Quinta, 14 de Setembro de 2017 - 00:00

Vitória e CRB esperam da CBF reconhecimento de títulos nordestinos da década de 70

por Matheus Caldas / Glauber Guerra

Vitória e CRB esperam da CBF reconhecimento de títulos nordestinos da década de 70
Gordilho terá reunião com a CBF sobre o caso | Foto: Glauber Guerra / BN

Na última semana, Bahia e Vitória conheceram seus adversários na fase de grupos da Copa do Nordeste 2018 (leia mais aqui). No entanto, o Rubro-negro ainda espera a definição de um campeonato que conquistou há 41 anos: o Torneio José Américo de Almeida Filho de 1976, considerada a segunda edição do Nordestão pela Liga do Nordeste. O clube baiano coloca o título como um de seus cinco nordestinos, e a entidade regional endossa este discurso. No entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) analisa desde 2014 a possibilidade de chancelar esse troféu, juntamente ao de 1975, quando o CRB-AL se sagrou campeão.

Há incongruências em relação ao reconhecimento ou não dos títulos do CRB e do Vitória. Em seu guia oficial, a CBF coloca o título na galeria rubro-negra, mas não cita a conquista alagoana. Contudo, nunca houve uma resposta conclusiva sobre o caso. Por isso, desde 2014 há a tentativa de oficialização do José Américo de Almeida Filho como Copa do Nordeste, por parte da Liga, que enviou uma lista de campeões regionais à entidade nacional.

O responsável pelo encaminhamento dessa pauta à CBF é o presidente da Liga Nordeste e ex-mandatário do Vitória, Alexi Portela. Ele foi procurado pela reportagem do Bahia Notícias em maio e revelou ainda não ter recebido resposta da confederação em relação à oficialização das duas primeiras edições do torneio regional. Na última terça-feira (12), novamente contactado pelo BN, ele manteve o discurso e garantiu que retomará as conversas para que a situação seja resolvida até o final deste ano. “Na visão da Liga, esses dois são campeões nordestinos”, resumiu. “Eu não sei realmente o que eles estão analisando. Não tem nenhum tipo de ideia de qual a espera deles, se é algo jurídico”, questionou.


Flu de Feira 1x3 Vitória em 1976 | Foto: Acervo Galdino Silva



Em maio, a reportagem do site também procurou a CBF para saber do andamento da análise. Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o diretor de competições da entidade, Manoel Flores, admitiu que pode haver uma demora ainda maior para esta decisão. “Está em análise e não tem prazo para essa definição. Embora esteja sendo analisado. Tem que ser analisado bem, porque havia clube de fora do Nordeste”, explicou. Procurada também na última terça-feira, a organização máxima do futebol nacional manteve o discurso e disse que nada mudou.
 

O clube de fora da região ao qual Flores se refere é o Volta Redonda-RJ, único “intruso” das duas edições, que esteve em 1976, convidado pela organização da competição. Os cariocas doram derrotados por 3 a 1 pelo Vitória no dia 5 de dezembro. Ainda houve uma partida cancelada entre Fluminense de Feira e Volta Redonda, que nunca foi remarcada.

Vitória conversará com a CBF
Assim como a Liga do Nordeste, o Vitória se considera pentacampeão nordestino. Assim, 1976 seria o primeiro título regional rubro-negro, diferentemente do que diz a CBF, que considera apenas 1997, 1999, 2003 e 2010. Além do clube citar a conquista em seu site oficial, o presidente em exercício, Agenor Gordilho, reitera a consideração por esse troféu e diz que terá um encontro ainda neste mês com a confederação. “Vamos reivindicar o reconhecimento do nosso primeiro título da Copa do Nordeste. É um título importante e o presidente Alexi vai lutar para ser reconhecido. A CBF vai reconhecer esse título", garante.

CRB bate pé firme
Em contato com o BN, o presidente do CRB, Marcos Barbosa, diz que também aguarda o reconhecimento do título de 1975, o que daria ao clube alagoano a marca de primeiro campeão nordestino. “O Clube de Regatas Brasil (CRB) teve a honra de disputar e conquistar a Copa do Nordeste de 1975. Equipes da grandeza de um ABC, América-RN e Botafogo-PB foram algumas das forças que abrilhantaram a competição naquele ano. Solicitamos o reconhecimento do título e aguardamos, ansiosamente, pela homologação da CBF”, ressalta. 

Contudo, apesar da demora da resposta, Barbosa crê que a entidade nacional vem sendo parceira da agremiação nessa discussão. "Sabemos que outras equipes, também, pleiteiam o mesmo reconhecimento e a CBF tem sido muito receptiva na análise de casos como estes”, argumenta.

Por fim, o dirigente também garante que o CRB estará na briga pelo título em 2018. “Toda nação regatiana tem muito orgulho desse título e sonha com a conquista do bicampeonato. Vamos trabalhar muito para que, em 2018, esse sonho seja realizado”, conclui.


Presidente do CRB, Marcos Araújo | Foto: Douglas Araújo / Divulgação 
 


História das primeiras edições:

CRB
As edições de 1975 e 1976 foram uma homenagem ao escritor paraibano José Américo de Almeida Filho, que também dá nome ao Almeidão, estádio mais tradicional de João Pessoa. O certame foi organizado pelo Governo da Paraíba nas duas oportunidades e contemplava clubes que não estavam participando do Campeonato Brasileiro à época.

A edição de 1975 contou apenas com seis clubes: ABC-RN, Potiguar-RN, Auto Esporte-PB, Botafogo-PB, Treze-PB e CRB-AL. Portanto, apenas três dos nove estados da região foram representados. O regulamento previa que o campeão de cada turno se enfrentasse na finalíssima para definir o campeão. 

No primeiro, o Botafogo-PB fez sete pontos e garantiu vaga na final – o CRB fez uma participação aquém e terminou na última colocação, com apenas três pontos. Contudo, na segunda parte houve uma reviravolta. Os alagoanos fizeram sete pontos, bateram os botafoguenses paraibanos no saldo de gols, e conseguiram a vaga na final.

Nos dos jogos finais, repetição de placares: 1 a 1. E, na disputa de pênaltis, os regatianos bateram o Belo por 4 a 3 e levaram o que é considerado pela Liga do Nordeste o primeiro título da região.


Time do CRB campeão em 1975 | Foto: Reprodução / Galo Soberano


Vitória
Em 1976, a competição já foi mais completa. Doze times, de sete dos nove estados da região, fora Maranhão e Piauí, participaram – as duas federações só participaram pela primeira vez do Nordestão em 2015. Na ocasião, além do Rubro-negro, Ypiranga e Fluminense de Feira representaram a Bahia.

O regulamento foi diferente: todos os clubes se enfrentariam em jogos apenas de ida, e os quatro primeiros colocados na pontuação avançariam às semifinais. Segundo colocado geral, com 15 pontos, o Leão baiano ficou atrás apenas do América-RN. O Flu de Feira terminou em oitavo e o Ypiranga em 10º.

Na semifinal, o clube baiano venceu o Botafogo-PB por 2 a 1 e o América despachou o rival ABC nos pênaltis. A final aconteceu dentro da casa dos potiguares, o antigo Machadão, atual Arena das Dunas. O Rubro-negro não tomou conhecimento do Mecão e venceu por 3 a 0, com dois gols de Zé Júlio e outro de Geraldão. Na ocasião, o presidente do Vitória era Alexi Portela, pai do atual mandatário da Liga do Nordeste, Alexi Portela Júnior.

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