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Coluna

Mora bicho !

Por Luis Ganem


 

Uma coisa eu vou dizer: nessa terra que em se plantando tudo dá, nem tudo que se colocar como certo fica certo no final. Não entendeu? Eu explico: agora, passado mais de dois meses do fim do carnaval, é que vemos o que se deu, e ai é que podemos dizer que o carnaval é uma festa e tanto, viu?
 
Tinha tudo para dar errado. De greve da Polícia Militar, à falta de patrocínio. Até artista irritado com homenagem de empresa de camarote usando sua marca, tudo que passou no carnaval no fim das contas acabou dando certo. Mesmo os donos de blocos e camarotes tendo espalhado para meio mundo que não tinham ganho dinheiro neste carnaval, está aí como esse carnaval foi bom até pra isso: mentir com convicção. Nunca foi tão facil (risos!), como no caso de alguns donos ou empresários carnavalescos.
 
Mas passado o carnaval, veio a polêmica que correu meio mundo, e já vinha criando, em tese, um monte de desatino interior afora: a Lei Anti-baixaria. Que para quem não lembra ou esqueceu, trata-se da não contratação pelo Governo do Estado de bandas que denigram a imagem da mulher.
 
Pois essa polêmica, ficou martelando a cabeça das pessoas até o dia de ser votada e, quando enfim veio a votação, PIMBA! Todos os favoráveis à lei saíram comemorando, e aqueles que viam nela uma afronta ao direito de ir e vir, ou de ter a garantia à livre expressão, exercida na sua plena forma, saíram revoltados e até desgostosos com o fim desfavorável da história.
 
Mas, de forma concreta, o que tem acontecido com a lei? Como ela tem sido aplicada nos eventos oficiais do governo, e como isso tem sido fiscalizado pelas autoridades competentes? Olha, sinceramente, o que ouço das bandas que se enquadram nessa lei é que não mudou quase nada. Digo quase nada porque ouço dizer que algumas cidades vão aderir de forma espontânea a lei, fazendo com que nas suas cidades esse tipo de musica não toque.
 
Mas como diria um amigo meu: eu quero é provas. Até porque, caro leitor, para quem não sabe, no interior  a casa do prefeito é na cidade, e por ser normalmente do lado da casa do eleitor, que quase sempre ou toma um pinga ou uma cerveja com ele no bar, torna a relação musical com o seu eleitorado um pouco mais complexa do que simplesmente uma lei criada para combater o “crime” da liberdade de expressão.
 
E digo mais, em ano de eleição, estou de camarote esperando o primeiro prefeito candidato a reeleição, ou fazendo um sucessor, se pronunciando e apoiando, ou executando de forma solidária, essa lei no município que comanda, indo de encontro à população.
 
Até porque, o que esqueceram de perguntar (e se o fizeram, acredito eu, foi a um grão de areia da população que não gosta nem de pagode, nem de axé, nem de nada) foi: "Você concorda com a lei anti-baixaria?"
 
E digo mais, se o interior servir como parâmetro e formos contar como referência a quantidade de carros particulares com a tampa da mala do fundo aberta tocando o “proibidão do pagode” (risos!), a lei no interior, não pegou e ao que parece não vai pegar.
 
Afinal até o Rei Roberto um dia reclamou, dizendo que: Restam meus botões...
Já não sei mais o que é certo //
E como vou saber
// O que eu devo fazer
// Que culpa tenho eu //
Me diga amigo meu //
Será que tudo o que eu gosto
É illegal // é imoral ou engorda.
 
 
Mora bicho !!
 

Luis Ganem
[email protected] / twitter @luisganem