Ex-Bayern de Munique cobra ação da Fifa diante de denúncias de repressão a profissionais do futebol no Irã
Por Redação
O ex-meio-campista Ali Karimi, nome entre os mais conhecidos do futebol iraniano, recorreu à Fifa nesta semana para pedir uma manifestação oficial sobre a situação enfrentada por atletas e profissionais do esporte no Irã. Campeão pelo Bayern de Munique e com 127 jogos pela seleção nacional, Karimi é um dos signatários de uma carta aberta enviada ao presidente da entidade, Gianni Infantino.
O documento, que também foi encaminhado aos dirigentes das mais de 200 federações filiadas à Fifa, reúne assinaturas de diferentes segmentos do futebol iraniano, incluindo árbitros, treinadores e jornalistas esportivos. O texto descreve um cenário de repressão ligado a um 'movimento nacional, popular e cívico', que, segundo os autores, tem sido alvo de ações violentas por parte do Estado.
Na carta, os signatários afirmam que os episódios registrados nos últimos meses podem ser enquadrados como 'crimes contra a humanidade e crimes de guerra'. O grupo aponta que mais de 18 mil pessoas teriam morrido durante manifestações recentes, número que, segundo organismos internacionais citados no texto, pode ser ainda maior. Entre as vítimas, há profissionais diretamente ligados ao futebol.
A carta menciona nomes específicos de pessoas mortas, como Mojtaba Tarshiz, ex-jogador da primeira divisão iraniana; Saba Rashtian, árbitra assistente do futebol feminino; o treinador de base Mehdi Lavasani; os jogadores Amirhossein Mohammadzadeh e Rebin Moradi; além de Mohammad Hajipour, goleiro da seleção de beach soccer. Os autores destacam que muitos deles exerciam papel ativo no desenvolvimento do esporte no país.
Ao justificar o apelo à entidade máxima do futebol, o texto ressalta o papel social da modalidade e cobra uma postura institucional mais firme. Segundo os signatários, "o futebol, como o fenômeno social mais influente do mundo, não pode e não deve permanecer em silêncio diante de execuções, assassinatos, prisões arbitrárias e ameaças contra atletas."
No encerramento do documento, o grupo solicita que a Fifa e suas federações associadas condenem publicamente os atos relatados, pressionem pela interrupção imediata das ações denunciadas e utilizem todos os instrumentos jurídicos e disciplinares disponíveis para garantir a proteção de jogadores, árbitros e demais profissionais do futebol no Irã.
