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O racismo do reitor da UFRB

Por Waldir Santos

O racismo do reitor da UFRB
Além dos vergonhosos tropeços no uso do idioma pátrio, diante do cargo que ocupa, chamou-me muito a atenção a clareza do racismo que norteia o pensamento do reitor da UFRB, exibido em trecho do seu discurso tão propalado nos meios eletrônicos nos últimos dias. A sua convicção se confirma quando diz que repetiria a declaração quantas vezes fosse necessário. A repercussão negativa da sua fala, no entanto, parece tê-lo feito desistir da promessa, e os seus defensores omitem as partes que mais chamaram a atenção na infeliz fala. Aliás, na continuação do vídeo, exibida em sua defesa, percebe-se um arrependimento quanto ao que foi dito, mas não uma sincera e repentina mudança de opinião.

A tranquilidade com que alude à cor dos servidores como fator determinante para a ineficiência da instituição que dirige é algo assustador, e naturalmente poderá contar com o obsequioso silêncio das entidades que assumiram o dever estatutário e moral de exigir respeito ao ser humano, independentemente da cor da pele. A celeuma lhe causou um grande benefício, pois quase não se fala das sérias irregularidades timidamente mencionadas pela imprensa, como o superfaturamento de obras, mencionadas no relatório da Controladoria-Geral da União publicado em 19/04/2010.

Li cuidadosamente a extensa nota, uma tentativa de justificação, que acaba por confirmar, involuntariamente, o seu pensamento, e tive certeza do que era uma mera suspeita: o magnífico reitor não nasceu no Recôncavo, Região historicamente ligada às letras, como provam seus filhos Castro Alves, Teixeira de Freitas, Assis Valente, Damário Dacruz e tantos outros. A nota tem sérios problemas de localização de vírgulas, e digo somente isso para ser econômico e evitar constrangimentos.

Confesso que me sentiria pessoalmente ofendido e envergonhado, eu que propago com orgulho as grandezas do Recôncavo, lugar de onde saíram governadores, reitores e grandes cientistas que beneficiam a humanidade, se o desrespeito tivesse partido de alguém com melhores atributos.

O reitor põe em cheque a validade do concurso público como critério de seleção, ou não confia da seriedade do que foi realizado na UFRB, e ainda desmerece a sua própria capacidade na escolha dos ocupantes de cargos em comissão. Parece ignorar que os “inadequados” servidores nascidos no Recôncavo superaram milhares de candidatos originários da Capital e, especialmente, de sua Região, certamente povoada por pessoas mais capazes e mais velozes.

A tolice proferida pelo magnífico reitor, além de conter desumana maldade, evidencia uma vergonhosa fraqueza para quem ocupa uma posição de gestor, consistente em transferir para os seus subordinados a culpa pela ineficiência da instituição que dirige desde a sua instalação. Sugiro que meça bem as palavras nas próximas vezes em que se posicionar diante de filmadoras, e tenha mais respeito com as pessoas.


* Waldir Santos, nascido na zona rural de São Filipe, Recôncavo da Bahia, é servidor público eficiente desde os 18 anos. ([email protected])