Promotoria de Milão investiga esquema com festas, prostituição e gás do riso envolvendo jogadores da Inter e do Milan
Por Redação
A promotoria de Milão abriu investigação sobre uma empresa suspeita de organizar festas privadas com oferta de prostituição e uso de óxido nitroso — conhecido como “gás do riso” — envolvendo cerca de 50 jogadores da Serie A. A informação foi divulgada pelo jornal La Gazzetta dello Sport nesta terça-feira (21).
Segundo a apuração, atletas ligados a clubes como Inter de Milão e AC Milan aparecem entre os nomes mencionados no inquérito. Até o momento, os jogadores não são investigados por crime, mas surgem como participantes ou frequentadores dos eventos organizados pela empresa sob suspeita.
As festas teriam ocorrido em hotéis e casas noturnas de alto padrão na Itália e também em Mykonos, na Grécia. A organização funcionava a partir de Cinisello Balsamo, na região de Milão, e seria administrada por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, que estão em prisão domiciliar junto a outros dois investigados.
As acusações incluem organização de serviços sexuais e lavagem de dinheiro. Entre os indícios levantados pelas autoridades estão transferências financeiras entre envolvidos e registros em redes sociais da agência investigada, seguidos por atletas e outras personalidades.
De acordo com os documentos do caso, as investigações também identificaram o uso de óxido nitroso durante os eventos privados. A substância é conhecida por provocar sensação de euforia temporária e não costuma deixar vestígios detectáveis em exames antidoping.
A promotoria aponta ainda que a empresa teria iniciado as atividades em 2019 e mantido eventos mesmo durante o período de restrições da pandemia de Covid-19.
Uma testemunha relatou a existência de uma boate ilegal na sede da organização em Milão durante o período de confinamento.
Segundo a denúncia, mulheres eram levadas para os eventos e ficariam hospedadas na sede da empresa. Elas receberiam parte dos valores pagos pelos clientes, enquanto o restante ficaria com os organizadores. A investigação estima que mais de 100 mulheres, de diferentes nacionalidades, possam ter sido envolvidas no esquema.
A legislação italiana permite a prostituição quando exercida voluntariamente, mas proíbe a exploração por terceiros e a organização de atividades desse tipo. Por isso, o foco da investigação está na atuação dos responsáveis pela empresa e não nos frequentadores dos eventos.
As autoridades seguem apurando a extensão do caso e a possível participação de empresários, celebridades e até pilotos ligados à Formula 1.
