Após quase 9 anos, Centro Edvaldo Valério deixará clube em Itapuã; alunos protestam
Por Nuno Krause
Após quase 9 anos de parceria, o Centro Aquático Edvaldo Valério (CAEV) deixará o clube da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa da Bahia (Assalba), em Itapuã. Desenvolvido pelo nadador baiano medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000, o projeto atende mais de 250 alunos na região. A decisão partiu da atual gestão do clube, presidida por Rafael Brito desde junho do ano passado, que não renovará o contrato de parceria, válido até 28 de fevereiro de 2022.
Os alunos e pais de alunos se mobilizaram para tentar reverter a decisão. Contudo, a administração do CAEV afirmou que o gestor foi taxativo e não ofereceu "nenhuma argumentação plausível". "Temos buscado diálogo com o mesmo e ele não se dispôs a dialogar. Tivemos uma audiência em setembro, mas ele desmarcou, mandando um dos diretores. Estamos lutando para reverter a situação. Nosso trabalho é um negócio, mas tem muito cunho social. Eu sou de Itapuã, jovem, negro, pobre. Tive uma vida muito parecida com muitos jovens de Itapuã", afirmou Edvaldo Valério, em entrevista ao Bahia Notícias.
Rafael Brito, por outro lado, argumenta que os associados da Assalba têm reclamado da atividade. "Primeiro, é um clube da Assembleia Legislativa da Bahia. Quem mantém o clube são os associados. Alguns presidentes anteriores lotaram esse clube. Assumi, os meus associados querem usar a piscina e não podem porque está lotada. Querem usar o clube e ele está lotado. O contrato já está vencendo, o valor é irrisório e não quero mais continuar com essa empresa. No outro horário, [posso] abrir talvez para a comunidade frequentar. O que não é o certo, porque o clube é do sócio. Por ser maleável, tive uma reunião com as mães ontem e disse que minha questão não é contra a comunidade. Os sócios estão querendo usar o que é de direito deles", afirmou.
O Bahia Notícias apurou que o Centro Aquático Edvaldo Valério funciona de terça a sexta no local, em dois períodos: de 6h às 11h e de 14h às 21h. A Assalba possui duas piscinas, e apenas uma é utilizada pelo CAEV. O valor pago pelo projeto ao clube é de R$ 3.800,00. "Eu tenho um gasto 7 mil reais de energia, 2 mil com funcionário para limpar e 5 mil com produtos de piscina. Não justifica. Os associados querem usar a piscina", argumenta Rafael.
"Tudo o que fomentamos quanto à questão da prática esportiva, do desenvolvimento cultural e social, do uso do próprio clube em si, dando visibilidade, oportunidade, vai se perder", contrapõe Valério.

Projeto funciona em Salvador desde 2013 | Foto: Reprodução / Instagram
Com a saída da Assalba, o medalhista olímpico procura direcionar os alunos para as duas outras unidades em que toca o projeto: na Associação Desportiva e Cultural Coelba (Adelba), que fica em Patamares, e na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em Piatã.
"Sabemos que nem todo mundo terá condições de ir, pelo público que a gente trabalha, que são as classes C e D", lamentou o ex-nadador. Além disso, o projeto está negociando com um clube de Lauro de Freitas, que não teve seu nome revelado.

CAEV também promove aulas de hidroginástica | Foto: Reprodução / Instagram
O Centro Aquático Edvaldo Valério existe desde 2013 e tem o objetivo de "promover os esportes aquáticos na cidade, oferecendo aulas de natação e hidroginástica, trabalhando também com o público PCD (pessoas com deficiência)".
