Após acusação de atleta do Londrina, jogadores do Brusque se manifestam contra racismo
Jogadores do Brusque se manifestaram contra o racismo na noite deste domingo (29). A iniciativa aconteceu após o clube catarinense chamar o meia Celsinho, do Londrina, de "oportunista" por ter relatado em entrevista ao canal Premiere na saída do gramado do Augusto Bauer, na noite do último sábado (28), ofensas raciais por parte de membros da diretoria da agremiação quadricolor.
"Não sei se ele faz parte da comissão técnica, da diretoria, um senhor de vermelho no camarote. Também não entendo porque tem tantas pessoas assim em um protocolo que não estão liberados os jogos para os torcedores. É lamentável. Uma equipe de porte médio baixo recém-promovida à Série B de Campeonato Brasileiro estar cometendo um ato desses é inadmissível, mas as providências serão tomadas", disse Celsinho.
Entre os jogadores do clube catarinense que se posicionaram estão o lateral-direito Edilson, o meia Diego e o atacante Edu. O trio publicou uma imagem contra o preconceito racial.
A partida entre Brusque e Londrina terminou empatada em 0 a 0. Na súmula, o árbitro Fábio Augusto Santos Sá Junior registrou que um integrante da delegação do Quadricolor falou para Celsinho: "Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha" por volta dos 45 minutos do primeiro tempo.
Em nota, o Brusque negou qualquer ato de racismo e afirmou que Celsinho "é conhecido por se envolver neste tipo de episódio". O clube ainda informou que tomará medidas cabíveis contra o jogador do Londrina.
No dia 17 de julho, durante o jogo entre Goiás e Londrina, Celsinho foi vítima de racismo durante a transmissão da Rádio Bandeirantes Goiânia. Um narrador e um comentarista usaram termos como "negócio imundo" e bandeira de feijão" ao falar do cabelo do jogador. O segundo episódio aconteceu no dia 23 do mesmo mês por um outro narrador, desta vez da Rádio Clube do Pará, no duelo com o Remo. Ele falou que o meia ia "com seu cabelo meio ninho de cupim para bater na bola".
Confira a nota emitida pelo Brusque:
"O atleta Celso Honorato Júnior, reserva do Londrina E.C., relatou à imprensa que teria sido chamado de "macaco" por membros da Diretoria do Brusque F.C., durante o jogo realizado ontem (28/08).
O Brusque F.C., sua torcida, diretoria, comissão técnica e patrocinadores sempre foram, ao longo da sua história, absolutamente respeitosos com relação a todos os princípios que regem as relações desportivas e humanas. Jamais permitiríamos qualquer atitude de conotação racista em nosso Clube, que condena veementemente qualquer pensamento ou prática nesse sentido.
O atleta, por sua vez, é conhecido por se envolver neste tipo de episódio. Esta é pelo menos a 3a vez, somente este ano, que alega ter sido alvo de racismo, caracterizando verdadeira "perseguição" ao mesmo. Importante esclarecer que, ao árbitro, o atleta não relatou ter sido chamado de "macaco", mas sim que teriam dito "vai cortar esse cabelo de cachopa de abelha", o que constou da súmula e revela a total contradição nos seus relatos.
O Brusque F.C. reitera que nenhum de seus diretores praticou qualquer ato de racismo e tomará todas as medidas cabíveis para a responsabilização do atleta pela falsa imputação de um crime. Racismo é algo grave e não pode ser tratado como um artificio esportivo, nem, tampouco, com oportunismo.
A Diretoria."
