Quinta, 09 de Abril de 2020 - 15:53

Ressignificando a advocacia em tempos de pandemia

por Hermes Hilarião

Ressignificando a advocacia em tempos de pandemia
Foto: Divulgação

Sair da zona de conforto sempre traz um incômodo característico, pois o indivíduo costuma ter dificuldade em lidar com mudanças. E mais que isso, 2020 trouxe um desafio coletivo, empurrando a sociedade inteira de volta para os lares em razão de uma pandemia, convidando-a a olhar para dentro.

 

Dentro de si, dentro de casa e, acima de tudo, parte de um todo, é chegada a hora de unir forças para encarar as vicissitudes da vida com um olhar atencioso e coletivo, não mais havendo espaço para o individualismo.

 

E é neste contexto que a sociedade está, forçosamente, se reinventando. Pessoas e agremiações estão buscando soluções inteligentes para continuar atendendo às necessidades básicas de cada um, mantendo-se os cuidados necessários para evitar a disseminação do Novo Coronavírus.

 

Para tanto, está sendo descoberta uma gama de possibilidades que permitem às pessoas, empresas e instituições chegarem aos mesmos resultados, muitas vezes com as mesmas qualidades e, quem diria, de maneira mais sustentável. A confiabilidade na tecnologia que já existe há anos está se tornando imprescindível para a manutenção de atividades indispensáveis para a sociedade.  

 

Dentre tais atividades de cunho essencial, está a advocacia, profissão através da qual os cidadãos garantem seus direitos, inclusive aqueles indisponíveis, como a vida, a saúde e a dignidade da pessoa humana. E ao contrário do que parece, em tempos de isolamento social, a advocacia assume um papel ainda mais indispensável na manutenção da ordem, da paz e da segurança social.

 

O surgimento de mazelas e a necessidade da adoção de medidas de segurança trazem diversas consequências e situações até então impensadas, que fomentam as relações de fidúcia e trazem ao palco a figura do advogado(a), sempre de prontidão para defender os interesses dos seus contratantes e das coletividades, buscando a justiça e a proteção do bem comum.

 

A justiça é, agora, indispensável como nunca foi. Deve estar pronta para debates extremamente complexos e totalmente atípicos e para defender as necessidades da sociedade da maneira mais sensata possível, pois assuntos como o transporte público, abastecimento de água, fornecimento de energia, rede de esgoto, esgotamento de leitos (considerando pacientes que já estavam em tratamento), necessidades de tratamento e internamento em redes superlotadas de saúde, dentre inúmeras outras ponderações, serão pauta nos próximos dias.

 

Paralelo a isso, buscando o fortalecimento da classe, os bons préstimos da justiça e o livre exercício da profissão, a Ordem dos Advogados do Brasil, no âmbito Seccional e Nacional, tem buscado amparar a advocacia e também se adaptar aos novos métodos impostos pelo COVID-19, adotando pacotes de medidas que auxiliam a advocacia nesse momento de instabilidade – seja através da liberação de cursos gratuitos, seja através da suspensão da cobrança de anuidades, seja na interlocução junto aos Tribunais para a preservação possível da prestação jurisdicional e especialmente liberação de alvarás, precatórios e RPVs,  e, acima de tudo, na constante defesa das prerrogativas da advocacia, as quais, a despeito do momento, não podem ou devem ser negociadas ou relativizadas.

 

Nesta perspectiva, é necessário aproveitar melhor a tecnologia e ressignificar conceitos tradicionais, pois, passado o efeito nefasto da pandemia, virão novos tempos. O momento é de continuar se empenhando, se qualificando, buscando soluções inteligentes, mudando a forma de laborar e de como enxergar o próprio exercício da advocacia. Cuidar da saúde emocional para revisar a rotina, as prioridades, fazer sua parte para que o planeta esteja cada vez mais sustentável é fundamental nesse momento.

 

Assim é que serão engendradas novas maneiras de trabalhar, de se reunir, comunicar e elevar a produção e a felicidade. Não se pode deixar que o medo do caos, da crise, e nem mesmo que a dificuldade financeira estagne a produção intelectual, pois é ela a fonte de toda evolução e da solução de problemas graves.

 

Passado o susto e o recrudescimento da pandemia, tal como os seus efeitos nefastos, será necessário ter pensado em como viver na nova realidade e como sair maior lá na frente. Portanto, não se deve apenas pensar em eventual queda da receita ou perda de clientes, é necessário encarar os problemas de frente, viver o presente com serenidade, aproveitar os legados, a exemplo do uso da tecnologia, e planejar as metas e objetivos para um futuro que é muito próximo. Quem assim fizer, certamente, estará estruturado para obter melhores resultados.  

 

Com efeito, deve-se abrir os olhos para a realidade e entender que a crise atravessa um momento coletivo, no qual todos precisarão, juntos, encontrar soluções criativas e buscar fatores que amortizem os efeitos graves, em todos os aspectos da vida, causados pela pandemia COVID-19. Não deixemos de lutar e buscar o fortalecimento da advocacia e da OAB, instituição que sempre protagonizou causas em defesa da democracia, das liberdades individuais e dos direitos humanos. Haveremos de vencer e ressignificar a advocacia, demonstrando o seu poder de transformação. 

 

*Hermes Hilarião é diretor tesoureiro da OAB da Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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