Concacaf se junta à Uefa e vai contra a Fifa em proposta de venda de direitos comerciais
Por Sara Santos
A Concacaf se juntou à UEFA e se posicionou contra a proposta da Federação Internacional de Futebol (FIFA) de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições. Em comunicado oficial divulgado na tarde desta quinta-feira (30), a entidade máxima do futebol norte-americano, central e caribenho afirmou que o futebol deve vir em primeiro lugar.
“A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, na qual o futebol vem em primeiro lugar. Guiados por essa filosofia, ao longo dos últimos dez anos construímos, desde a base, uma organização fundada no serviço, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo”, escreveu.
Segundo a organização, a história mostrou à Fifa e à família do futebol o que acontece quando os responsáveis pelo esporte perdem de vista esses valores.
A decisão de rejeitar a proposta foi definida após uma reunião dos presidentes de suas 41 associações-membro, juntamente com seu presidente, membros do Conselho e integrantes do Conselho da Fifa, para discutir o projeto desenvolvido e apresentado pelo presidente da entidade para estabelecer a Fifa Forward Enterprise.
“Durante a reunião, os membros expressaram profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos de governança relevantes da Fifa. Além disso, questionou-se a necessidade de investimento de capital privado para financiar os programas FIFA Forward, novos e existentes, após a Copa do Mundo da Fifa mais lucrativa da história”, explicou.
Segundo a Concacaf, a discussão reforçou a necessidade de maior transparência e governança adequada. “A Concacaf reafirma que o futuro do futebol, e seu maior patrimônio, deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol”, finalizou.
Apesar de se posicionar contra, a Concacaf não afirmou que irá boicotar as competições da Fifa, como fez a Uefa.
Apesar disso, recomendou que os membros da entidade que integram o Conselho da Fifa dialoguem com a Federação e que instruam Gianni Infantino, presidente da organização, a seguir os processos de governança adequados, por meio da equipe e do Conselho, seguindo os Estatutos da Fifa.
Na última quarta-feira (29), Infantino defendeu a proposta e afirmou que o tema será submetido à votação das associações-membro e também passará pela análise do Conselho da entidade.
Segundo o presidente, a venda de participação na nova empresa permitiria elevar o repasse financeiro destinado às federações nacionais de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões. A expectativa da Fifa é arrecadar US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões) com a operação.
UEFA PUXOU O BOICOTE
A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) foi a primeira entidade a se posicionar contra a proposta de Infantino. Nesta quinta-feira, a organização anunciou que as 55 federações filiadas à entidade irão boicotar todas as competições organizadas pela FIFA caso avance a proposta de criação de uma empresa privada para administrar os torneios da entidade e negociar participação com investidores.
