Edílson relembra “brincadeira” com tiros na concentração do Vitória em 2004
Ex-atacante do Vitória e campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002, Edílson “Capetinha” relembrou, em entrevista publicada pelo ge nesta quinta-feira (24), um dos episódios mais inusitados de sua passagem pelo clube. Em 2004, antes de uma partida contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, o jogador chegou armado à concentração do Rubro-Negro e, “de brincadeira”, efetuou diversos disparos para o alto para assustar os companheiros, o técnico Evaristo de Macedo e o então presidente do Vitória, Paulo Carneiro.
O episódio aconteceu após a concentração do Vitória ser assaltada na quinta-feira anterior ao jogo. Segundo Edílson, os criminosos chegaram a perguntar por ele durante a ação, mas foram informados de que o atacante não estava no local. No dia seguinte, durante o treinamento, ele ficou sabendo do ocorrido por Obina.
Por causa do assalto, Edílson não queria passar a noite na concentração antes do duelo com o São Paulo. O atacante chegou a avisar Evaristo de Macedo que não iria ao local, mas ouviu do treinador que, caso não concentrasse, não disputaria a partida. Edílson, então, afirmou que quem decidiria sua escalação seria Paulo Carneiro.
“Foi uma brincadeira sem graça que virou uma coisa enorme. A concentração do Vitória tinha sido assaltada numa quinta-feira. Era a época dos tênis Nike 12 molas, que valiam para caramba. Os assaltantes perguntaram por mim: ‘cadê o Capetinha?’. Como eu era o principal jogador, queriam saber de mim”, contou.
Edílson não foi à concentração na sexta-feira e, no sábado, recebeu uma mensagem de Paulo Carneiro. O então presidente garantiu que o atacante jogaria e pediu que ele fosse ao local às 19h, para o jantar. Edílson, porém, decidiu chegar apenas mais tarde, por volta das 22h30, para o lanche.
Ao chegar, encontrou Evaristo, Paulo Carneiro e alguns jogadores conversando perto da piscina. Foi quando decidiu fazer uma “brincadeira” com os presentes. Na época, Edílson tinha porte de arma e andava armado.
“Pensei: ‘vou dar um susto nos caras’. A pista da concentração era de barro e brita. Imagina, a concentração tinha sido assaltada um dia antes! Cheguei no estacionamento, puxei o freio de mão e dei um cavalo de pau. Poeira para todo lado. Baixei o vidro e dei um monte de tiro para cima”, relembrou.
A reação foi imediata. Segundo Edílson, Paulo Carneiro se jogou na piscina, enquanto outras pessoas correram para se esconder. O atacante, por sua vez, foi para o quarto e trancou a porta. Pouco depois, foi chamado para uma reunião com Evaristo e Paulo Carneiro.
A conversa terminou em discussão entre o jogador e o treinador. Segundo Edílson, Evaristo criticou a atitude e fez referência à saída do atacante do Flamengo. Na sequência, houve um empurrão, e o treinador caiu.
“O Evaristo começou a falar um monte de groselha: ‘você é jogador ou bandido? Foi uma brincadeira? Por isso você foi embora do Flamengo, porque é bandido’. Quando começamos a discutir, o presidente tentava acalmar, o Evaristo bateu no meu ombro. Pensei: ‘esse velho vai me dar um soco igual deu no Romário’. Quando me virei, já fui empurrando, e ele caiu”, contou.
Após a confusão, Paulo Carneiro decidiu que Edílson não disputaria a partida contra o São Paulo. Sem o atacante, o Vitória perdeu por 4 a 0, no Barradão. Edílson só voltou aos treinamentos na terça-feira.
Ao relembrar o caso, o ex-jogador reconheceu que a atitude foi inadequada e voltou a pedir desculpas a Evaristo de Macedo.
“Não deveria ter feito aquela brincadeira sem graça, nem ter empurrado o Evaristo para me proteger. Ele foi meu treinador no Corinthians, me ajudou muito, era um cara mais velho que eu tinha que respeitar. Acabei não respeitando, mas já pedi desculpas a ele. Aproveito aqui para pedir desculpas a ele mais uma vez”, concluiu.
