Walter Seijo sobre caminhada do Vitória para se tornar um clube de massa: "Time do Povão"
Walter Seijo, ex-vice-presidente do Esporte Clube Vitória concedeu entrevista na noite desta segunda-feira (10), ao Podcast BN na Bola, nos estúdios do Bahia Notícias e falou sobre o abraço que o povo da região de Canabrava deu ao clube e como isso foi importante para o rubro-negro se tornar um clube de massa.
"A primeira coisa a se dizer do Vitória é que o Vitória é um clube criado por abolicionistas. Quando o Brasil era um país racista, o Vitória era um clube abolicionista. No Fluminense o negro não entrava pela frente, e sim pelo fundo. Conversando com pessoas do movimento negro, falamos sobre isso. Artêmio [Valente] foi o primeiro presidente e a avenida tem o nome dele. O Estádio tem o nome de Manoel Barradas e todo o complexo tem o nome de Benedito Dourado da Luz, que é o homem que fez o marco zero do Vitória. No último dia 30, o Vitória fez uma homenagem à família, o presidente inaugurou um equipamento espetacular e fez a homenagem a família. Eu disse: 'presidente, parabéns pelo que você fez, mas se não fosse Benedito, você não tinha feito'", disse.
"Benedito foi quem teve a visão de levar o Vitória para aquele fim de mundo [canabrava], ali só existiam chácaras. Aí veio o lixo, que foi maravilhoso. Foi Deus que fez aquele lixo para a gente. Porque você tinha um buraco de 50 metros, hoje você tem uma área de 30 mil metros quadrados plana. Se não fosse o lixo, você não tinha o estacionamento, não tinha CT da base, não tinha nada. No Japão, eles usam o lixo para fazer campos de golf. O lixo é uma benécie. O lixo acabou, já decomôs todo e estamos fazendo um aterro em cima do plástico, maravilhoso", completou.
"O nome daquele bairro não é mais Canabrava, é Bairro de Nossa Senhora da Vitória. E quem viu o documentário de Zé Raimundo depois do título, ele conta: O Vitória mudou aquela região. Levou água, levou energia, levou dignidade, levou escola, tirou lixo... Em volta do Vitória mora 1 milhão de pessoas. E o Vitória que era o clube do barão, virou o clube do povão, compare os preços entre o Barradão e a Fonte Nova. Hoje, o Barradão é um estádio que acolhe o povo", continuou.
"O Vitória antigamente não tinha torcida, tinha torcedores. Hoje o clube tem torcida, é uma massa monumental. Abraçou o clube. E está previsto aumentar as arquibancadas e encostar no prédio. Daqui a dez anos o Vitória será um mega clube", finalizou.
