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Fortaleza negocia retorno ao futebol feminino após encerrar atividades da modalidade

Por Thiago Tolentino

Fortaleza negocia retorno ao futebol feminino após encerrar atividades da modalidade
Foto: Divulgação / Fortaleza

Uma semana após anunciar o encerramento das atividades do futebol feminino, o Fortaleza tem negociações em andamento para retomar o projeto. De acordo com informações apuradas com fontes ligadas à reportagem do Bahia Notícias, o clube cearense mantém conversas com o R4 Esporte Clube, equipe de futebol feminino sediada em Juazeiro do Norte (CE) e fundada pelo ex-zagueiro e ídolo do Flamengo, Ronaldo Angelim.  A informação inicial da negociação foi dada pelo portal Lance!

 

Internamente, o Fortaleza aguarda um desfecho positivo das tratativas para então realizar um anúncio oficial. A possibilidade de retomada surge pouco depois da decisão da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube de encerrar a modalidade, medida tomada após uma reavaliação da estrutura esportiva e financeira.

 

Em comunicado divulgado anteriormente, o Fortaleza explicou que, apesar das tentativas de manter o futebol feminino, o cenário econômico inviabilizou a continuidade do projeto. O clube passa por um período de reorganização após o rebaixamento da equipe masculina para a Série B do Campeonato Brasileiro, o que motivou ajustes considerados necessários para garantir equilíbrio financeiro e operacional.

 

Segundo a nota oficial, a limitação orçamentária, a ausência de recursos exclusivos para o futebol feminino e a dificuldade de atender às exigências regulamentares das competições nacionais pesaram de forma decisiva para a interrupção das atividades.

 

A decisão contrastou com o desempenho recente das Leoas, que viveram a melhor temporada de sua história em 2024. A equipe conquistou, de forma inédita, o Campeonato Cearense Feminino ao vencer o Ceará e garantiu classificação histórica para a Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino de 2025. Ainda assim, a diretoria avaliou que a manutenção do elenco não seria sustentável no contexto atual.

 

Com a retirada da equipe da Série A1, o Fortaleza ficaria automaticamente impedido de disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por um período de dois anos, conforme previsto no Regulamento Geral de Competições da entidade.

 

O cenário abriu espaço para movimentações nos bastidores do futebol feminino nacional. Após a desistência do Real Brasília do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026, o Vitória despontou como um dos principais candidatos a herdar uma vaga na elite da competição. O clube baiano aparece ao lado do Mixto-MT como favorito, seguindo critérios de desempenho esportivo recente adotados pela CBF.

 

Em entrevista coletiva concedida na última segunda-feira (5), o presidente do Vitória, Fábio Mota, comentou a possibilidade e destacou que a questão financeira será determinante para a viabilização da participação na Série A1.

 

"Primeiramente, temos que viabilizar a questão financeira. Quando soubemos da notícia, a primeira coisa que fizemos foi viabilizar uma campanha de futebol feminino na Série A, que é mais cara que a Série B. Por isso estamos conversando com a Fatal Model para ela continuar conosco no Feminino. Nos disponibilizamos, estamos nos estruturando, ainda não recebemos nada oficial e estamos aguardando essa decisão", afirmou o dirigente.

 

Mota também ressaltou que o debate sobre o futebol feminino precisa ir além dos resultados dentro de campo.

 

"Precisamos ter um olhar amplo para o futebol feminino: dos patrocinadores, da sociedade civil, da CBF, das federações. Porque o futebol feminino fica para trás porque não tem recurso. O feminino é bancado pelos recursos do futebol masculino e isso não é o ideal", completou.