Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol leva palestra sobre fair play financeiro a clubes na FBF
Por Redação
Os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro passaram a seguir, desde o dia 1º de janeiro, um conjunto de normas voltadas ao controle das finanças. A medida integra o sistema de fair play financeiro implementado pela Confederação Brasileira de Futebol.
Como parte do processo de adaptação às novas exigências, a Federação Bahiana de Futebol promoveu, em parceria com a CBF, uma palestra conduzida pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol. O encontro foi realizado na sede da federação, em Lauro de Freitas.
Participaram representantes de Bahia e Vitória, além de integrantes do Londrina, vinculado à Squadra Sports. O evento também contou com a presença de dirigentes da federação local.
Durante a apresentação, o diretor-presidente da agência, Caio Resende, explicou que o modelo foi criado para conter o crescimento do endividamento no futebol brasileiro, mesmo em um cenário de aumento de receitas.
"O futebol brasileiro, hoje, enfrenta um problema muito parecido com que os clubes europeus passaram anos atrás. As receitas cresceram muito, mas o endividamento também cresceu muito. Mesmo num cenário de crescimento acelerado de receitas, o endividamento está muito alto. Isso aconteceu devido ao investimento excessivo no elenco profissional. Clubes investindo muito além das suas receitas, investindo em contratações que não podem honrar. O objetivo desse sistema de fair play é permitir maior equilíbrio financeiro às equipes e às competições. Um clube não pode gastar mais do que arrecada", contou.

Foto: Divulgação / FBF
O sistema se baseia em critérios como controle de despesas, gestão de riscos, eficiência operacional e transparência. A proposta é acompanhar a saúde financeira das equipes e evitar desequilíbrios que possam impactar as competições.
De acordo com a agência, os impactos iniciais do novo modelo já começam a aparecer. A primeira janela de transferências sob as novas regras indicou redução nos gastos dos clubes.
"Essa janela de transferências do início do ano foi a primeira no Brasil sob o programa de fair play financeiro e já conseguimos observar uma melhora. Os clubes já conseguiram reduzir seus gastos em 24%."
Apesar da possibilidade de punições, a ANRESF afirma que a prioridade é orientar os clubes durante o processo de adaptação.
"A agência quer ser parceira dos clubes, quer manter canal diálogo aberto com todos, evitar que os clubes sejam punidos por não conhecerem o regulamento."
O sistema prevê acompanhamento contínuo das finanças e estabelece sanções para casos de descumprimento. Entre as medidas possíveis estão advertências, multas, restrições administrativas e punições esportivas, como perda de pontos ou impedimento de registrar jogadores.
A agência responsável pela regulação atua com estrutura própria de julgamento, incluindo instâncias para análise inicial e recursos. As decisões têm caráter definitivo no âmbito esportivo.
