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Comandante do BEPE explica casos de violência no Ba-Vi e cita presença do tráfico nas torcidas

Por Hugo Araújo

Flávio Farias, comandante do BEPE, em entrevista ao Bahia Notícias no Ar
Foto: Thiago Tolentino/Bahia Notícias

A violência registrada antes e depois do último Ba-Vi, disputado no dia 23 de agosto, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi um dos assuntos abordados pelo comandante do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (BEPE), Flávio Farias, durante participação no Bahia Notícias no Ar nesta quarta-feira (16). Segundo o comandante, a rivalidade entre torcedores e a presença de integrantes ligados ao tráfico de drogas são fatores que contribuem para os episódios de violência relacionados ao futebol.

 

No último Vitória x Bahia, no Barradão, vencido pelo Tricolor por 2 a 0, dois torcedores ligados à Bamor morreram em episódios registrados fora do estádio. José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, foi morto após ser perseguido e atacado na Via Regional. Segundo informações repassadas pela Polícia Militar da Bahia (PM-BA), integrantes da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis teriam participado da ação.

 

Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, também morreu após ser baleado no bairro de Castelo Branco. Familiares relataram que o jovem teria sido atingido enquanto fugia de um ataque atribuído a integrantes de torcida organizada. As circunstâncias dos dois crimes são investigadas pela Polícia Civil da Bahia (PC-BA).

 

Segundo o comandante, a presença de integrantes ligados a facções criminosas no ambiente das torcidas organizadas é uma das preocupações identificadas pelo BEPE. Farias afirmou que esses indivíduos nem sempre estariam formalmente cadastrados nas torcidas, mas utilizariam as camisas para facilitar a participação nos confrontos.

 

"Nós sempre nos perguntamos quem está por trás dessas agressões. Existem variantes em relação a isso, mas detectamos que têm entrado integrantes de facções, não diretamente cadastrados nas torcidas organizadas, mas fazendo uso das camisas pela facilidade de compra que existe. Eles fazem uso dessas camisas para cometer agressões contra o público que, inclusive, se dirige ao estádio", declarou.

 

Flávio Farias afirmou que os episódios de maior gravidade costumam acontecer em bairros e vias de acesso mais distantes dos locais das partidas. Segundo ele, o policiamento realizado no entorno e no interior dos estádios tem apresentado resultados positivos.

 

"No último Ba-Vi, essas questões de violência vieram à tona de forma mais forte. Eu sempre digo que vamos muito bem no entorno do estádio e, no interior, não temos tido ocorrências de grande vulto. Essas ocorrências são registradas nos bairros ou nas vias de acesso mais distantes do próprio local do evento", explicou.

 

 

Ao falar sobre a mudança no comportamento das torcidas ao longo dos anos e a atual recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que recomenda a realização de Ba-Vis com torcida única, o comandante do BEPE lembrou que já presenciou um período em que torcedores rivais frequentavam os estádios simultaneamente e classificou o cenário atual como uma "escalada de violência".

 

"Eu tenho 55 anos e 34 na corporação, e vivi aquele tempo de duas torcidas no estádio. Nós íamos juntos, confraternizando, e era um clima de paz e tranquilidade. O que vemos hoje é uma escalada de violência, não só no futebol, mas também de problemas que acabaram chegando ao futebol, como o tráfico de drogas", afirmou.

 

Farias também comparou o policiamento realizado durante o Carnaval com a atuação em partidas de futebol e destacou que os eventos envolvem comportamentos distintos por parte do público.

 

"As pessoas sempre me perguntam por que a Polícia Militar da Bahia faz um excelente Carnaval e, quando chega ao futebol, temos uma ou outra divergência na questão da segurança. O Carnaval mexe com um tipo de emoção muito diferente. Quem vai aos estádios vivencia uma emoção de rivalidade e, com a utilização de alguns produtos, lícitos ou ilícitos, essa emoção pode levar a situações de agressão", afirmou.

 

Além das duas mortes, o último Ba-Vi também foi marcado por episódios de vandalismo contra ônibus do transporte coletivo. A Secretaria Municipal de Mobilidade registrou três ocorrências nos bairros de Pernambués, Pirajá e Plataforma. Em uma delas, um motorista ficou ferido após um rojão atingir o para-brisa do veículo.

 

Vídeos divulgados nas redes sociais também registraram confrontos entre supostos integrantes das duas torcidas organizadas, com grupos correndo pelas ruas e explosões durante as confusões.

 

A recomendação de torcida única nos Ba-Vis foi adotada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) em abril de 2017. A medida foi suspensa em fevereiro de 2018, quando os clássicos voltaram a contar com torcedores de Bahia e Vitória. Após uma confusão generalizada no confronto que ficou conhecido como "Ba-Vi da Paz", o MP-BA voltou a recomendar a presença de apenas uma torcida nos clássicos.