'Mostrar do que o preto é capaz', diz Rebeca Andrade após ouro no Mundial de ginástica
Por Redação
Embalada pela música Baile de Favela, Rebeca Andrade voltou a brilhar na tarde desta quinta-feira (3) ao conquistar a medalha de ouro no Mundial de ginástica artística, em Liverpool, na Inglaterra (leia aqui). Após o título mundial, a brasileira destacou o orgulho de representar as mulheres pretas.
"É pra mostrar do que o preto é capaz, né!? Eu me sinto muito orgulhosa de levar essa música para o mundo todo. Fico feliz que ela ganhou essa medalha de ouro. Merecia muito. No Brasil, todo mundo que entende as dificuldades que uma atleta preta tem, que uma pessoa preta tem de chegar no alto rendimento de ter possibilidades, oportunidades... De certa forma tentar ajudar essas pessoas. Para chegar aqui hoje, tive muita ajuda no início. Dos meus vizinhos, quando eu morava junto com a minha mãe, de emprestar dinheiro, de condução, de ficar na casa dos outros para eu conseguir treinar. Então foi muito difícil. Acho que essa medalha representa tudo isso, toda minha história, toda minha luta. Hoje ela foi premiada. Foi aqui e nas Olimpíadas também. Estou muito feliz de ser quem eu sou, de representar tudo que represento. Espero continuar fazendo história", afirmou.
Rebeca é a segunda ginasta preta da história a se tornar número 1 de um Mundial. A pioneira foi a americana Simone Biles. A brasileira ainda pode continuar colecionando medalhas em Liverpool. No final de semana, ela ainda disputa nas barras, nas traves e no solo.
"Significa todo meu trabalho. Foi o trabalho todo da minha equipe multidisciplinar, das meninas que treinam junto comigo e me deram todo o apoio hoje. A gente trabalha muito duro. Estou orgulhosa de mim, do que apresentei aqui dentro e de todas as meninas que passaram aqui hoje, porque sei o quanto trabalho para chegar aqui, então imagino o quanto elas trabalham para chegar aqui e arrasar. É um orgulho enorme. Estou muito feliz", disse.
Rebeca Andrade já havia brilhado nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, realizados em 2021 por causa da pandemia global do novo coronavírus. Ela se tornou a primeira brasileira medalhista olímpica de prata no individual geral. Depois, ela foi a primeira campeã olímpica da modalidade no salto. Na sequência, ela voltou a subir no lugar mais alto do pódio no Mundial de Kitakyushu no salto, e abocanhou a prata nas barras assimétricas.
