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Marca Bahia Notícias Justiça

Entrevista

Nelis se candidata à OAB-BA como uma forma de acabar com 'mercantilização' da seccional

Por Cláudia Cardozo

Nelis se candidata à OAB-BA como uma forma de acabar com 'mercantilização' da seccional
Fotos: Jamile Amine | Bahia Notícias

O Bahia Notícias fecha a série de entrevistas com os candidatos à presidência da OAB-BA com o atual presidente da Caixa de Assistência dos Advogados da Bahia (Caab), José Nelis. Por conta da sua experiência à frente do órgão, o advogado crê ter a capacidade para gerir também a seccional baiana da Ordem, que, na sua opinião, se encontra “mercantilizada”. “A Ordem hoje é politizada, elitizada, mercantilizada, você vê tudo na Ordem, menos a defesa das prerrogativas dos advogados e da advocacia”, declarou. Nelis ainda defende propostas voltadas para o interior do estado, mulheres na gestão da OAB e jovens advogados.
 

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Primeiramente quais os motivos que levaram o senhor a se candidatar a presidente da OAB? 
Eu sou o atual presidente da Caab. Na presidência da Caab, eu desenvolvi ações e propostas que impactaram muito na vida do advogado, como bem estar, na saúde, no exercício profissional. Eu recebi na Caab muitos advogados que me diziam: Nelis você tem que sair presidente da Ordem porque o que você fez pelos advogados na Caab, nós não tivemos isso na Ordem. Nas nossas ações, nós identificamos as maiores necessidades do advogado, por exemplo, a mobilidade. Um advogado quando se forma, não tem carro e para ir ao fórum, TRT e Justiça Federal. Passa por uma dificuldade muito grande e nós ampliamos o transporte gratuito dos advogados. Nós tínhamos, na época dois carros, e num esforço hercúleo compramos mais três carros pra capital, elevei a frota para cinco carros, e comprei um carro para Itabuna, pra Feira e para Vitória da Conquista. Esses carros são rastreados e fazem percurso intermitente.  O advogado está em um ponto e pode saber que hora exata ele vai passar naquele local. O serviço cobre toda a cidade, Lauro de Freitas e Camaçari. Isso ajudou muito o advogado, porque mesmo que ele tenha carro, para ir ao comércio, estacionar, tem que pagar R$ 5. E às vezes ele não tem como pagar os estacionamentos. O transporte gratuito foi, pra mim, um auxilio muito grande, uma coisa que a OAB não fez por nós. E esses carros, tanto daqui quanto das subseções, Itabuna, Feira e Conquista, são 100% pagos pela Caab. Combustível, motorista, manutenção, toda s despesas exclusivas da Caab. As subseções e OAB não participam com nenhum rateio dessas despesas. A outra coisa que eu pude verificar é a inclusão digital, porque os processos agora estão migrando para a digitalização. Nós temos até dez sistemas diferentes de acessar processos. O advogado tem a maior dificuldade de acessar processo, de enviar petição. Eu contratei técnicos de inclusão digital, um para cada uma das 33 subseções, em horário integral de 8 horas. Comprei computadores, scanner, notebook, distribui por essas subseções. Aqui na capital, nós colocamos dois terminais no térreo do TRT, dois na sala da base e dois na sala da OAB e mais ainda, na sala do advogado, coloquei mais dois terminais, que funciona no fórum, e no prédio que nós chamamos de Centro Cultural Mangabeira, coloquei uma central com dez terminais e lá ficam dois técnicos. Quando o advogado chega tem um técnico para o orientar. Pra você ter uma ideia tinha um colega que chegou para ligar o computador, pegou o mouse e apertou no computador, não tinha a mínima noção do que era o Promad. Da minha idade pra frente temos muita dificuldade pra acessar esse sistema. Então os colegas se acharam muito prestigiados por esses serviços. Não era está a minha pretensão, eu não pretendia realmente me candidatar, até porque eu tinha um projeto de assistência pra Caixa. O meu projeto incluía ampliação dos serviços de saúde, odontológico, e a nossa proposta era levar para cada subseção um médico, um dentista, por exemplo. Para você ter ideia, mais de 60% dos colegas não tem plano de saúde, e se eu disponibilizasse um médico para cada subseção, pelo menos aquela consulta inicial, aquela orientação eles teriam. Eu não pude fazer isso porque os recursos são muito reduzidos. Nós sobrevivemos com repasse da Ordem dos Advogados. Eu contei nessa gestão com patrocínio de algumas empresas, e isso proporcionou esses serviços.

O senhor como candidato a presidente da Ordem acredita que é necessário aumentar o repasse dos recursos para a Caab ou o que é destinado a ela é suficiente pra poder cobrir os custeios?
Olha, quando a Caab é administrada com vista aos advogados, não é suficiente. Numa reunião da Concad, que é o encontro dos presidentes de todas as Caixas de diversos estados, eu apresentei uma proposta pra Caab ter participação na receita extraordinária do exame de ordem. Porque o exame de ordem é uma grande fonte de renda, não tenha dúvida. As anuidades entram num patamar de inadimplência, pra você ter uma ideia, aqui na Bahia tem mais de 60% inadimplentes, tanto que nós, em primeira mão, estamos ingressando nesta segunda-feira (9) com uma ação para que os advogados inadimplentes votem, porque as regras eleitorais da OAB são uma mini ditadura. O advogado, por estar inadimplente, não vota, ele não escolhe o seu presidente, ele não escolhe o seu representante. Para você ver hoje um inadimplente em uma escola, se pede transferência, a escola não pode reter a transferência. Como nós, que estamos numa democracia, pregamos os valores sociais e morais podemos impedir que um advogado inadimplente não vote e escolha o seu presidente? Eu estimo que nosso colégio eleitoral não passe de 18 mil advogados aptos a votar. Não obstante, nós temos mais de 38 mil advogados inscritos.

E essa ação será ajuizada perante qual órgão? A inadimplência é reflexo das prerrogativas lesadas?
Na Justiça comum. Em outros estados já existe essa ação, e obtiveram liminar. As ações estão em fase de agravo de instrumento, mas obtiveram liminar favorável. Precisamos priorizar a atuação e a defesa dessa classe. Se nós queremos ser presidente de Ordem, nós precisamos realmente assumir a defesa da advocacia baiana. Para ter uma ideia, as prerrogativas aqui estão desconsideradas. Eu fui visitado por alguns colegas e soube de casos que eu não acreditei. Um colega disse: Nelis, eu fui à PGE [Procuradoria Geral do Estado] ver um processo eu fiquei duas horas esperando o atendimento na recepção. Eu pensei: mas a PGE não é a casa do presidente da Ordem? Não acredito que lá o advogado tem esse tratamento. Ele disse: Olha, eu fiquei duas horas esperando atendimento na recepção. Não foi nem em uma sala, algo inaceitável. Outro advogado me disse que nas delegacias o advogado é tratado como ninguém. Não há consideração. Sabe o que me revelaram? Um advogado foi visitar um cliente preso em uma delegacia e o puseram dentro da cela, e o advogado fora da cela, com a grade entre ambos, e o agente ali. O advogado disse: eu tenho eu conversar com o cliente. O agente disse: Não doutor, tem que ser assim. Ai ele saiu de lá comunicou a OAB e a OAB disse para registrar no livro, ele registrou, e até hoje a providencia não foi tomada. Mais de dezenas me disseram o seguinte: os presos, até no interrogatório, são incomunicáveis. Só permitem que ele fale com o preso no interrogatório. O exercício da advocacia é o exercício da cidadania. Quando nós defendemos um cliente, nós estamos defendendo um cidadão, não é nosso direito que está em defesa, nós somos porta-vozes desse cidadão. Se nós somos respeitados é o cidadão, é a sociedade que está sendo respeitada. Se as nossas prerrogativas não são respeitadas nós temos uma advocacia... Olha vou dizer uma coisa, infelizmente a Ordem está muito politizada, ela perdeu independência, ela está mercantilizada, porque nós temos a ESA [ Escola Superior de Advocacia] que deveria ser direcionada a aperfeiçoamento e qualificação de advogados né? São cursos promovidos por faculdades, por cursos particulares, por professores e que cobrem esses custos os advogados. Uma coisa que vamos fazer, vamos formar a ESA realmente no centro de aperfeiçoamento e de qualificação para advogados. E lhe digo mais, em março do próximo ano vai entrar em vigor o novo CPC, é um código que mudou radicalmente o processo civil, com certeza que 80% dos colegas ainda não se prepararam para a nova realidade do processo civil, nós vamos colocar a ESA a disposição deles, e a minha meta é não cobrar taxa nenhuma pelo serviço da ESA ao advogado que tem até cinco anos. Ele vai fazer o curso, vamos fazer pós, vamos disponibilizar a preparação do advogado para ser inserido no mercado, sem cobrar absolutamente nada.

Quais as propostas pra defesas das prerrogativas dos advogados, já que é um problema endêmico na categoria?
A nossa proposta principal é nós termos uma Ordem voltada pro advogado. Nós vamos fazer gestões junto aos tribunais de justiça, porque nós não podemos litigar o Tribunal de Justiça, infelizmente, a versão que aí está, a Ordem é adversária do Tribunal de Justiça. Não há um diálogo. Antes de lançar minha candidatura eu fui visitar alguns desembargadores e disse: eu pretendo sair candidato, mas a minha meta principal é conciliar a advocacia com o tribunal de justiça. Nós não pretendemos litigar, pretendemos ombrear com o TJ na busca por essa solução. Nós sabemos que o tribunal é uma instituição que você pode considerar falida, ela tem que ser recriada, como disse um colega nosso, a Justiça tem que ser recriada. O modelo que está aí já está ultrapassado. Existe algum diagnóstico, mas não se pode colocar remendo novo em roupa velha. A Justiça tem que ser tratada como uma questão de Estado. E nós tivemos uma experiência disso quando o Dinailton Oliveira era presidente da Ordem no triênio 2004-2006, e olha que a Justiça não estava o caos que está hoje. As prerrogativas eram mais respeitadas do que são hoje. A advocacia vivia melhores momentos do que vive hoje. Ele ingressou com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Não foi representação contra desembargador, contra juiz, foi uma representação pelo sistema da Bahia. Essa representação foi instruída, teve audiência, cinco ou seis desembargadores foram lá, fizeram sustentação tentando demonstrar que a Justiça estava funcionando bem, o CNJ acolheu a representação e designou treze ministros para a Bahia. Os ministros que aqui chegaram depois do diagnostico chegou a dizer que pra justiça da Bahia ficar ruim precisava melhorar muito. Então essa ação chegou ao ponto dos ministros do CNJ estabelecerem um convênio com o Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e OAB. A questão da Justiça, hoje, é uma questão de Estado, não é uma questão só do Judiciário. E esse convênio previa metas definindo responsabilidades, definindo prazos de execução. É estarrecedor, em 2006 o Dinailton entregou a Ordem a Saul  - que aqui eu quero dizer seguinte, essa ressalva é porque Saul hoje é conselheiro federal da chapa de Carlos Rátis, e Luiz Viana, presidente da Ordem foi conselheiro federal de Saul. Pois bem, a OAB e o conselho federal, atendendo provavelmente ao Tribunal de Justiça, requereu o arquivamento dessa representação. Todo aquele trabalho, toda aquela elaboração foi arquivada pela gestão de Saul e Luiz Viana. Eu vejo a proposta deles falando em prerrogativa e à qual prerrogativa ele se refere? A que prerrogativa porque no momento em que temos alcançado esse patamar de solução, ele vai e arquiva a solução. Os advogados que viviam somente da advocacia, com a Justiça em greve, não tiveram alternativas, não tinham como alimentar suas ações, seus processos. Não tinham como ter honorários. Alguns colegas deixaram a advocacia. Eu posso até citar um, porque ele me autorizou: Jorge Araújo era advogado, e hoje dirige táxi. Muitos colegas deixaram a advocacia para se tornarem empresários. Porque o caos que se instalou na advocacia foi tão grande. Porque nós temos uma Ordem que se distanciou da advocacia. A Ordem hoje é politizada, elitizada, mercantilizada, você vê tudo na Ordem, menos a defesa das prerrogativas dos advogados e da advocacia.

O senhor acha então que é preciso retomar esse pacto, esse documento que foi assinado pelo Dinailton?
Exatamente, a nossa meta, com a nossa bancada no conselho federal e a nossa participação, suscitar, nós trazermos esse pacto que era uma alternativa de solução que eles sepultaram, infelizmente.

Um dos problemas que sempre se pontua é a dificuldade pros jovens advogados, eles sentem mais na pele essa questão. Quais são suas propostas aí pra jovem advocacia, pra quem está ingressando na carreira?
O jovem advogado merece uma atenção especial. Ele precisa ser inserido, você sabe que quando ele sai da faculdade, não tem a parte prática. Ele precisa ter treinamentos, ter qualificação, habilitação pra isso e nós pretendemos transformar a ESA em um apoio para esse jovem advogado. Nós vamos dar os cursos, a preparação pro advogado, inclusive agora, em março deve entrar o novo CPC, que muda toda a lógica processual. Nós pretendemos criar até núcleos com professores, que muitos já foram contatados por nós, muitos se disponibilizaram a promover esses cursos para fazer uma espécie de plantão. Quem tem dificuldade no processo vai ter o suporte desse núcleo. Pretendo criar cursos específicos na ESA e disponibilizar sem pagamento qualquer até que ele complete cinco anos. Nós vamos também promover, e isso eu posso dizer por que nós somos independentes. A nossa chapa é ‘OAB Livre’ porque nós não temos patrocínio de cursinho, de faculdade, de ninguém. Nossa campanha está sendo promovida por nós próprios, pelos próprios candidatos. Eu não tenho compromisso nenhum com ninguém. Eu posso disponibilizar a ESA para o advogado, eu posso dizer que a ESA vai ser um curso livre sem nenhum compromisso de patrocínio e eu vou promover cursos de qualificação efetivamente. Porque os colegas que compõem a chapa, mas outros se dispuseram pra promover esses cursos. Além dessa qualificação eu pretendo ampliar aqui o transporte gratuito. Porque como lhe disse antes, esse transporte foi para muitos advogados a solução da dificuldade que ele tinha para se locomover. Damos o transporte e vamos dar ao advogado mais assistência.

E o jovem advogado do interior que não tem acesso à boa parte desses serviços?
Também nós vamos levar esses cursos. Porque essa foi a minha meta na gestão da Caab. Eu assumi a Caab com o propósito de interiorizar os serviços. Antes de lhe responder eu quero dizer o seguinte: em todas as subseções onde eu fui, porque eu criei um programa, a ‘Caab na sua Subseção’, visitava todas as subseções. Os advogados elogiaram, e disseram Nelis: nós agora estamos nos sentindo prestigiados. Eu fiquei muito emocionado em Eunápolis quando uma advogada me agradeceu, disse que pela primeira vez chegou em casa dizendo que agora era advogada. Eu fiquei muito emocionado com esse relato. Ela disse que a Caab nunca esteve em nenhuma subseção. Agora, em todas as subseções tem acupuntura, massoterapia, enfermeira, inclusão digital. Em Feira de Santana, eu coloquei uma assistente social a pedido do presidente. O serviço que nós temos aqui ele vem para todas as subseções. Não conclui porque não consegui levar o médico, o dentista e o laboratório conforme temos aqui. Mas na nossa gestão, eu como presidente da OAB, nós vamos levar para as subseções esse serviço. Lhe respondendo esses cursos vão ser ministrados também nas subseções. Mais do que isso nós pretendemos em cada subseção, em cada fórum, em cada comarca, disponibilizar uma sala porque nas subseções, porque hoje não tem uma sala onde ele possa chegar fazer uma petição, atender um cliente ali de emergência, ele não tem. Nós vamos inaugurar uma sala em cada subseção e nessa sala vamos disponibilizar todos os equipamentos para inclusão digital.
Uma das exigências esse ano é que 30% das vagas da OAB precisam ser preenchidas por mulheres.

O senhor sentiu alguma dificuldade em atrair as mulheres para a sua chapa ou foi uma coisa muito natural?
Muito natural. Eu acho até que as mulheres têm uma participação especial, tanto é que nós desenvolvemos uma proposta. A mulher no período de parto, gravidez e pós-parto, precisa ter a suspensão dos prazos processuais, e precisa estar isenta de pagar a OAB. Nós temos colegas grávidas que é advogada sozinha, não tinha sócio, que perdeu prazo, apresentou atestado, e o juiz despachou que ela devia se estabelecer. Ora, se você contrata um advogado você tem confiança nele. Você não aceita que ele transfira pra outro. Diante desse quadro, nós estamos desenvolvendo a seguinte proposta: o período de maternidade que nas empresas privadas a mulher goza, lá na OAB vai ser uma questão estatutária. Nós vamos fazer inserir isso no estatuto. A nossa bancada vai liderar essa discussão no conselho federal para inserir isso. Na nossa chapa tem 40 mulheres. Todas atuantes, todas na diretoria da OAB, diretoria da Caab, no conselho federal e no conselho seccional. Eu acho que a mulher vai movimentar muito a nossa gestão porque ela precisa ter respeitado o seu período de gravidez, de parto. Não é para ela ficar preocupada com o processo, o período de audiência que tem que responder, então eu acho que a suspensão do prazo processual nesse período, naturalmente que comprovado por atestado médico com antecedência, nesse período ela tem que estar despreocupada com o processo pra poder cuidar do seu filho.

Qual a posição de sua chapa sobre o Exame de Ordem?
Eu não sou contra o Exame de Ordem, mas sou contra esse modelo que aí existe. Porque você não está ali sendo selecionado, você está demonstrando sua capacidade. Quando recebe um cliente no escritório, você tem suas fontes, seus livros, você vai ouvir o cliente e vai compatibilizar isso com suas fontes de consultas. A OAB é um exame que, a meu ver não, retrata mesmo a realidade da advocacia. Eu acho que o Exame de Ordem deve prevalecer, é um exame de proficiência que precisa prevalecer, não pode ser de forma nenhuma eliminado mas tem que ser ligado à realidade. E tem outra coisa o exame de ordem está na contramão do ensino jurídico. Esse percentual de 80% de advogados que perdem exame de ordem, na verdade você faz uma faculdade, você aprende ali na faculdade o direito tradicional, você vai pegar o código, a lei, interpretar e descrever aquele artigo. Só que na pratica não é assim. Um sistema que nos causa grande admiração é o italiano, lá o curso é curso de jurisprudência, não é um curso de direito. Porque a jurisprudência é o direito em mutação, em evolução. Você tem um curso, você vê cada código, lê, decora, aprende por ali, mas na prática não é assim. Nós que somos advogados há mais tempo vemos decisões do STJ, do Supremo Tribunal, que contraria frontalmente o que está nos códigos. Eu acho que o ensino jurídico deveria estar mais modernizado, atualizado. Os alunos deveriam aprender nas faculdades as tendências dos tribunais. O código, ele pode conhecer, mas ele deve saber que aquele código não é hoje a decisão final, a decisão final está nos tribunais, e hoje o nosso direito civil é um direito que está constitucionalizado. O nosso CPC, que está entrando em vigor em março, está constitucionalizado. Você não vai ler só o código civil, você tem que ler esse código civil com a constituição, porque senão você não vai ver o código civil praticado nos tribunais. O direito mudou muito, eu me lembro quando fiz direito há uns anos atrás nos conhecíamos o direito privado e o direito público. O direito privado tinha o código civil, e a constituição, tudo se encerrava ali, todos os conceitos do código civil. Não existe mais aquele direito previsto só naquele código. Por exemplo, você vê hoje o código civil, até aqueles conceitos pétreos do direito civil foram alterados, modificados. O direito foi revisto completamente, quem fez direito até 2002, em 2003 passou a saber nada de direito civil. Quem fez processo civil até este ano, no próximo não sabe nada de processo civil, porque mudou radicalmente. E a tendência do direito é evoluir. Eu acho que o Exame de Ordem é necessário até mesmo pra proteger a sociedade. Porque infelizmente as escolas que não são fiscalizadas pela OAB, é outro absurdo. A OAB deveria acompanhar os cursos jurídicos, não fazem, quando o aluno sai dali vai fazer a defesa do direito dele. Ele não está preparado pra isso, ele vai prejudicar o cliente dele, e o Exame de Ordem deve ser uma seleção mínima, conhecimento mínimo, não como é feito. Eu sou completamente contra a forma que o exame é feito. A meu ver , deveria ser feito como se você estivesse no seu escritório, como se você estivesse na sua atividade habitual.

Na eleição passada Dinailton estava com Luiz Viana e o senhor também ingressava a chapa de Luiz Viana, esse ano Dinailton declarou apoio a sua gestão, e na época ele foi apontado como ficha suja. Como é Dinailton apoiar sua chapa?
 Dinailton, pra mim, é um dos maiores líderes da advocacia baiana, só que como ele é advogado, ele se preocupa com a advocacia. E o que Dinailton fez? Ele lutou praticamente com o Tribunal, com as oligarquias do direito, ele entrou com ação no CNJ e além dessa ação ele entrou com diversas ações civis públicas como, por exemplo, desmatamento da Linha Verde, transposição do Rio São Francisco. Ele afetou a diversos interesses na área do direito e na área política. Na verdade, ele atraiu a inimizade de grandes escritórios, de tribunal de justiça, políticos, porque ele fazia realmente a defesa do papel institucional da Ordem, ele fazia a defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito, e isso agravou muita gente. Na verdade, ele foi perseguido pela oligarquia do direito, da política, da economia, ingressaram com essa representação lá, mas foi tão absurda que no conselho federal ele foi absolvido por 23 a 6. Alguns conselheiros lá acharam absurda aquela ação da prestação de contas. O ex-presidente Saul que hoje é conselheiro da chapa de Ratis ingressou com ação contra Dinailton, atendendo ao Tribunal de Justiça, aos grupos econômicos, aos políticos. Naquela época, Dinailton não conseguiu ser candidato. Nós estávamos com a chapa engrenada, com todo o processo pronto para deflagrar uma eleição, só que ele não foi desimpedido pelo Conselho, ficamos fora do processo político. Luiz Viana convidou, assim como convidou também o candidato Mauricio Góes e Góes. Só que a proposta que Luiz Viana apresentou, se assemelhava com a nossa proposta. As propostas daquela gestão dele correspondiam com as nossas propostas. E nós fizemos então essa composição. Na composição, ele deu a presidência da Caab. Deu a secretaria da OAB e deu a metade do conselho. Só que no curso da gestão, as coisas não continuaram como foram propostas. Infelizmente, não quero aqui declarar quais foram. Mas infelizmente não aconteceu, as promessas que ele fez, não cumpriu, descumpriu e ainda investiu para não serem cumpridas. Por isso não estamos com Luiz Viana nessa gestão. Não estamos também com a chapa de Rátis, na qual o Saul é conselheiro, porque a proposta de Saul é antidemocrática, a gestão de Saul é contra os advogados. Dinailton é essencialmente advogado. Ele compôs uma chapa com 92% de advogados. Só tem advogado e militantes. E nós conhecemos o que é advogar, o que é viver a advocacia. Então reitero que os colegas pensem, reflitam e não votem neles. Vote Nelis, né?
 
Só pra concluir vamos deixar um espaço de uns dois minutos para conclusão, suas considerações a respeito dessa eleição.
Quando eu fui presidente da Caab a minha preocupação foi fazer uma gestão para o advogado. A Caab, na verdade, não tem nem essa atribuição, ela é um braço assistencial da Ordem. Ela presta assistência saúde, médica, assistência aos benefícios, mas eu achei que isso era muito pouco porque eu via realmente a ausência que fazia para os advogados. Eu criei um campo chamado ‘A voz e a vez do advogado’, se você entrar no site da Caab hoje você vê esse link, ali você sugere, você critica, você opina. Com esse link, eu me aproximo muito do advogado, eu ouvia o advogado, eu respondia essas manifestações. Criei também a Caab na subseção para me aproximar do advogado do interior. Em todas as subseções, eu prometi a interiorização dos demais serviços da Ordem. Porque aqui na Caab, o advogado não paga dentista, ele paga só o que usa. Temos dois médicos e nutricionista na sede. Sabe o que eu fiz? Como sei da dificuldade do advogado, que não tem plano de saúde, eu comprei atendimentos, eu negociei atendimento pelo preço que eles cobram plano de saúde. Então eu comprei cem consultas de cardiologia, cem consultas de psiquiatria, cem consultas de psicologia, cem sessões de terapia, diversas áreas, quando essas consultas se esgotaram eu renovava, não fazia plano de saúde mas eu fazia pelo menos atendimento para o advogado que não podia, que não pode pagar plano de saúde. Porque nós exigíamos que o advogado pague a sua anuidade. O advogado não paga nem plano de saúde, não tem dinheiro. A Justiça na Bahia está pior do que um caos. A advocacia aqui não confere ao advogado a sua sobrevivência. Se eu não tiver coisa extra, um parente, um alguém que ajude, ele passa necessidade. Esse rapaz que deixou a advocacia para dirigir táxi, eu fiquei horrorizado, nós estamos com esse propósito de reincluir os excluídos da OAB, reincluir os advogados, fazer uma Ordem para a advocacia. Para encerrar e quero dizer o seguinte, não temos nada contra procuradores a gente da Ordem, são respeitáveis, merecem nosso respeito, nossa atenção, mas eu acho que a advocacia é do advogado. Aquele que tem atividade principal e faz dela atividade secundária, não a representa, nunca a representou. Nós temos o histórico da OAB de que quando o advogado era presidente ele se preocupava com a advocacia. O procurador não tem essa preocupação porque ele não vive aqui. Eu hoje advogo em quase todas as áreas, meu dia a dia é na justiça. Eu vejo como os colegas sofrem na advocacia, então eu acho que a OAB deve ser devolvida para os advogados, e esse é o proposito que nós estamos em mente e nós estamos implementando. E pra encerrar, queremos dizer aos colegas que no dia 25 não vote neles, vote Nelis.