Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Esporte

Notícia

Relatório detalha operação, receitas, custos e contrato da Arena Fonte Nova em 2025; prejuízo chega a R$ 15,8 milhões

Por Mauricio Leiro / Thiago Tolentino

Relatório detalha operação, receitas, custos e contrato da Arena Fonte Nova em 2025; prejuízo chega a R$ 15,8 milhões
Foto: David Campbell

A Fonte Nova Negócios e Participações S.A., concessionária responsável pela gestão da Arena Fonte Nova, teve divulgado o seu relatório de administração e demonstrações contábeis referentes ao exercício de 2025, com comparativos em relação a 2024. O documento, obtido pela reportagem do Bahia Notícias, detalha como funciona a operação do estádio, de onde vêm as receitas, quais são os principais custos e como está a situação financeira da empresa.

 

De acordo com o relatório, a Arena encerrou o exercício de 2025 com prejuízo líquido de R$ 15,8 milhões. Na prática, isso significa que, mesmo arrecadando mais do que no ano anterior, a empresa ainda gastou mais do que conseguiu faturar. Em 2024, o prejuízo havia sido menor, de R$ 11,1 milhões, o que indica uma piora no resultado final.

 

Esse cenário fica ainda mais evidente ao observar o prejuízo operacional — que considera apenas a atividade principal da Arena — e chegou a R$ 29,2 milhões. Segundo o documento, esse resultado é impactado principalmente pelos custos envolvidos na realização dos jogos e pelas despesas administrativas necessárias para manter a operação do estádio funcionando.

 

Apesar do prejuízo, a receita operacional líquida cresceu e atingiu R$ 89,3 milhões em 2025, contra R$ 83,8 milhões no ano anterior. Ou seja, a Arena conseguiu aumentar sua arrecadação, mas isso não foi suficiente para cobrir todos os gastos.

 


Foto: Manu Dias / GovBA

 

O relatório explica que a receita da Arena não depende apenas dos jogos de futebol. O faturamento vem de diversas fontes: a contraprestação pública paga pelo Governo do Estado dentro do contrato de Parceria Público-Privada (PPP), o compartilhamento de receitas, a locação de camarotes e espaços comerciais, a realização de eventos, contratos de patrocínio e a venda de ingressos.

 

Mesmo com essa diversificação, os custos continuam sendo um desafio. Só as despesas administrativas somaram R$ 65,5 milhões em 2025. Esse valor inclui gastos com funcionários, empresas terceirizadas, energia, água, seguros e outros custos necessários para manter o estádio em funcionamento. Além disso, os próprios jogos geram custos relevantes, o que pesa diretamente no resultado final.

 

Se por um lado o resultado foi negativo, por outro o relatório mostra uma melhora importante na saúde financeira da empresa. A dívida da concessionária foi drasticamente reduzida, saindo de cerca de R$ 39 milhões em 2024 para apenas R$ 1,3 milhão em 2025. Na prática, isso indica que a empresa conseguiu quitar grande parte de seus compromissos financeiros.

 

Ao mesmo tempo, o caixa da companhia aumentou. O valor disponível passou de R$ 7,4 milhões para R$ 17,6 milhões. Isso significa que a empresa terminou o ano com mais dinheiro "em mãos" para honrar compromissos de curto prazo.

 

O fluxo de caixa reforça esse movimento. A Arena gerou R$ 54,4 milhões com suas operações ao longo do ano, investiu cerca de R$ 14 milhões em melhorias e destinou aproximadamente R$ 58,2 milhões para pagamento de dívidas e dividendos. Ou seja, parte relevante dos recursos foi utilizada para reorganizar a estrutura financeira da companhia.

 

No dia a dia da operação, o relatório mostra que a Arena Fonte Nova manteve um alto nível de atividade. Ao todo, foram realizados 87 eventos em 2025, o que representa uma média de um evento a cada 4,1 dias. Esse número inclui tanto jogos de futebol quanto shows e outras atrações.

 

O futebol segue como principal motor da Arena. Foram 46 partidas realizadas, com público total de 1.505.111 torcedores. A média foi de 34.496 pessoas por jogo, colocando o estádio entre os que mais recebem público no Brasil. Somando todos os eventos, mais de 1,8 milhão de pessoas passaram pelo equipamento ao longo do ano.

 


Foto: Maurícia da Matta / Bahia Notícias

 

Além disso, a Arena também reforçou sua atuação como espaço multiuso. Foram 41 eventos não esportivos, que reuniram mais de 358 mil pessoas, incluindo shows de artistas como Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil.

 


Fotos: Divulgação / Casa de Apostas Arena Fonte Nova

 

Outro ponto destacado no relatório são os investimentos em modernização. A concessionária vem realizando melhorias estruturais para atualizar o equipamento e aumentar sua atratividade. Entre as ações estão a troca dos telões, implantação de iluminação cênica em LED, reforma de camarotes, uso de reconhecimento facial para acesso e a substituição gradual dos assentos, prevista para ocorrer entre 2026 e 2027.

 

A operação da Arena Fonte Nova acontece por meio de uma Parceria Público-Privada com o Governo do Estado da Bahia. Esse modelo funciona como um contrato em que a empresa privada administra o equipamento e recebe pagamentos públicos, além de explorar comercialmente o espaço.

 

O contrato foi firmado em 2010 e, após ajustes, tem validade até março de 2028. Dentro desse modelo, a concessionária recebe contraprestações mensais do Estado e, em contrapartida, precisa compartilhar 10% de suas receitas operacionais líquidas com o poder público.

 

O relatório também relembra que, em 2021, um aditivo contratual alterou pontos importantes da concessão. Entre as mudanças, houve a redução do valor anual pago pelo Estado — que caiu de R$ 180,9 milhões para R$ 102,3 milhões — e o encurtamento do prazo do contrato. Essas alterações tiveram como objetivo reequilibrar financeiramente a concessão.

 

Em relação à estrutura patrimonial, a empresa encerrou 2025 com ativos totais de R$ 485 milhões e patrimônio líquido de R$ 288,9 milhões. Entre os principais ativos estão os valores a receber do contrato de concessão, créditos e investimentos relacionados à operação da Arena.

 

Do lado das obrigações, o relatório aponta a existência de tributos, provisões para manutenção da estrutura do estádio, receitas ainda não realizadas e provisões para processos judiciais. As perdas consideradas prováveis somam R$ 2,3 milhões, enquanto há processos classificados como de risco possível que não geraram provisão contábil.

 

Por fim, o documento destaca que a empresa segue exposta a riscos comuns do setor financeiro, como variações nas taxas de juros, risco de liquidez (capacidade de pagar contas) e risco de crédito (inadimplência). Ainda assim, a companhia não utiliza instrumentos financeiros mais complexos, como derivativos.

 

A expectativa da concessionária é manter a operação da Arena até o fim do contrato, em 2028, sustentando seu modelo de negócios baseado na realização de jogos, eventos e exploração comercial do equipamento.