Alguém aí já se perguntou o porquê de sociedades e parcerias artísticas quase sempre acabarem em briga? E por que um artista sempre tem uma vontade louca de fazer carreira solo? Na maior parte dos casos, mas não em sua totalidade, a discussão financeira é um dos principais motes dessas desuniões, o que serve para explicar um pouco o porquê de relações ditas consolidadas, da noite para o dia, se tornem brigas mais que profissionais, pessoais mesmo.
Antes que algum filho do cascudo, da terra do lá ele, pense que vou ficar tecendo comentário sobre esse ou aquele artista, vou apenas me ater às armadilhas que a carreira solo traz, e de forma leve e tranquila, falar um pouco dos obstáculos que terão que ser transpostos na busca do sucesso comercial, que normalmente não são observados pelos “solistas” e, quando o são, a vaca já foi para o brejo há muito tempo, ou o dito cujo já desceu a ladeira, ladeira, ladeira, ladeira, ladeira(sic!)...sem se dar conta.
São muitas as diferenças entre uma carreira solo e com uma banda. Agora, diferentemente de antes, o artista é dono de si mesmo. Normalmente nesse começo, todo artista acaba tropeçando no erro de não perceber que suas atitudes, a partir de então, vão interferir na dinâmica da sua carreira, e consequentemente no seu bolso.
Nessa primeira hora, é comum que o artista ainda condicionado a não ser o “dono de si mesmo” continue com os mesmos “vícios” de antes como por exemplo: atrasar nos shows, ensaios e coletivas de imprensa, Destratar ou tratar com desdém seus fãs, perder voos e até mesmo desfazer dos seus funcionários, esquecendo que antes, sua carreira era monitorada e suas atitudes erradas eram escondidas pelos donos do produto, e que a partir de então, seus atos se tornam na boca de todos que os cercam uma perfeita e funcional caixa de ressonância.
Outro grande baque na vida de quem faz carreira solo é imaginar que o sucesso e a notoriedade conseguida à frente de sua antiga banda continuará de forma intacta ao se tornar solo. Normalmente, o “iludido” nadador, prestes a se afogar, ou já afogado nas águas do próprio ego, acredita vendo “cases” de sucesso desse novo formato, que atingir a condição de estrela, é apenas uma simples troca nos letreiros de show, crendo até que seu público fiel o seguirá nesta nova fase, sem se dar conta que talvez a fidelidade seja da banda, e não dele.
Raros se dão conta quando isso acontece e, quando o fazem e percebem que não é bem assim que a banda toca, na maioria das vezes, já é tarde demais. Se pararmos para enumerar na história da música baiana contemporânea, tendo como ponto de partida o final da década de oitenta até os dias atuais, veremos o quão estreito é o funil do sucesso solo, quantos sucumbiram a esse sonho e quantos conseguiram realiza-lo.
Lógico que a minha analise é superficial e não tem como intuito desestimular ninguém a deixar de fazer carreira solo pois, como bem sabemos na vida artística musical, a diferença entre o sucesso e o fracasso, se esconde em três minutos de uma boa melodia com uma boa letra. Mas serve de alerta para barrar a precipitação de quem acha que estar sozinho é a melhor parte sempre.
Fatores determinantes como boas escolhas, bons parceiros empresariais e até mesmo contar com a sorte são e serão preponderantes para aqueles que almejam sair solo um dia, Mas eu acredito que a maior diferença entre o sucesso e o fracasso estará sempre no caráter.
Por isso, quem vê cara não vê é nada, ou como diz Cumpade Washington: “Sabe de nada inocente!!!!”
Luis Ganem
@luis_ganem