Cofundador da Vale do Dendê defende Curuzu como distrito cultural e polo de negócios liderados por pessoas negras
Por Eduarda Pinto / Paulo Dourado
Durante o sábado de Carnaval (14), no Curuzu, o cofundador da Vale do Dendê, Paulo Rogério Nunes, falou sobre o potencial da região para se consolidar como um distrito cultural e polo de empreendedorismo negro em Salvador.
Segundo ele, a proposta de transformação do bairro começou a ser estruturada em 2018, quando foi apresentado um projeto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A iniciativa previa a urbanização e o fortalecimento da identidade cultural do Curuzu, inspirada em experiências internacionais.
“Nós fizemos uma proposta para transformar o Curuzu em um distrito cultural baseado na memória e na força da comunidade. Eu me inspirei em um projeto que vi em Soweto, na África do Sul, com pousadas, bares, restaurantes e espaços temáticos da cultura negra. Aqui o potencial é muito maior do que o que vemos hoje”, afirmou.
Paulo Rogério destacou que, apesar de avanços estruturais realizados pelo poder público, o bairro ainda pode atrair mais investimentos, turismo e negócios liderados por empreendedores negros. “Quem dera a gente possa ter ainda mais negócios sendo atraídos para cá. O Curuzu já é cantado nas músicas, mas pode se tornar também um grande centro de oportunidades”, completou.
À frente da Vale do Dendê, hub de inovação instalado no Pelourinho, o empreendedor também ressaltou as ações desenvolvidas durante o Carnaval. O espaço montou o Camarote Vale do Dendê, com acesso gratuito e programação voltada à economia criativa.
“Nós somos um hub para startups e empresas criativas no coração do Pelourinho. No camarote, estamos transmitindo o Carnaval da Bahia para cinco países africanos, como Angola, Moçambique e Cabo Verde, em parceria com a TVE Bahia. É uma forma de mostrar a força do nosso Carnaval para o mundo”, destacou.
