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Felipe Sales, diretor do Jacuipense, projeta SAF e mira Brasileirão Série B em cinco anos: “Potencializar o clube”

Por Carlos Matos

Felipe Sales, diretor do Jacuipense, projeta SAF e mira Brasileirão Série B em cinco anos: “Potencializar o clube”
Foto: Lucas Pena/EC Jacuipense

O clube natural de Riachão de Jacuípe, o Jacuipense, está pronto para dar um próximo passo no cenário do futebol baiano. Tudo indica que o Leão do Sisal será o mais novo time a aderir o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no estado. Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, o dirigente Felipe Sales revelou que a diretoria do Jacupa está se estruturando para adotar o molde de clube-empresas.

 

Pessoa ativa no Esporte Clube Jacuipense há pelo menos 16 anos, Felipe Sales já passou por três mandatos de presidente do clube e hoje lidera a  presidência do conselho deliberativo. Para ele, a SAF surgiu como uma possibilidade, e após cinco anos de aprovação, o modelo deixa de ser hipótese e passa a ser uma escolha.

 

“Há quinze dias, eu sentei com nosso advogado, doutor Rafael Frank, e começamos a pensar de maneira mais efetiva. Algo como: ‘Poxa, já está na hora da gente realmente começar a desenhar um projeto de SAF e potencializar o Jacuipense, que já é um projeto de sucesso’. Então já começamos a desenhar, está com nosso jurídico”, revelou.

 

A Sociedade Anônima do Futebol, que foi instituída no Brasil pela Lei nº 14.193, foi sancionada em 6 de agosto de 2021. A legislação criou regras específicas para a constituição, governança, financiamento e tratamento de passivos dos clubes que adotam o modelo empresarial. A SAF pode ser constituída, entre outras formas, pela transformação de um clube ou pela separação da atividade futebolística em uma nova empresa. 

 

“A gente já vem discutindo isso há algum tempo. Quando se iniciou essa onda, quando se tinha um projeto de lei para ainda ser votado na Câmara dos Deputados, já tínhamos imaginado que isso poderia ser positivo para a gente também. Eu pensei: ‘se for aprovado e percebermos experiências positivas, podemos surfar nessa onda’”, disse Felipe.

 

Até a publicação desta matéria, o território baiano já tem onze equipes que adotaram a SAF. Em diferentes formatos, existem times que passaram por compra majoritária como é o caso de Bahia (Grupo City), Atlético de Alagoinhas (TLS Sports) e Fluminense de Feira (Core3), outros que já nasceram como clube-empresa como é o contexto do Porto Sport Club, SSA FC, Industrial e Sakai. Ypiranga e Conquista FC fazem parte da Squadra Sports, uma plataforma multiclubes que é gerida por Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia.

 

Galícia e Itabuna são SAF’s que não possuem um grupo investidor, mas pessoas que fazem investimento. O Dragão do Sul era ligado ao Grupo Amoedo, de Leonardo Amoedo, mas as partes finalizaram o vínculo em outubro de 2023. No caso do Clube Granadeiro, João Ricardo de Oliveira é o responsável pelos maiores aportes.

 

“Chega um determinado momento em que começamos a perceber que todo mundo está começando a virar SAF e isso pode ser importante para a gente atrair outros tipos de parceiros para fortalecer ainda mais o projeto”, definiu o dirigente.

 

Felipe Sales durante entrevista | Foto: Igor Barreto/Bahia Notícias

 

SÉRIE B EM CINCO ANOS
A perspectiva de aderir ao modelo de SAF está diretamente relacionada ao planejamento esportivo do clube. Sales afirmou que o Jacuipense trabalha com a meta de alcançar a Série B do Campeonato Brasileiro dentro de um ciclo de cinco anos.

 

“Como falei, isso é uma forma de tentar colocar o clube em uma série melhor do que ele está hoje. Dentro daquilo que a gente imagina, quem sabe o Jacupa chegar numa Série B daqui cinco anos. Esse é o nosso planejamento. Mas, para que isso possa ser acelerado, a gente precisa de um projeto de SAF”.

 

O dirigente, no entanto, reconhece que a distância entre o objetivo e a realidade financeira do futebol brasileiro representa um desafio. Ao citar clubes do interior paulista, como Novorizontino e São Bernardo, Felipe Sales apontou a necessidade de ampliar a capacidade de investimento do projeto.

 

“Enxergo como possível. Mas, para chegarmos em prateleiras que clubes como Novorizontino ou São Bernardo chegaram, é um pouco mais complicado. Até por estarmos no Nordeste, na Bahia, onde o empresariado tem pouco essa visão de investir no futebol, ter o futebol realmente como um negócio. Alguns até têm vontade, mas condição são poucos”, ressaltou.

 

A prioridade imediata será buscar o acesso à Série C. Paralelamente, a diretoria pretende estruturar o projeto de SAF e ampliar a procura por parceiros e investidores capazes de acelerar o crescimento esportivo.

 

“Hoje a gente prefere pensar passo a passo. O nosso projeto para 2027, mais do que foi em 2026, é conquistar o acesso para a Série C e vamos fazer um investimento nesse sentido”.

 

A ambição, porém, vai além da próxima temporada. Para Felipe Sales, o planejamento de médio prazo aponta para uma meta ainda maior.

 

“Sonhamos e almejamos uma Série B do Campeonato Brasileiro. Vamos trabalhar e esse projeto reinicia agora em 2027. É um planejamento fazer do Jacuipense um clube de Série B nos próximos cinco anos”, finalizou.

 

VISITA DE DIRIGENTES DO CATAR
Em setembro de 2025, o clube recebeu, no Estádio de Pituaçu, Ahmed Abbassi, CEO da Qatar Stars League, liga profissional de futebol do Catar. Ele esteve acompanhado de Leandro Silva, representante da Talents Sports, e foi recebido pela diretoria do Leão do Sisal durante partidas das categorias Sub-15 e Sub-17 do Campeonato Baiano.

 

A princípio, a visita tinha como objetivo acompanhar jovens atletas revelados pelo Jacuipense, estreitar relações institucionais e discutir possibilidades de intercâmbio e futuras colaborações esportivas.

 

O ano de 2026 demonstra que o Jacuipense busca uma nova prateleira. Para além de ter parado na semifinal do Baiano após perder nos pênaltis para o Vitória, a temporada representa a 14ª participação consecutiva do clube na elite do futebol estadual. Na Copa do Nordeste a campanha foi modesta, e na Série D, o Leão do Sisal parou na primeira fase mata-mata, mas o desempenho na Copa do Brasil, que só foi interrompido pelo Palmeiras na quinta fase, deixa claro que o time de Riachão do Jacuípe olha para o futuro.