Como a Covid-19 mudou a Cena de jogos de apostas da América Latina
Era março do ano passado quando o mundo inteiro entrou em modo de pausa no que parecia ser uma questão de dias. A pandemia atingiu quase tudo e todos de forma indiscriminada, deixando governos, empresas e pessoas sem rumo, tentando reconstruir as coisas a que estavam acostumadas antes. E face aos confinamentos, aos fechamentos impostos de estabelecimentos e à ameaça de potenciais falências, todos os olhares se voltaram para a última fronteira intocada – o mundo online.
E o caso da indústria de apostas não foi diferente. Cassinos online, antigos e novos, saíram das sombras pra satisfazer às demandas. Dessa forma, estima-se que a receita global de jogos de aposta online tenha crescido 13,2%.
Mas como tem sido a performance dos jogos de aposta online na América Latina? Para responder a essa questão, precisamos primeiro ver como a COVID-19 mudou a cara das apostas ao redor do mundo.
O estado geral da indústria de apostas ao longo da pandemia
Como mencionado acima, o surto viral do ano passado teve consequências na indústria de apostas. As apostas em locais físicos sofreram as consequências da sua força, uma vez implementadas medidas de segurança e saúde que forçaram cassinos, locais de apostas e até mesmo loterias a fechar as portas por tempo indeterminado. Talvez com a exceção das raspadinhas, o mercado físico de apostas ficou morto e deserto, com alguns gigantes informando 78% de queda na renda após o início da pandemia.
As apostas online prometeram saciar a sede dos jogadores com sua vasta oferta de oportunidades e suplementar a renda dos operadores. Mas elas podem parar a queda livre na renda que a indústria vem enfrentando? A resposta “Sim, até certo ponto”, se mostrou verdadeira, já que a arrecadação da indústria global de apostas caiu somente 11%.
Muitos fãs de cassinos foram mimados com uma oportunidade enorme de escolhas, já que um número impressionante de cassinos online agora disputava sua atenção. No entanto, quem vive em países onde apostas online são ilegais não teve tanta sorte, a menos que estivesse disposto a correr o risco de apostar seu dinheiro em operações ilegais ou jogar em sites estrangeiros sem licença local.
Com relação a apostas esportivas, os apostadores não estavam em melhor situação, já que quase todos os eventos esportivos foram cancelados ao redor do mundo. Com muito poucas opções restantes, os fãs de apostas se voltaram para os esportes virtuais, e-sports e esportes alternativos.
No fim das contas, os e-sports saíram ganhando. Muitos apostadores suspeitaram dos esportes virtuais e decidiram não apostar seu dinheiro neles. Mas os e-sports, que já tinham um número de fãs considerável mesmo antes da pandemia – aproximadamente 22% dos usuários de internet – se valeram da sua posição única, entre apostas e gaming, para atrair tanto jogadores experientes quanto iniciantes.
Infelizmente, a atividade de apostas, relativamente jovem e em ascensão, foi freada pelo fato de não ser legalmente reconhecida em vários países. Porém, sua valorização e altos prêmios que chegam a até 34 milhões de dólares (179 milhões de reais), os e-sports ganharam visibilidade aos olhos do público, o que nessa pandemia pode significar mudanças na indústria de apostas, que é mais significativa.
Jogo Patológico e a Pandemia
Historicamente, tempos de adversidades e crises econômicas são comumente associados ao aumento na quantidade de apostas. Após a crise financeira de Grécia e Finlândia, respectivamente, pesquisadores notaram um aumento tanto em apostas de maneira geral quanto em vícios.
Porém, o clima socioeconômico sem precedentes criado pela atual pandemia levará aos mesmos resultados? Um grupo de pesquisadores suecos buscou uma resposta para essa pergunta no primeiro mês que seguiu o início do confinamento.
Suas descobertas revelaram que as tendências para o jogo e um concomitante abuso de substâncias aumentaram na mesma proporção quando das crises mencionadas acima. Os casos de jogo patológico, por sua vez, também aumentaram em número. Um fato interessante é que aqueles que faziam apostas esportivas foram os mais suscetíveis ao vício, seja porque se agarraram desesperadamente às únicas oportunidades de apostar que tinham ou por procurarem satisfação em outras formas de apostas. Os dois tipos restantes com alto risco de ter problemas foram apostadores de cassinos e caça-níqueis físicos.
Com taxas de desemprego disparando, muitas pessoas tentaram desesperadas o sonho de conseguir ganhar um grande prêmio que resolveria todos os seus problemas. O que na verdade, só fez as dívidas, sentimentos de isolamento e doenças mentais ligados ao vício ainda mais prejudiciais. Felizmente, resultados preliminares apontam que não houve aumento significativo de suicídios durante a pandemia.
No entanto, profissionais aconselham as pessoas a estarem conscientes e alertas no que concerne a questões de saúde mental, assim como ao bem-estar de seus entes queridos. Jogo patológico já fez vítimas antes e voltará a matar se houver oportunidade.
Matej Novota, líder das divisões de avaliação de cassinos e atendimento a reclamações do Casino Guru, compartilha do sentimento, dizendo: “Estando a cargo de um time de resolução de reclamações, lido diariamente com problemas de apostas. E o erro mais comum que vejo, que resulta em jogadores tendo más experiências, é uma falta de respeito e até mesmo de entendimento sobre o quão perigoso apostar pode ser. As pessoas estão especialmente inclinadas a adotar hábitos nada saudáveis para lidar com altos níveis de estresse. E é por isso que acredito que devemos ser mais cuidadosos do que nunca ao lidar com atividades e substâncias potencialmente viciantes. Sejam elas álcool, drogas ou jogos de azar.”
Matej e todo o Cassino Guru compartilham uma visão sobre os valores fundamentais necessários na indústria da aposta, e os adotam na empresa. Construída com base em transparência, com a segurança do jogador e regulamentação responsável em mente, a companhia opera múltiplos projetos que refletem esses pilares. Estes incluem avaliações honestas de cassinos, um centro de resolução de reclamações, séries de artigos sobre jogo responsável e seguro, bem como sua Iniciativa Global de Autoexclusão.
Mudanças Causadas pela Pandemia nas Apostas Latino-Americanas
A América Latina sempre foi um lugar único e cheio de diversidade, significativo por sua cultura e história. Recentemente, sua importância econômica aumentou devido a seu desenvolvimento rápido, adoção de novas tecnologias, grandes populações e considerável potencial de mercado.
A combinação dos fatores acima mencionados, aliados ao conhecido amor latino pelos esportes, tornou o continente altamente interessante para provedores que procuram novos mercados para adentrar. Infelizmente para eles, jogos de apostas são legalizados em apenas alguns países latino-americanos, com muitos outros esboçando legislações e outros banindo completamente as apostas.
A diversidade na legislação resultou em cada cena local sendo atingida de forma distinta pela COVID-19, a depender de seu status legal.
Mercados Ilegais
Países sem mercado legalizado de apostas tiveram que arcar com o fardo considerável das medidas de saúde e segurança tomadas na pandemia, sem contar a ajuda financeira vinda da arrecadação de impostos sobre os jogos. Isso ainda privou os cidadãos da oportunidade de conseguir empregos ligados a uma indústria nascente, talvez na época em que eles mais precisavam.
Ao ser questionado sobre sua opinião, Matej Novota respondeu: “Ao mesmo tempo em que posso apreciar a ideia de proteger os cidadãos de um potencial dano, a verdade inconveniente é que abstinência forçada jamais é 100% segura. Quem quer realmente apostar encontrará maneiras de fazê-lo, entregando seu dinheiro para provedores ilegais ou sem licença instalados em outros territórios. Se governos querem evitar isso, acredito que o melhor caminho seja buscar a legalização, que acabará por criar um ambiente mais seguro para o jogador e mais arrecadação para o Estado.”
Mercado em vias de Legalização
Alguns países tinham mais desejo de fazer parte da transformação da América Latina no grande mercado de jogos de azar que ela tem tudo pra se tornar. Um desses países é o Brasil, que estava em processo de elaborar sua legislação quando a pandemia nos atingiu. Isso atrasou os esforços desse potencial gigante mercado significativamente e deixou o futuro da indústria de aposta do país no ar.
Matej Novota aplaudiu a disposição do país em partir rumo à legalização, mas compartilhou um conselho: “ Uma adoção rápida sempre é executável, mas governos não devem se apressar em elaborar suas regulamentações. Legislações com falhas podem ser danosas aos jogadores em igual medida, se não mais, que operadores abusivos ou irresponsáveis.”
Mercados Legais
Como seus mercados estavam baseados em cassinos físicos antes da pandemia, países legalizados como Colômbia, Argentina e Peru sofreram com a mudança forçada para o online. Jogadores tiveram sorte se tudo o que tiveram de fazer foi ajustar-se a mudanças de interface e fator de forma. Aqueles que vivem em áreas menos urbanizadas não tiveram essa sorte, e possivelmente perderam acesso a todas as atividades de apostas por causa de baixa cobertura de internet nessas áreas.
Outro empecilho tecnológico que mercados locais enfrentaram foi a questão dos pagamentos. Mesmo aceitando os cartões de crédito e débito mais comuns (Visa e Mastercard) e oferecendo muitas alternativas de pagamentos, a América Latina tem uma penetração chocantemente baixa de cartões de débito (média de 1% de crescimento anual). Mesmo após a pandemia ter demandado aumento nos pagamentos sem contato, somente 55% dos latino-americanos possuem conta bancária. Naturalmente, isso dificultou pagamentos feitos pelos jogadores se os provedores não aceitavam seu método de pagamento preferencial.
Mas o maior problema enfrentado pelos mercados legalizados foi o desaparecimento da forma mais popular e com mais locais de apostas: apostas esportivas. Sem partidas nas quais apostar, formou-se uma lacuna que pode mudar a cara do mercado de apostas latino-americano de forma definitiva. Sentindo a abertura do mercado, muitas empresas de e-sports decidiram entrar nele e tiveram muito sucesso entre a comunidade carente de apostas.
Ainda persiste a questão, todavia: os efeitos da pandemia serão permanentes? Ou a indústria de apostas latino-americana voltará ao seu estado pré-pandemia uma vez terminados os confinamentos? Somente o tempo dirá, mas uma coisa é certa – a indústria estará assistindo. E nós também.
