No MetLife Stadium, Dunga aponta caminho para o Brasil na Copa do Mundo: "Coragem e personalidade vão além do futebol"
Por Leonardo Baran, dos Estados Unidos / Thiago Tolentino
A poucas horas da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, Dunga voltou ao palco de uma Copa para falar sobre pressão, responsabilidade e a obrigação de vestir a camisa amarela e verde. No MetLife Stadium, em Nova Jersey, onde o Brasil enfrenta Marrocos neste sábado (13), o capitão do tetracampeonato mundial de 1994 afirmou que a equipe comandada por Carlo Ancelotti precisa entrar em campo consciente do peso da própria história.
Para o ex-volante, a pressão de uma Copa do Mundo não deve ser encarada como problema, mas sim como privilégio.
"É uma pressão boa. Jogar em estádio cheio e com o mundo todo te olhando. Existe uma responsabilidade muito grande de representar a Seleção Brasileira. Nós temos a mentalidade de que temos que ser campeões", afirmou.
Dunga também saiu em defesa do trabalho de Carlo Ancelotti. Segundo ele, o treinador italiano teve tempo suficiente para conhecer os jogadores e agora será avaliado pelos resultados apresentados dentro de campo.
"Já teve um trabalho para conhecer os jogadores e agora é colocar em campo. Quem sabe quem está dando resposta ou quem pode suprir as necessidades da seleção é o Ancelotti. Muitas vezes a gente fala baseado no que acha, mas temos que cobrar em cima daquilo que ele propôs para a equipe", destacou.
Um dos temas da entrevista foi Neymar. O camisa 10 ainda se recupera de uma lesão muscular na panturrilha e deve desfalcar o Brasil na estreia diante dos marroquinos. Mesmo assim, Dunga considerou natural a aposta da comissão técnica no principal jogador brasileiro da geração, comparando às convocações de Ronaldo e Rivaldo, em 2002.
"O Neymar tecnicamente é indiscutível. A decisão de convocar ou não passa pela comissão técnica, pelos médicos e preparadores físicos. Em 2002 também existiam dúvidas sobre Ronaldo e Rivaldo, e a comissão técnica apostou neles. A cobrança depois acontece em cima dessa escolha", analisou.
Acostumado aos bastidores de Copas do Mundo, Dunga também explicou como lidava com a ansiedade nos dias que antecediam uma estreia. Segundo ele, o diferencial dos grandes jogadores não está apenas na técnica.
"Os jogadores querem jogar logo, não querem ficar esperando. Eu ficava pensando no adversário, nas informações que recebíamos e naquilo que o treinador pedia. Mentalizava tudo para colocar em prática quando chegasse ao campo. Mas existe algo que vai além do futebol: coragem e personalidade. Não adianta o cara ser bom. Tem que ter coragem para executar aquilo que sabe fazer", afirmou, ao Bahia Notícias.
O Brasil estreia na Copa do Mundo às 19h (de Brasília), pelo Grupo C da competição. Depois, a equipe de Carlo Ancelotti encara Haiti e Escócia na sequência da fase de grupos.
