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Estrada baiana sem acostamento interrompe desafio de triatleta de ir até Itacaré

Por Leandro Aragão

Estrada baiana sem acostamento interrompe desafio de triatleta de ir até Itacaré
Foto: Arquivo Pessoal

O triatleta amador Victor Bomfim Nunes, de 31 anos, tinha o desafio pessoal de ir de Aracaju até Itacaré de bicicleta. Em meio a isso, também tinha como meta chegar a Salvador em dois dias. O segundo objetivo foi alcançado na última terça-feira (7), por volta das 17h, no Farol da Barra, após Victor deixar a capital sergipana, cidade onde nasceu e mora, na segunda (6), às 6h40. No entanto, a viagem para o sul da Bahia foi interrompida pela condição irregular das estradas a partir da Ilha de Itaparica depois que ele fez a travessia de ferry-boat.

 

"Consegui fazer em dois dias, que era a meta. A ideia era continuar o percurso até Itacaré. Depois que atravessei, tem um pedaço de 60 km com acostamento, mas depois disso não tem mais acostamento. Como tem muito movimento com o pessoal de férias, muito ônibus passando, eu estou sozinho e a bicicleta com bagageiro, com peso, fica meio perigoso. Aí eu abortei a ida até Itacaré. Então a viagem ficou de Aracaju até Itaparica", afirmou em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Victor e a magrela viajavam sozinhos sem o auxílio de um carro-batedor, o que colocou em risco sua segurança nas estradas sem acostamento. No entanto, isso não foi problema no trajeto entre as capitais. "A pista da Linha Verde tem um asfalto muito bom para bicicletas como a minha (speed)", elogiou. Apesar das boas condições da estrada, ele precisou fazer três paradas que não estavam programadas. "No primeiro dia meu pneu furou três vezes e perdi muito tempo para trocar", contou.

 

O viajante contou a emoção que sentiu ao chegar em Salvador após pedalar cerca de 320 km. "Assim que cheguei ao Farol da Barra, a primeira coisa que fiz foi tomar um banho de mar. Foi o melhor banho de mar da minha vida!", declarou. "O futuro desafio é fazer em um dia", completou.

Foto: Arquivo Pessoal

 

IDEIA DO DESAFIO
Desde 2018, Victor teve a ideia de sair de Aracaju até Salvador de bicicleta em dois dias. Ciclista por hobby, ele tinha o costume de pedalar bastante. Na primeira tentativa, o percurso foi completado, porém ele foi vencido pelo tempo, chegando na capital baiana em três dias. Apesar da frustração inicial, ele tirou bons ensinamentos da experiência. "Levei um bagageiro e uma mala na bike e vi que ela pesava bastante, o que atrapalhava um pouco no caminho. Agora, continuei vindo com o bagageiro, só que com menos peso, porque tem muita ladeira na Linha Verde", falou.

 

Foto: Arquivo Pessoal

Para deixar a bicicleta mais leve, Victor cortou a comida e planejou melhor a logística da viagem. O triatleta programou os pontos de paradas na estrada para comer e se hidratar. "Fiz um mapa colocando as paradas que eu pretendia fazer, até para ir me guiando nas distâncias que faltavam. Sempre parava nos postos para mandar mensagens para o pessoal para dizer que estava tudo ok. Eu bebia água, comprava água para repor. Parei num restaurante para tomar café também", disse ele, que dormiu em Baixios na primeira noite retomando a viagem às 6h40 de terça.

 

Além do peso da bicicleta, outro fator apontado por Victor foi a preparação física. Na primeira vez, ele teve pouco tempo para se preparar, coisa que não faltou na segunda tentativa. "Tive praticamente um ano todo de treinamento. Me dediquei mais, segui uma alimentação, fiz treino funcional, procurei especialistas do esporte...", destacou.

 

INÍCIO NO TRIATHLON
Antes de encarar o desafio de pedalar até Itacaré, Victor Nunes era um cara sedentário e se viu obrigado a sair da zona de conforto ao fazer um concurso para o Corpo de Bombeiros de Sergipe. "No Teste de Aptidão Física (TAF) precisava fazer barra, correr, natação, abdominal. Antes eu era sedentário, mas gostava muito de pedalar por hobby mesmo. Só que estava com sobrepeso e como eu estava, na época do concurso, não conseguiria passar. Aí me reeduquei na alimentação, procurei um nutricionista, comecei a fazer treinamento funcional, corrida de rua. Fui nesse caminho até que eu resolvi fazer a primeira ida para Salvador", lembrou.

Foto: Arquivo Pessoal

 

Já o triathlon surgiu na vida do desenvolvedor de software, do Banco do Estado de Sergipe (Banese), durante a primeira tentativa de chegar em Salvador em dois dias. No meio do trajeto da Linha Verde, ele encontrou alguns triatletas treinando. "Me animei com relação ao triathlon e comecei a treinar desde que voltei", continuou.

 

Em 2019, Victor começou a participar de provas da modalidade. Ele disputou três em Maceió e uma em Aracaju. Para 2020, pretende estrear no circuito baiano. "Nesse ano vai ter o circuito Ôxe, que eu vou participar", finalizou.

Foto: Arquivo Pessoal