Notícias entrevistou o advogado criminalista Pedro Henrique Ribeiro, sócio majoritário do Ribeiro Advocacia. Ele alerta: a tecnologia, embora benéfica em muitos aspectos, também criou um ambiente fértil para golpistas.

 

COMO FUNCIONA O GOLPE
Segundo o advogado, criminosos acessam informações processuais, muitas vezes por meio de hackeamento de sistemas do Tribunal de Justiça, e criam perfis falsos em aplicativos de mensagem, usando fotos de advogados reais. Com dados concretos sobre o processo da vítima, eles entram em contato simulando ser o profissional responsável pela causa.

 

 

 

“Ela diz que o cliente ganhou uma ação, por exemplo, de R$ 50 mil, e pede um depósito antecipado de R$ 3 mil para ‘liberar o alvará’. Não existe juridicamente essa possibilidade”, explica Ribeiro. Em alguns casos, os golpistas chegam a simular audiências por videoconferência, com falsos promotores e juízes, para dar credibilidade à fraude.

 

O advogado relata que seu próprio escritório já teve clientes lesados. Em uma ocasião, a vítima só percebeu o golpe após transferir o valor, quando entrou em contato com o verdadeiro profissional. Em outros casos, clientes atentos evitaram o prejuízo ao questionar mudanças de número ou foto.

 

Ribeiro destaca que os processos são públicos, mas o acesso a dados sensíveis, como números de telefone das partes, indica fragilidades nos sistemas do Judiciário. “Os criminosos têm acesso à informação, e isso gera credibilidade para confundir a vítima”, afirma.

 

 

 

Questionado sobre a origem dos golpistas, o criminalista pondera que há relatos de celulares sendo usados dentro de unidades prisionais, mas também de estruturas sofisticadas. “Recentemente, foi apreendido um grupo que operava de uma casa de luxo, com computadores e equipamentos dedicados à fraude”, revela.

 

 

 

O advogado ressalta a necessidade de uma resposta mais efetiva do Estado: aumento de penas, investigações de qualidade e aparelhamento das polícias para rastrear crimes que muitas vezes atravessam fronteiras estaduais.

 

Ribeiro enumera três orientações principais:

 

  • Desconfie de urgência e pedidos de depósito: o advogado nunca pede que o cliente transfira valores para liberar alvará. Quem faz o repasse ao cliente é o profissional, após o ganho da causa.

 

  • Verifique os canais oficiais: todo advogado possui procuração com nome e número de OAB. Consulte o site da OAB para confirmar os dados.

 

  • Prefira o contato presencial ou videochamada: diante da menor suspeita, vá ao escritório ou exija uma chamada de vídeo para confirmar a identidade.

 

“O mesmo crime que você pratica de forma presencial, você pratica no meio virtual. A internet não é terra de ninguém”, alerta.

 

Em um desdobramento importante, Ribeiro também orienta clientes que eventualmente tenham o repasse de valores sonegado por profissionais inidôneos. Nesse caso, a vítima pode registrar boletim de ocorrência por apropriação indébita e representar contra o advogado na OAB, que pode suspender a carteira do profissional.

 

Para Pedro Henrique Ribeiro, o combate ao golpe do advogado exige informação, desconfiança saudável e ação coordenada entre cidadãos, OAB e poder público. “É muito angustiante para nós, advogados, saber que alguém está se passando por nós para enganar nossos clientes. Mas, com conscientização, podemos diminuir a incidência desse crime.”

 

Veja entrevista completa: