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Condcomunica: Primeiros condomínios de Salvador surgiram com a verticalização e a ocupação dos circuitos do Carnaval

Por Redação

Condcomunica: Primeiros condomínios de Salvador surgiram com a verticalização e a ocupação dos circuitos do Carnaval
Foto: Google Street View

A relação entre Carnaval e moradia em Salvador é mais antiga do que parece. Antes mesmo da consolidação dos grandes circuitos da festa, o processo de verticalização já transformava a paisagem urbana e a forma como os moradores vivenciavam o período carnavalesco. Foi nesse contexto, entre as décadas de 1940 e 1950, que surgiram os primeiros condomínios da capital baiana, segundo o historiador Rafael Dantas, que participou do podcast CondComunica, exibido nesta quarta-feira (28).

 

Até o início dos anos 1950, Salvador era predominantemente formada por casas e sobrados, com poucos edifícios de maior porte. “Era uma cidade com casas, pouquíssimos prédios. Dá para fazer quase uma linha cronológica dos primeiros edifícios mais altos de Salvador”, relatou Rafael no programa. De acordo com ele, os primeiros prédios comerciais tinham, no máximo, oito ou dez andares e eram exceções em meio a uma paisagem ainda horizontal.

 

Um marco desse processo foi a inauguração do Hotel da Bahia, em 1952. “Ele surge como a única construção alta de todo o entorno. Só depois começam a aparecer os prédios da Vitória, e isso ainda leva um tempo”, explicou o historiador. Antes disso, algumas experiências isoladas já apontavam para a mudança, como o Edifício Oceania, na Barra, construído nos anos 1940 em estilo art déco.

 

O Oceania tornou-se símbolo da ruptura com a paisagem anterior. “Quando foi terminado, as pessoas achavam que ele não era estável o suficiente, que ia cair em direção ao Farol da Barra”, contou. Durante anos, o edifício foi a construção mais alta da região, destacando-se em uma Barra que ainda concentrava casas, espaços de lazer e antigas boates que fervilhavam durante o Carnaval, como a Maria Fumaça, que acabou destruída por um incêndio.

 

Do ponto de vista histórico, porém, o primeiro condomínio de Salvador, no formato mais próximo ao atual, surgiu na Graça. Trata-se do Edifício Dourado, localizado na Rua da Cunha, um prédio baixo, de três ou quatro andares. “Historicamente, é o primeiro condomínio de Salvador. O primeiro, de fato, nesse formato que a gente conhece hoje”, destacou o pesquisador.

 

PRIMEIROS CAMAROTES

A partir dos anos 1950, observou-se uma mudança significativa na paisagem urbana, com a derrubada de casas para dar lugar a edifícios. Regiões como o Campo Grande, a Rua Carlos Gomes e outros circuitos tradicionais do Carnaval passaram a ser ocupadas também como espaços privados de observação da festa. É nesse período que surgem os primeiros “camarotes” residenciais, onde famílias e amigos se reuniam para acompanhar os desfiles.

 

Embora o aluguel de apartamentos durante o Carnaval ainda não fosse uma prática tão difundida quanto nos dias atuais, registros de jornais das décadas de 1960 e 1970 indicam o início da oferta desses imóveis para a temporada festiva. Este foi, portanto, um divisor de águas na história urbana de Salvador, marcando a valorização de determinados bairros para vivenciar o Carnaval.

 

Apresentado pela advogada Jamile Vieira e pela jornalista Monique Melo, o CondComunica oferece informações práticas para síndicos, moradores e administradores. O podcast tem patrocínio da Acco Caixas e apoio da Avatim, Casa Tua, Muse: Curadoria de Moda, Zama Brasileiro, Jamile Vieira Advogados Associados e Texto & Cia.