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Genuinamente baiano - Arre égua!


Fiquei aqui pensando no que falaria esta semana. Dos novos e dos velhos picaretas do mercado? Já falei. Da decadência na nossa música que atingiu também o pagode? Falei também. Poderia ser então sobre a invasão do sertanejo nas nossa área! Não, sobre isso já falei também.
 
Rapaz, pensava eu até linhas acima que tinha falado tudo sobre carnaval quando: pimba! Arre égua, estamos perto do São João! E também temos bons representantes do forró e que estão em alta no mercado! E eu não falo somente sobre carnaval, falo sobre música em geral!
 
Pois bem, depois de eu ter descoberto a pólvora, me perguntava sobre quem falar. Que artista hoje representa o forró da Bahia? Quem hoje seria a linguagem do forró no nosso estado? Bom, dentre esses representantes, pensando direito, creio que o de maior destaque na atualidade seja Léo Macedo. Não entendeu? Eu disse Léo Macedo. Isso mesmo, você não leu errado.
 
Talvez o certo para alguns fosse falar do nome Estakazero ou ainda de outros ícones da sanfona e do arrasta-pé e creio eu que, até para o próprio Léo o certo fosse isso também, mas, pra mim, o mais correto nesse momento, seja o nome dele mesmo.
 
Conheço Léo há um bom tempo. Mais ou menos uns vinte anos, ainda da época do bloco Gula-Gula. Creio que foi ali que ele começou a dar os primeiros passos. Guardo na memória, com as devidas proporções, claro, como o vi pela primeira vez na condição de cantor.
 
Ainda naquele tempo, o ritmo que era forte e que ele fazia era o axé. Por mais incrível que pareça, forró era uma coisa meio cafona e interiorana, mas ainda até do que hoje, mas com menos glamour.
 
Pois bem, Léo começou a fazer sua carreira artística naquela época, fazendo pequenas festas de blocos -- tocando axé, diga-se de passagem. Mais precisamente nos sambões do bloco Gula-Gula. Daí surge o seu primeiro produto de sucesso: a Colher de Pau.
 
Mas como tudo na vida muda, certo dia o mundo virou e surgiu o forró da Estakazero. Lembro tanto desse momento que até hoje sempre que encontro com ele recordo. No Parque de Exposições naqueles dias acontecia a Feira dos Municípios. Não lembro se tinha algum produto lá ou tinha ido pegar algo, mas o certo é que esbarrei com Léo de passagem pelo parque e perguntei pela banda, no caso da Colher de Pau, quando o mesmo me contou que estava começando tudo do zero. À noite, o vi se apresentando no coreto do parque, pois tocar ali era importante para os planos dele. Interessante nisso tudo foi que a banda tocou em um coreto, umas sete da noite, para quase ninguém, e disso nunca vou esquecer, pois me marcou bastante ver um cara que já estava com a vida pronta com a banda anterior começar tudo de novo, na maior vontade, como se fosse a primeira vez.
 
Léo é um cara diferente dos artistas do mercado. Posso até dizer que ele é uma anti-artista. Sem badalações, sem produções mirabolantes, sem se esconder e se anular de uma vida normal, Léo entende que ser artista é estar artista. Sabe perfeitamente que o que se é de verdade é gente, e por isso não se permite nem aos que o cercam pensar diferente.
 
Mesmo tendo hoje a regalia permitida somente às grandes estrelas da música, não se coloca nessa posição em momento algum. Mantendo sempre os pés no chão, enxerga na música uma profissão, de onde se tira o pão, e somente isso.
 
Não vou dizer que ele (Léo) seja um cara fácil. Os anos e o sucesso trouxeram para ele a maturidade de falar o que pensa. Mesmo que isso traga em algum momento mais malefícios do que benefícios, nada deixa de ser dito.
 
Pois esse cara hoje tem o meu respeito, pelo que ele criou e pela forma com que as coisas aconteceram. Vi, nos meus anos de estrada, a ralação do recomeço da carreira dele e vi uma visão do mercado que pouca gente teve. Não é à toa que alguns dos outros sucessos desse mercado universitário surgiram dele como: Tio Barnabé, e Cangaia de Jegue.
 
Pois esse ano, não diferente de anos anteriores, Léo e sua Estakazero estarão na estrada, ou já estão a uma altura dessas. Espero, em minhas andanças pelo interior, encontrar em alguma cidade dessas com eles, ao menos com tanto forró de fora e agora de sertanejo de calça colada e cara de metrosexual vou ver mais um sucesso do meu estado, genuinamente baiano.
 
Luis Ganem 
Twitter@luis_ganem