Conversas mostram que Caboclo pedia vinhos a funcionária na CBF e em viagens
Conversas de Whatsapp entre Rogério Caboclo, presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e a funcionária que o acusa de assédio sexual e moral (lembre aqui), revelam que o dirigente pedia à mulher para abastecer a sede da entidade com garrafas de vinho. A prática também era comum em viagens a trabalho. As informações são do site ge.globo.
Os pedidos ocorreram entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, pelo menos 11 vezes, como destaca a reportagem. As conversas foram anexadas no processo, em que a funcionária alega que Caboclo trabalhava alcoolizado - acusação negada por este.
Em depoimento à Comissão de Ética do Futebol, a funcionária relata que era orientada a pedir os vinhos na própria conta. O método serviria para que a conta do dirigente não acusasse a compra das bebidas. Após a efetuação da transação, Caboclo a pagava o valor correspondente em dinheiro.
A primeira conversa ocorre durante uma viagem a trabalho, no dia 4 de fevereiro de 2020. A funcionária anunciou que estava fazendo o check-out do chefe no hotel e perguntou: "Os vinhos você paga à parte ou posso faturar", ao passo que Caboclo respondeu: "Fatura."
Uma conversa no dia 11 de fevereiro do ano passado mostra a acusação da funcionária de que Caboclo pedia para que ela colocasse as compras na conta dela. "Vc pede um vinho de uns 100 até 150 euros no seu quarto e leva para o meu. Assim, eu pago no final. Meu quarto está debitado na Conmebol", escreveu o dirigente.
A denúncia ainda dá conta de que as garrafas de vinho eram deixadas ou na sala do presidente ou no gabinete da presidência. A última conversa entre os dois teria ocorrido no dia 11 de fevereiro de 2021, no Catar. Ambos estavam acompanhando o Mundial de Clubes. Caboclo perguntou à funcionária: "Onde você está". Quando ela respondeu "no meu quarto", o dirigente pediu que ela descesse "no FIFA", levasse o ingresso e pedisse um vinho.
Segundo o jornal Estado de S. Paulo, o vinho mais pedido por Caboclo é o "Cartuxa Reserva". A funcionária alega que este era o preferido do dirigente. As notas fiscais apontam que cada garrafa tem valor de R$ 350,00 a R$ 450,00.
No dia 9 de julho de 2020, a CBF comprou 12 garrafas do vinho chileno "Clos Apalta 2015", que custaram R$ 999,00 cada - valor total de R$ 16 mil. Em 19 de maio do ano passado, a conta mostrou cinco garrafas do italiano "Sassicaia 2014", que tem valor de R$ 1.850,00 cada.
Em nota, Rogério Caboclo nega as acusações:
"A gestão do presidente Rogério Caboclo na CBF cortou despesas e aumentou a receita da entidade. Para isso, um dos critérios adotados foi o da eficiência nos gastos. Os vinhos comprados estão todos dentro de seu valor de mercado. As aquisições ocorreram para abastecer eventos sociais, que são comuns e frequentes na entidade.
A sra. Manuella Vidal de Almeida, coordenadora de compras da CBF, afirmou em depoimento à própria Comissão de Ética que as compras de bebidas alcoólicas abasteciam os eventos da entidade e que nunca viu Caboclo bebendo.
Vale destacar que o presidente Rogério Caboclo foi afastado da presidência sem sequer ter direito a apresentar defesa. O ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero, que foi banido do futebol, tenta retomar o controle da CBF por meio de laranjas e, para isso, organizou um complô para retirar Caboclo do cargo, inclusive com o uso de dossiês com conteúdo falso."
