Atlético-MG fecha 2025 com prejuízo milionário e dívida acima de R$ 2 bilhões
Por Redação
O Atlético-MG divulgou as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025 e apresentou prejuízo contábil de R$ 882 milhões. O balanço também aponta crescimento do endividamento do clube, que ultrapassou a marca de R$ 2 bilhões.
O resultado negativo foi impactado principalmente por uma “perda de valor justo” de R$ 572 milhões. Segundo as notas explicativas do documento, a administração do clube trata esse efeito como “não financeiro e pontual”. Sem esse impacto contábil, o prejuízo considerado pelo Atlético-MG no exercício foi de R$ 310 milhões.
De acordo com a nota explicativa 15.1, a LCA Consultores realizou, em 30 de novembro de 2025, uma avaliação do Departamento de Futebol com base na metodologia de fluxo de caixa descontado. A análise identificou que o valor recuperável dos ativos ligados ao futebol era inferior ao valor contábil, o que levou ao reconhecimento de uma perda por impairment de R$ 572,1 milhões no resultado do ano.
Apesar do prejuízo, o clube registrou crescimento de receitas. A receita bruta chegou a R$ 768 milhões em 2025, alta de 14% em relação ao ano anterior. Já a receita líquida foi de R$ 727 milhões, impulsionada por direitos de transmissão, vendas de atletas e receitas comerciais.
Entre as principais fontes de arrecadação estiveram os direitos de transmissão, com R$ 282 milhões, vendas de atletas, com R$ 203 milhões, e explorações comerciais, com R$ 139 milhões. No total, R$ 565 milhões vieram de transmissões, bilheteria, sócio-torcedor, premiações, receitas comerciais e recursos ligados à Arena MRV.
Do lado das despesas, os custos operacionais chegaram a R$ 461 milhões, enquanto os investimentos no futebol somaram R$ 181 milhões. A folha do futebol profissional representou 67% dos custos operacionais e teve crescimento de 7% em relação ao exercício anterior.
O endividamento também avançou. Pelos critérios adotados pelo Atlético-MG, a dívida está em R$ 1,78 bilhão, contra R$ 1,4 bilhão em 2024. Já pelo cálculo utilizado pelo ge, que considera dívidas de curto e longo prazo, abatendo receitas antecipadas e caixa disponível, o valor acumulado chega a R$ 2,196 bilhões.
O endividamento bancário subiu de R$ 555 milhões para R$ 654 milhões. As dívidas tributárias passaram de R$ 388 milhões para R$ 487 milhões. Já as obrigações relacionadas à compra de atletas mais que dobraram, saindo de R$ 100 milhões para R$ 243 milhões.
O clube também detalhou as principais negociações de atletas em 2025. As maiores receitas vieram das vendas de Alisson ao Shakhtar, por R$ 77 milhões, Rubens ao Dínamo Moscou, por R$ 55 milhões, Zaracho ao Racing, por R$ 12 milhões, Rodrigo Battaglia, por R$ 9,5 milhões, e Otávio ao Fluminense, por R$ 8,5 milhões.
