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Aranha elogia iniciativa da CBF com seminário contra o racismo: 'Momento especial'

Por Glauber Guerra, do Rio de Janeiro / Leandro Aragão

Aranha elogia iniciativa da CBF com seminário contra o racismo: 'Momento especial'
Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias

Um dos símbolos da luta contra o racismo no futebol brasileiro, o ex-goleiro Aranha elogiou a iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em promover o Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol. O evento acontece nesta quarta-feira (24), na sede da entidade no Rio de Janeiro.

 

"Não existe uma maneira de resolver um problema sem ser falando sobre ele. Acredito que é um momento especial para o futebol brasileiro dar esse pontapé, ainda mais pelo carro-chefe, pela entidade maior. Estamos iniciando um projeto que visa melhorar as condições não só dos atletas, mas principalmente dos torcedores brasileiros que são pessoas que compram ingressos, que tem amor pelo clube, mas que por muitas vezes não podem frequentar os estádios pelo desrespeito e insegurança. São coisas que a gente precisa resolver primeiro conversando e depois com ações", afirmou em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Aranha pendurou as chuteiras em 2018. Durante a carreira de jogador, ele se destacou vestindo camisas de clubes como Ponte Preta, Santos, Atlético-MG, Palmeiras, entre outros. Em 2014, quando defendia o Peixe, ele foi vítima de um caso de racismo na Arena do Grêmio, durante a partida entre as duas equipes, que ganhou proporções em todo o país. As câmeras de TV flagraram torcedores gremistas com ofensas raciais contra o atleta. O ex-atleta destacou o fato de casos do tipo começarem a serem combatidos nos estádios.

 

"Eu não assisto mais futebol tem muitos anos já. Tenho trabalhado em outra frente, mas vejo com tristeza as manifestações racistas cada vez mais presentes. E vejo também com alegria, satisfação e otimismo o enfrentamento que está tendo. Está bem claro que as coisa mudaram e muitos dos desrespeitos que existiam no futebol vêm aos poucos sendo combatidos e anulados. Até pouco tempo atrás era muito normal a gente ver nos estádios as pessoas arremessando pilhas, chinelos nos jogadores. Os torcedores viam um como inimigo e não como rival. Inimigo, você mata e era o que estava acontecendo. Então, a gente tem sim que se reunir em prol das pautas importantes para a gente pode evoluir", comentou.

 

Aranha também relembrou os tempos de jogador em jogou em Salvador contra os clubes baianos. Além disso, lamentou não ter atuado no futebol baiano e contou que quase acertou com o Vitória.

 

"Sempre foi muito prazeroso estar em Salvador, na Bahia, jogando contra. Não tive a felicidade de atuar por nenhum dos dois clubes. Era uma vontade que eu tinha também. Que eles possam servir como exemplo para o restante do país. Toda vez que eu fui lá, era um brincando, tirando sarro com o outro, mas a violência entre as duas torcidas não era uma coisa, pelo menos para a maioria do Brasil, que vê acontecendo", disse. "Por três vezes bati na trave de ir para o Vitória. Acabou não dando certo. Mas é isso, futebol proporciona muitos momentos felizes, interessantes para a gente e através dele tive a oportunidade de conhecer Salvador e outras cidades também, de ir lá jogar contra times históricos como os dois", finalizou.