Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Opinião: Números de Flávio Bolsonaro viram um problema para “direita limpinha” e ACM Neto

Por Fernando Duarte

Opinião: Números de Flávio Bolsonaro viram um problema para “direita limpinha” e ACM Neto
Fotos: Edilson Rodrigues/ Max Haack

Ainda que parte da direita brasileira celebre que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha aparecido bem em sondagens de opinião para a Presidência da República, na Bahia qualquer consolidação do filho de Jair Bolsonaro como único candidato viável desse estrato político preocupa ACM Neto (União). Pesquisas quantitativas e qualitativas apontam que a associação com o clã Bolsonaro torna um candidato pesado demais para enfrentar a tendência lulopetista observada na Bahia desde 2002.

 

Há quatro anos, ACM Neto optou por não se comprometer na corrida pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, fingiu apoiar a candidatura do próprio partido, de Soraya Thronicke, enquanto, no segundo turno, dava indícios de ser não ser a favor de um novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva ao mesmo tempo em que mantinha distanciamento regulamentar de Bolsonaro. Permaneceu em cima do muro, apesar dos adversários o colocarem dia sim e outro também como bolsonarista de carteirinha – o que, frisemos, nunca foi um fato.

 

Para essa “direita limpinha”, o cenário ideal era que Bolsonaro e sua estirpe fossem afastados da cena política. Até o final do ano passado, quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ainda flertava com a candidatura a presidente, tudo parceria bem. Porém, sabedor que perderia ascendência sobre um orbe que segue a família independente de qualquer coisa, Jair fez uma opção, da prisão, de lançar o filho mais velho como sucessor do legado familiar. A história do bolsonarismo, então, passa a ser reescrita com uma versão mais leve e menos densa, como uma pitada de moderação que inexistiu desde 2018.

 

Agora, com Flávio se mostrando competitivo eleitoralmente, esse grupo político precisa traçar um cenário em que existe uma alternativa da direita que não passe pelo clã fluminense – especialmente no Nordeste, onde Lula e as políticas com perspectiva social adotadas fazem diferença no dia a dia da população. Para ACM Neto, essa possibilidade seria a candidatura do PSD, seja com o ex-correligionário Ronaldo Caiado, seja com nomes tão menos expressivos eleitoralmente quanto, como Ratinho Jr. e Eduardo Leite.

 

Contudo os números apresentados até aqui pelos nomes do partido de Gilberto Kassab mostram que não vai ser fácil manter uma candidatura até o fim, principalmente se o capital financeiro fizer uma opção clara por Flávio Bolsonaro – ou mesmo por Lula, dado que a perspectiva de vitória move montanhas para interesses econômicos. Caso Kassab e a turma da terceira via siga com viabilidade excessivamente questionável, a eleição nacional tende a manter a polarização vista nos dois últimos pleitos, com a possibilidade até de uma decisão em um único turno (improvável, convenhamos).

 

A oposição na Bahia precisa de uma candidatura de direita que não seja bolsonarista para chamar de sua para tentar lidar com a força de Lula já consolidada por essas bandas. ACM Neto sabe disso e não deixa de trabalhar para que haja uma alternativa que o permita criticar os governos petistas sem o jogar integralmente para o lado de Flávio Bolsonaro. Além, é claro, de resistir à pressão que o PL vai fazer para que a dobradinha entre a candidatura dele e Flávio exista na campanha. Sob o risco de entrar na disputa com sérios problemas para ele próprio se manter viável.