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Opinião: Daniela Mercury, o Pôr-do-Som e a guerrilha política e cultural entre Bruno Reis e Jerônimo Rodrigues

Por Fernando Duarte

Opinião: Daniela Mercury, o Pôr-do-Som e a guerrilha política e cultural entre Bruno Reis e Jerônimo Rodrigues
Foto: Luis Vasconcelos/ Bahia Notícias

A arte e a cultura sempre foram instrumentos políticos. Seja por meio de protestos, seja por meio da contestação. Seja até mesmo pela politização de um projeto, como foi o caso do Pôr-do-Som, realizado há alguns bons anos por Daniela Mercury em Salvador no dia 1º de janeiro. O próximo, possivelmente, será o mais político dos últimos anos, incluindo aí o período em que a cantora fez campanha aberta a favor de Luiz Inácio Lula da Silva e contra Jair Bolsonaro. Nas entrelinhas do evento, apresentado neste sábado (21), Daniela fez um movimento pró-governo da Bahia e contra a prefeitura de Salvador.

 

Vamos contextualizar um pouco para entender o que aconteceu. Ao anunciar as datas do Festival Virada Salvador, a prefeitura de Salvador retirou a programação que tradicionalmente acontecia no primeiro dia do ano. E, como numa provocação, retirou o nome "Arena Daniela Mercury" do local do evento. Os motivos foram dados e até fizeram sentido: a adesão menor do público não justificava o alto investimento para manter a estrutura e uma recomendação do Ministério Público sugerindo que fossem retiradas homenagens a pessoas vivas. Pode ter faltado combinar com Daniela, que sempre fora complexa nas relações institucionais e, por vezes, reclamou muito sobre pequenas coisas. Porém essa falha da prefeitura gerou o ruído perfeito para a Rainha do Axé se tornar uma franco-atiradora contra Bruno Reis.

 

Nos bastidores, todavia, a gestão municipal tentou contornar o clima. Prometeu contratar Daniela com o cachê do Carnaval - tradicionalmente maior que o do Festival Virada Salvador -, desde que a cantora arcasse com a logística para montar a estrutura de iluminação, palco, etc. Mesmo o nome da arena, que se tornou outro ponto de discórdia, foi rebatizado para "O Canto da Cidade", em uma homenagem indireta a Daniela. Ou seja, houve o esforço por parte de Bruno Reis e sua equipe para evitar mais celeumas.

 

Eis que, enquanto isso, sabia-se que a própria Daniela tinha iniciado negociações para que o governo da Bahia, controlado pelo petista Jerônimo Rodrigues, adversário político do grupo que comanda a prefeitura de Salvador, para que o Pôr-do-Som fosse bancado pelo estado. À boca pequena, figuras ligadas ao prefeito reclamavam dessa tentativa de Daniela tentar ganhar dinheiro dos dois lados. Todavia, pretendiam fazer vista grossa, desde que ficasse explícito que a prefeitura também arcaria com a contratação da artista. Ou seja, o protagonismo da gestão municipal nos eventos de virada do ano seria compartilhado com o governo da Bahia sem grandes entraves.

 

Entretanto, o governo baiano viu nesse episódio a chance de atrair atenções para a gestão cultural, que tem sido discreta até demais para uma administração de esquerda. Mesmo que as críticas ao modelo ACM Neto e Bruno Reis de festas seja frequente a todo e qualquer aliado dos petistas, Bruno Monteiro surgiu como o benfeitor que Daniela precisava para não quebrar a tradição do dia 1º de janeiro. Foi a combinação perfeita para que Daniela alinhasse o posicionamento político-ideológico dela e, de quebra, permitisse que Jerônimo Rodrigues conquistasse um espacinho na mídia quando a prefeitura de Salvador sempre nada de braçadas. Ainda não ficou claro se a prefeitura vai cumprir a promessa de contratar Daniela Mercury. O anúncio do Pôr-do-Som com a marca exclusiva do Governo da Bahia dá sinais de que a cantora preferiu escolher um lado. E deverá arcar com as consequências disso. Com a direito a espernear caso isso venha a acontecer ou se, por ventura, a gestão soteropolitana reduzir as oportunidades de contratação dela. A Rainha, no entanto, não deve perder a majestade - ou a pose.