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Adalberto Almeida classifica seminário da CBF como 'pontapé inicial' no combate ao racismo

Por Glauber Guerra, do Rio de Janeiro / Nuno Krause

Adalberto Almeida classifica seminário da CBF como 'pontapé inicial' no combate ao racismo
Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias

Um dos poucos empresários negros na elite do futebol brasileiro, Adalberto Almeida classificou o Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol, realizado nesta quarta-feira (24) pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), como o "pontapé inicial". Ele atualmente agencia, por exemplo, a carreira de Dinei, atacante do Vitória. 

 

"Esse evento é fundamental para tudo que está ocorrendo com o futebol brasileiro. O país é preconceituoso. O pessoal soteropolitano sabe muito bem o que é isso. Hoje, temos em Salvador quase 80% da população preta. A CBF, juntamente com o presidente, está fazendo um trabalho maravilhoso. Foi cobrar a Conmebol para ter uma regra, e perda de pontos ou punição, que seja. O futebol agrega todo mundo e está dando esse pontapé inicial aqui no Brasil", destacou, em entrevista ao Bahia Notícias. 

 

Na visão de Adalberto,  a gestão de Ednaldo tem proposto uma abertura grande para discutir temas importantes, inclusive para além do racismo. 

 

"É um cara ativo. Já vi que ele quer saber de tudo, estar por dentro de tudo. Tive a oportunidade de conversar com ele uma vez, e vi o quanto ele está integrado no processo. Isso é fundamental para a mudança no processo. Essa abertura que ele está dando não é só para o movimento, para os pretos, é para todo o futebol", pontuou. 

 

Hoje numa condição de evidência, Adalberto contou também os preconceitos que teve de enfrentar durante sua trajetória. 

 

"Sou uma pessoa que já de berço meus pais me instruíam que ia ter um preconceito. Vim de classe pobre, mas recebi muita educação e respeito. Fui o primeiro preto a ser funcionário da Adidas no Brasil, fiquei por lá por muitos anos, trabalhei no Comitê Olímpico. Isso é inerente. Já tive casos de estar em salas VIP de aeroportos e pessoas pedirem meu bilhete para saber se eu podia estar ali, se eu tinha o cartão para estar naquela sala. Evito de andar com carro importado, porque o preconceito é muito grande. Ando com carro popular. Isso tudo preto sofre no Brasil. Não é uma, duas ou três, são inúmeras situações. O mais importante de tudo é saber se posicionar", relatou.