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O mágico que encanta e o lógico que convence

Por Hermes Hilarião e Luiz Gabriel Batista

O mágico que encanta e o lógico que convence
Foto: Divulgação

Certa vez um de nós disse, em um evento da Ordem dos Advogados do Brasil: “O advogado é o mágico que encanta e o lógico que convence!”. Saiu assim, fruto de umas costuras acadêmicas que refletimos juntos há alguns anos. Assistia à palestra o queridíssimo Prof. Fredie Didier Jr., que, educadamente, falou baixinho: “Quem convence é a retórica, não é a lógica”. Realmente: Fredie tem razão! Mas esse é um tema para um outro momento, que pode ser aprofundado em um espaço próprio.

 

Importa dizer nestas breves linhas sobre o 11 de agosto, o dia da advocacia.

 

Cada um tem uma soma de esforços que ajuda a construir uma trajetória, com complexidades humanas e sociais, até se formar em Direito e decidir, entre as muitas profissões jurídicas, advogar.

 

A nossa história é simples; a do primeiro, um jovem de classe média, filho de duas pessoas humildes. O pai operário, a mãe professora - que começou a trabalhar aos 14 anos na Escola Pitágoras, na Rua Travessa Pinto, n. 16, Pernambués, Salvador, na Bahia. Ele auxiliava na limpeza e servia o lanche aos pequenos e travessos alunos que iam da pré-escola até a 4ª série primária. Hoje funciona, nessa escolinha, o Casa Bar, de propriedade de Ruan, o seu único irmão. O prédio pertence aos seus pais, que, educando milhares de crianças por vinte e cinco anos, tiravam o sustento de toda a família.

 

A do segundo, de um menino nascido em Pindobaçu/BA, que quase foi privado de seus estudos, e que veio abruptamente para Salvador/BA debaixo do colo da própria mãe ainda sem ter moradia definida, mas tendo aprendido na primeira infância, em Pau da Lima, que desistir não é uma opção. Acabou por aprender nos estudos no Colégio Militar disciplina e trabalho em equipe. Que tinha um sonho de infância de ser advogado e que continua lutando, sonhando e buscando um futuro melhor para a advocacia.

 

É necessário que percebam que cada um tem a sua história, as suas dificuldades, a sua luta diária. Acreditamos em um mundo construído com afeto, amor ao próximo e cultivo de boas relações pessoais. Mas não é fácil viver em um país tão injusto, que não conseguiu cumprir algumas de suas mínimas funções sociais. E obviamente isso tem impactado na vida de todos nós. Não seria diferente no âmbito da advocacia!

 

Se estamos cada vez mais cansados dos desafios que a dinâmica do dia a dia impõe, é preciso lembrar que nos becos, como ensina Manoel de Barros, é que cultivamos as lições para o dia depois de amanhã, driblando os obstáculos e vencendo os principais desafios. Na Bahia tivemos grandes transformações na advocacia, mudanças de todas as ordens e uma caminhada coletiva que foi capaz de proporcionar aberturas democráticas a muitos jovens, que, como nós, são filhos de pessoas simples, sem os grandes destaques das famílias tradicionais da nossa profissão. Esse, talvez, seja o grande feito do nosso Porto e Farol: tornar possível a horizontalidade na nossa profissão!

 

Nos olhos meninos que cobrem as grandes ruas deste país, cultivamos o fogo da esperança e a calmaria de um tempo esperado. Em um poema que será em breve publicado, restou uma angústia permanente: “Quanto tempo o tempo tem?”. Que a lição neste dia 11 seja a de que é possível advogar. É indispensável ter paciência, mas fundamental seguir persistindo. Que a música do baile da vida siga adiante. Se os sinos não tocam e os instrumentos emudeceram diante da barbárie, devemos nós (advogadas/os) seguir sendo a voz da cidadania, ainda que em um insistente canto à capela, como diria a poeta das Minas Gerais “(...) quando meu olhar se perder no nada, por favor, não me despertem, quero reter, no adentro da íris, a menor sombra, do ínfimo movimento” (Conceição Evaristo).

 

*Luiz Gabriel Batista Neves é advogado Criminalista, Mestre e Doutorando pela UFBA, Professor de Processo Penal e Vice-Diretor da ESA na OAB-BA

 

*Hermes Hilarião Teixeira Neto é advogado Eleitoralista e Diretor Tesoureiro da OAB-BA 
 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias