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Governo da Bahia contrata consultoria para definir futuro da Fonte Nova após 2028; entenda

Por Thiago Tolentino

Governo da Bahia contrata consultoria para definir futuro da Fonte Nova após 2028; entenda
Foto: Divulgação / Acelen

O Governo da Bahia deu início aos preparativos para definir o futuro da gestão da Arena Fonte Nova após o encerramento da atual Parceria Público-Privada (PPP), previsto para 31 de março de 2028. Em entrevista ao Bahia Notícias nesta terça-feira (20), o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, revelou que o Estado acionou a BahiaInveste para elaborar um diagnóstico e um termo de referência que servirão de base para a estruturação de um novo modelo de administração do equipamento. 

 

A informação surge em meio às discussões sobre o interesse do City Football Group (CFG), controlador da SAF do Bahia, em assumir a gestão do estádio. O assunto voltou a ganhar repercussão após o anúncio da Acelen como nova detentora dos naming rights da Fonte Nova, oficializado na segunda-feira (19).

 

Questionado pelo BN sobre uma possível relação entre o acordo comercial e as pretensões do conglomerado responsável pelo futebol tricolor, Vasconcelos descartou qualquer ligação entre as negociações.

 

"O contrato de naming rights entre a Acelen e a Fonte Nova não tem nenhuma relação com o contrato de parceria público-privada, que vai findar em 2028. É óbvio que, por ser da mesma empresa, a especulação existe", afirmou.

 

A associação entre as empresas ocorre porque a Acelen foi criada pelo Mubadala Capital, grupo que também possui ligação com o City Football Group por meio do executivo Khaldoon Al Mubarak, que preside o Manchester City e o conglomerado de clubes. A companhia do setor energético já havia patrocinado o Bahia nas temporadas de 2022 e 2023.

 

Apesar das conexões empresariais, o secretário assegurou que não existem tratativas recentes com o Grupo City sobre a futura administração da praça esportiva.

 

"Não temos tido nenhum contato recente com o Grupo City sobre o tema. O Governo do Estado vai se preparar no próximo ano. Contratamos uma consultoria do próprio Estado, que é a BahiaInveste, para fazer a elaboração de um diagnóstico, um termo de referência sobre essa parceria público-privada", explicou.

 

Segundo Vasconcelos, o trabalho técnico será fundamental para estabelecer as condições de uma futura licitação. O secretário também destacou que o governo mantém diálogo com a atual concessionária, seus investidores e outros possíveis parceiros, mas ressaltou que a escolha do próximo administrador dependerá de um processo licitatório.

 

"Temos um diálogo com a Arena Fonte Nova e os investidores da Arena, temos conversas com outros parceiros. Evidentemente, tudo isso, no momento adequado, a partir de uma licitação, irá definir quem vai arrematar a gestão da Arena Fonte Nova", declarou.

 

NOVO MODELO DE GESTÃO
Um dos principais pontos apresentados pelo secretário diz respeito à mudança na relação contratual entre o Governo do Estado e o futuro administrador do estádio.

 

De acordo com Vasconcelos, o encerramento da atual PPP representará uma nova etapa para a Fonte Nova, uma vez que o equipamento e suas estruturas passarão integralmente ao Estado. Por isso, a próxima contratação não deverá reproduzir o modelo adotado na parceria vigente.

 

"É óbvio que precisamos definir os parâmetros dessa parceria público-privada, até porque a Bahia fez um investimento importante. A partir de 2028, o estádio, com todos os seus equipamentos, passa a ser integralmente do Estado. Vamos discutir uma gestão do estádio, não exatamente uma parceria nos moldes do que foi feito desde 2011. Estamos falando de um novo momento dessa relação contratual", detalhou.

 

O contrato original de PPP da Fonte Nova foi firmado em janeiro de 2010, durante o governo de Jaques Wagner (PT), com previsão inicial de duração de 35 anos, até 2045.

 

Em outubro de 2021, entretanto, um termo aditivo reduziu o prazo da concessão em 17 anos, antecipando seu encerramento para 2028. A repactuação também alterou as condições financeiras do acordo entre o Estado e a concessionária responsável pelo estádio.

 

Com o fim da atual parceria, o governo terá de estabelecer as regras para a continuidade da operação da arena, incluindo responsabilidades de manutenção, exploração comercial, realização de eventos e utilização esportiva. Vasconcelos afirmou que o objetivo é preservar a relevância do estádio tanto para o futebol quanto para o setor cultural e de entretenimento.

 

"Tenho a convicção de que vamos encontrar o melhor caminho, que seja bom para o Estado da Bahia, para a população baiana, que garanta a Arena Fonte Nova como uma das praças esportivas mais importantes do país e também como um equipamento cultural, voltado para o entretenimento", pontuou.

 

INTERESSE DO GRUPO CITY
Embora o secretário tenha descartado negociações recentes, o interesse do Grupo City na gestão da Fonte Nova já havia sido reconhecido publicamente pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).

 

Em fevereiro deste ano, durante o lançamento da pedra fundamental da City Football Academy Bahia, novo centro de treinamento do Tricolor em Camaçari, o governador confirmou a existência de conversas sobre a possibilidade de o conglomerado assumir a administração da arena.

 

Na ocasião, Jerônimo defendeu um entendimento entre o Governo do Estado, a atual concessionária e o Grupo City para discutir o futuro do equipamento após o encerramento do contrato vigente.

 

O governador também indicou que uma eventual mudança poderia ampliar a participação do Bahia na administração do estádio, sem comprometer sua utilização para shows e outros eventos.

 

BALANÇO FINANCEIRO DA FONTE NOVA
Conforme relatório analisado pelo Bahia Notícias, a Fonte Nova registrou prejuízo de R$ 15,8 milhões em 2025, apesar do crescimento da receita operacional líquida para R$ 89,3 milhões. 

 

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