Neto critica seguradoras do voo da Chape: 'Eles nos usam como seus produtos'
O ex-zagueiro Neto, sobrevivente da tragédia com voo da Chapecoense criticou em entrevista para jornal argentino a postura dos países e empresas envolvidas no caso do acidente com a aeronave. O jogador falou também sobre problemas com a seguradora e a dificuldade em receber indenização.
“Eu sou um sobrevivente e, como ex-jogador, porque não podia jogar, recebi um seguro que era 20% do que era devido a mim. Mas todas as famílias careciam de compensação”, declarou Neto. “Agora, os senadores descobriram algumas coisas, em relação ao seguro, e acontece que não há nada e ninguém para nos ajudar”, lamentou o ex-jogador.
O Ministério Público Federal ajuizou no mês passado o pedido de indenização em 300 milhões de dólares para sobreviventes e familiares após a CPIChape identificar que o seguro da aeronave havia diminuído o valor no ano da queda (leia mais aqui).
“Eles nos ofereceram um fundo humanitário de US$ 225 mil, mas quem aceita deve assinar um compromisso de não processar a empresa. As pessoas precisam saber que coisas injustas acontecem conosco”, contou Neto, fazendo referência às seguradoras envolvidas no voo da LaMia que transportava o time e comissão da Chapecoense em 2016. “O senso humano do seguro é mínimo. Eles nos usam como seus produtos e nós não somos”, criticou, relatando ainda que existe resistência para os pagamentos por parte das empresas.
“Se eles sabiam, como saiu sem seguro e sem gasolina? Por que a Bolívia permitiu que ela decolasse? Por que a Colômbia me autorizou a entrar no país se eu não tinha seguro?” questionou Neto durante a entrevista, dizendo que a responsabilidade também está nos países que autorizaram a realização da viagem.
Sobre o acordo das seguradoras com as famílias que têm direito ao seguro, 23 delas aceitaram a proposta citada por Neto e 48 não concordaram. Atualmente, o ex-jogador é superintendente da Chapecoense e apoia a luta pelo pagamento das indenizações às famílias das vítimas.
