Ex-lutador de MMA, Cyborg leiloa troféu do Pride para doar alimentos às famílias carentes
Inspirado pelo sentimento de solidariedade durante a pandemia do coronavírus, o ex-lutador de MMA, Evangelista Cyborg, resolveu fazer uma boa ação. Morador de Rondonópolis, no Mato Grosso, ele decidiu leiloar o troféu que ganhou do Pride, extinto torneio japonês da modalidade, para comprar alimentos e doar para famílias carentes. A venda pública do objetivo termina nesta sexta-feira (1º) e os lances podem ser feitos através de um site americano (clique aqui).
"É como diz Napoelon Hill: "Cada adversidade traz consigo a semente da oportunidade". Fiquei refletindo ao dar voltas pelos bairros carentes, onde vi muita miséria, barracos de madeira, de lona, cheio de gente sem poder sair de casa. A miséria é muito grande. Se eu tivesse grandes recursos... não tenho, então encontrei essa possibilidade de leiloar o troféu e trazer a atenção das pessoas, do poder público. Estou sacrificando um título tão importante em prol da comunidade. O momento é de encher a barriga. É por uma boa causa", disse ao site Combate.com.
O lance inicial foi de 1 mil dólares, o equivalente a R$ 5 mil. Cyborg conquistou o troféu em 2006 quando venceu Yosuke Nishijima por finalização na luta realizada em Tóquio. "Com o valor do leilão eu consigo um número mais significativo para atender a cinco ou seis bairros. E nesse período vamos pensando em outras coisas. Não dá para esperar pelo poder público. O prefeito da cidade comprou R$ 700 mil em papel higiênico e papel toalha. É muita pilantragem. Está todo mundo fod***. Fica difícil", contou o ex-lutador.
O troféu fica exposto na academia de Cyborg, Dinastia Team Cyborg, em Rondonópolis, onde dá aulas de artes marciais. A relíquia simboliza a melhor fase da carreira dele, que começou em 1997 e foi encerrada em 2016, disputando 39 lutas com 21 vitórias. Ele passou por organizações de lutas como Sengoku, Pancrase, Cage Rage, Strikeforce e Bellator.
"Foi a luta de abertura da final do GP do Pride, representou muito para mim. Eu peguei no mata-leão e botei para "dormir", foi show de bola. O troféu tem um valor sentimental. Mesmo com esse poderio todo do UFC, se o Pride estivesse "vivo", seria uma pedra no sapato. O Pride era o Pride! Eu falava que ia lutar no Pride, e a galera ria. Vinte anos atrás era discriminado, nem era esporte, os meios de comunicação nem divulgavam. Eu era motivo de piada. Mas isso me dava força para buscar, e fiz o que me propus. Eu consegui meu maior objetivo, que era lutar lá. O troféu fica na academia para os alunos verem que também podem alcançar seus sonhos", lembrou.
A iniciativa de Evangelista Cyborg foi apoiada por outros grandes nomes do MMA como Wanderlei Silva e Maurício Shogun. Ele espera que outros atletas promovam ações semelhantes em prol das vítimas do coronavírus.
