Dirigentes do Grêmio e Inter discordam da MP de transmissão dos jogos: 'imaturidade política'
Os dirigentes do Grêmio e do Internacional não estão satisfeitos com a Medida Provisória assinada essa semana que dá aos clubes a liberdade de vender seus direitos de transmissão. A “MP do Flamengo”, como está sendo chamada, por apontar que mudança tenha relação com os problemas entre o clube carioca, o governo federal e a Rede Globo de televisão, impacta todo o futebol nacional sem discussão prévia do assunto.
Em reunião na última sexta-feira (19), o presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, e o dirigente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr., discutiram sobre a mudança e o mandatário do tricolor gaúcho anunciou que a dupla Gre-Nal está alinhada sobre a insatisfação da MP.
“Da maneira que foi encaminhada, me parece que a demanda atendeu a interesse específico. É um ato muito pequeno e de enorme problema, enorme consequência. Consequência que pode ser boa ou ruim”, declarou Bolzan em entrevista para a Rádio Guaíba.
“O cerne de tudo está a forma como foi encaminhado: completamente sem debate prévio. É de imaturidade política, que... Bom, nem vou adjetivar. Mas nos joga no centro de um problema que é discussão da Globo com o governo federal. É tudo que não precisávamos agora. O que vai acontecer, no mérito, não posso dizer. Mas a forma como isso tudo foi encaminhado, de maneira solitária por um clube, sem a mínima preocupação de debate”, completou o presidente do Grêmio.
Ele ressaltou que ao conversar com Medeiros os dois tiveram o mesmo posicionamento sobre a situação e não concordam que uma medida tão impactante tenha sido tomada sem a participação e discussão das equipes de futebol.
"Tem clubes que acham boa a medida. Alguns se manifestaram publicamente achando interessante a MP. Como não discutimos nada, estamos divididos mais uma vez. E nos dividiram para atender uma situação específica, vamos combinar que é bem específica", pontuou Bolzan.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou através de rede social que a medida, que dá aos clubes mandantes de campo o direito de negociar os direitos de transmissão das partidas, é uma uma forma de democratizar o futebol nacional. Sobre a fala do governante, o dirigente do Grêmio volta a reforçar que a decisão, na verdade, impacta mais do que ajuda.
"Se fosse democratizar, ouviria a todos", comentou Bolzan. "Os clubes deveriam se posicionar para não serem engolidos por um debate que não provocaram. Estamos com 70% dos contratos de TV suspensos e não sabemos o que vem pela frente. A que serve essa MP? O que está por trás disso? Tenho muitas preocupações e temos que reagir. Reagir devolvendo a MP ao governo e abrindo debate. Temos mais três anos e meio de contrato pela frente. Então, de repente se acha um bom termo negocial para todos. Mas em meio à crise se gera esse problema. Não entro no mérito, mas no âmbito político", acrescentou.
O Grêmio possui atualmente contrato com a Rede Globo para transmissão de seus jogos em todas as plataformas até 2024. Já o Internacional tem contrato com o Grupo Turner, de televisão fechado até dezembro deste ano e, assim como o Grêmio, outras parcerias com a Globo também até 2024.
O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, comentou sobre a MP e sugeriu união de clubes em blocos para fazer acordos de transmissão (leia mais).
