Técnico do Irã critica restrições impostas à seleção durante a Copa do Mundo: "Fomos o time mais agredido"
Por Redação
O técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, criticou as condições enfrentadas pela equipe durante a disputa da Copa do Mundo de 2026. Após o empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia, na estreia do torneio, o treinador fez um desabafo diante do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que visitou o vestiário da equipe em Los Angeles, nos Estados Unidos, na segunda-feira (15).
Em discurso realizado após uma fala de solidariedade de Infantino aos jogadores iranianos, Ghalenoei afirmou que a delegação tem sido prejudicada por restrições impostas em razão do conflito entre Irã e Estados Unidos. Segundo ele, as limitações afetaram diretamente a preparação da equipe para o Mundial.
"Eu sei o quanto foi difícil para nós estarmos aqui. Quero falar sobre o ponto de vista humano. Nós fomos o time mais agredido na Copa do Mundo, por causa das condições e do efeito que criaram para nós, e isso foi uma injustiça para este time. Precisávamos ter vindo para cá com pelo menos duas semanas, dada a distância entre o Irã e aqui, que é de dez horas e meia. Mas eles tiraram isso de nós. Eles não queriam nem que nós viéssemos para cá dois dias antes", declarou o treinador em vídeo divulgado pela agência iraniana Tasnim.
Por conta das restrições de entrada nos Estados Unidos, a seleção do Irã está baseada em Tijuana, no México. A equipe recebe autorização para ingressar em território americano apenas na véspera das partidas e precisa retornar ao país vizinho logo após os jogos.
De acordo com Ghalenoei, a logística imposta à delegação também comprometeu a recuperação física dos atletas. O treinador citou ainda problemas enfrentados no retorno após a estreia, quando o capitão da equipe e um integrante da comissão técnica foram retidos em um aeroporto.
"Essa é outra injustiça que fizeram conosco. Nós precisamos nos recuperar após o jogo, mas eles nos forçaram a entrar no avião e voltar, e isso atrapalhou a recuperação por alguns dias para o nosso próximo jogo. É por isso que nós somos talvez o time mais agredido da história da Copa do Mundo", afirmou.
O pronunciamento foi traduzido do persa para o inglês para que Infantino e outros representantes da Fifa acompanhassem o relato. Entre os presentes estava o ex-jogador francês Youri Djorkaeff.
Ao encerrar a fala, o comandante iraniano pediu uma atuação mais firme da entidade máxima do futebol para garantir melhores condições à seleção durante a competição.
"Eu espero que a Fifa aja com um pouco mais de força para que o time não seja mais oprimido e desrespeitado. Nós aprendemos com você que o futebol é um lugar para humanidade, é um lugar para se divertir, mas o anfitrião nos tirou a humanidade e a alegria", concluiu.
