Diretor de observatório avalia que punir racismo é importante, 'mas precisamos educar'
Por Glauber Guerra, do Rio de Janeiro / Nuno Krause
O diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, avalia que punir casos de racismo no futebol é importante, mas é preciso também educar e conscientizar as pessoas. Ele esteve presente, nesta quarta-feira (24), no Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol, proposto pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
"Foi debatida muito a questão da perda de pontos, eu acho ela fundamental, mas precisamos avançar. Precisamos pensar na educação e na conscientização. O torcedor que comete um ato racista nem sempre é o racista. Ele se criou em uma sociedade racista e está reproduzindo. Ele precisa entender o que está fazendo. É ter esse trabalho de debate. Esse é o primeiro passo. Antes de pensar em punir, precisamos educar, conversar", avaliou.
O evento marcou também o anúncio da parceria da entidade com o observatório, que durará quatro anos, período do mandato do atual presidente, Ednaldo Rodrigues.
"É a CBF se comprometendo com a sociedde, reconhecendo o trabalho do observatório, e tirando de debaixo do tapete uma série de casos de racismo que a sociedade vem denunciando. É fundamental que esse evento aconteça aqui e que a CBF compre essa briga", pontuou.
O trabalho será semelhante ao que o Observatório já faz, mas agora com apoio da CBF.
"O trabalho do observatório existe há oito anos, com essa coleta de dados, um trabalho quase amador. Agora, em 2022, assinamos uma parceria com a CBF para quatro anos. Vamos desenvolver o relatório e trazer esses dados para dentro da Casa do Futebol. Vamos projetar o tamanho do problema para que dentro da CBF a gente discuta o que fazer com esses casos de racismo", explicou.
