'Seria interessante perguntar aos homens também', diz técnica do Brasil sobre assédio
A acusação de assédio sexual contra o presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, deixou a seleção brasileira feminina numa situação desconfortável. Após uma reunião entre elenco e comissão técnica, o grupo decidiu entrar em campo para o amistoso contra a Rússia com uma faixa: "Assédio Não". A técnica da equipe, Pia Sundhage, questionou a falta de pronunciamento dos jogadores do time masculino Canarinho sobre o caso.
"Mas eu gostaria que isso também acontecesse com os homens. Porque é muito frequente que, quando isso acontece, as pessoas perguntem às mulheres, mas às vezes acho que seria interessante se perguntassem aos homens também", disse na entrevista ao site Dibradoras.
A decisão do manifesto das atletas sobre o caso também teve as participações d e Duda Luizelli, coordenadora da seleção, e de Aline Pellegrino, coordenadora de competições femininas.
"Eu ouvi as pessoas ao meu redor, porque eu não sou especialista na mídia nem especialista em como lidar com situações assim. E eu consegui toda a ajuda que precisava. E quando olho pra trás, fico orgulhosa da maneira como respondemos a isso", comentou Pia.
A treinadora sueca assumiu o comando da seleção no lugar do técnico Vadão após a disputa da Copa do Mundo de 2019. Ela foi convidada pessoalmente por Rogério Caboclo. A relação dos dois sempre foi respeitosa e a equipe feminina tinha todo o apoio do dirigente, que era um dos incentivadores da modalidade e pregava a igualdade de gêneros entre os selecionados. A acusação pegou a comandante de surpresa.
"Quando aconteceu, eu congelei. Porque eu sabia que eu teria que responder perguntas, eu sabia o significado disso, não só sobre a situação, mas é maior do que isso. A gente deve protestar ou não deve? Alguém deve falar alguma coisa? Como vamos lidar com isso?", lembrou.
Rogério Caboclo está afastado da presidência da CBF por 30 dias desde 6 de junho. Apesar disso, Pia acredita que os investimentos e desenvolvimentos do futebol feminino seguirão normalmente no Brasil com ou sem a presença do dirigente.
"Eu posso voltar dois anos no tempo e tudo o que aconteceu. Especialmente com as chegadas das minhas chefes, Duda Luizelli e Aline Pellegrino. Eu vejo o que aconteceu no Campeonato Brasileiro. Não é sobre a pessoa, é sobre a organização. E fico feliz com o que ele fez apoiando o futebol feminino. Então eu acho que nós vamos continuar. Ninguém pode nos parar agora, é impossível", afirmou.
A seleção brasileira feminina está em Portland, nos Estados Unidos, onde fará a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. O embarque da delegação para o Japão está previsto para o dia 15 de julho. Integrante do Grupo F, o Brasil estreia no torneio em 21 de julho contra a China, em Miyagi. Três dias depois o desafio será diante da Holanda, no mesmo lugar. No último compromisso da primeira fase, a equipe encara a Zâmbia, 27 do mesmo mês, em Saitama.
