Sábado, 26 de Outubro de 2019 - 00:00

No 'modo amador', ex-promessa fala da disputa de maratona aquática grávida de 7 meses

por Leandro Aragão

No 'modo amador', ex-promessa fala da disputa de maratona aquática grávida de 7 meses
Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

A 7ª etapa do Campeonato Baiano de Maratonas Aquáticas disputada no último domingo (20), em São Tomé de Paripe, teve um destaque inusitado. A ex-nadadora profissional Pâmela Engel, de 32 anos, participou da prova grávida de sete meses. Para fugir da confusão, ela largou cinco minutos depois do pelotão. No entanto, a ex-promessa da natação baiana no início dos anos 2000 brilhou ao cruzar a linha de chegada em 19min33s, terminando na quarta colocação da classificação geral, e foi campeã da categoria Sênior B, mesmo nadando por dois.

 

"Desde antes de engravidar sempre pensei em nadar uma prova grávida. Sou atleta desde criança, desde os 6 anos, sempre nadei e competi até os 24. Fiquei dois, três anos sem competir e voltei no modo amador. Não era a prova principal, era uma prova de 1km", afirmou a mãe-atleta em visita à redação do Bahia Notícias.

Foto: Arquivo Pessoal

 

Pâmela revelou que caiu na água de São Tomé de Paripe com o intuito apenas de completar a prova. No entanto, se saiu bem melhor do que o esperado. "Na verdade, eu fui sem pretensão nenhuma de medalha, achei até que nem ia ficar na categoria. Mas foi uma prova bem tranquila. Eu conheço São Tomé de Paripe, porque já nadei lá várias vezes. Lá é bem tranquilo, não tem onda, não tem correnteza, então para mim foi super de boa. Foi 1km e eu estou treinando 2,5km duas vezes na semana", continuou.

 

Como foi algo planejado, ela tomou todos os cuidados para que nada atrapalhasse a gestação de Arthur. A previsão é que o bebê nasça entre o final de dezembro até primeira semana de janeiro. "Na primeira consulta, eu falei: 'Olha, eu nado e tal'. E ele: 'Não, natação é ótimo'. Aí eu falei: 'Não, veja bem, eu faço maratona' (Risos). Aí ele: 'Ah, tá. De quanto?'. Quando eu falei, ele disse: 'Pô, 2,5km é muito. Mas se você já faz isso não tem problema. O que você não pode fazer é se esforçar muito para não aumentar os batimentos cardíacos e não fazer mais do que você já faz. É do que você fazia para menos'. Aí não teria problema", contou.

 

Além de ser filho de peixe, o nome Arthur também é ligado ao mar. "A gente não tinha nome para menino ainda. Nem sabíamos o sexo, acho que eu nem estava grávida ainda, mas estávamos pensando naquela de engravidar e conversando. "Nome de menina seria Helena, nome de menino vai ser...". E toda hora alguém pegava. Aí estávamos assistindo o filme do Aquaman. Na hora que nasce o bebezinho, a mãe pega e levanta ele assim: "Arthur Curry". Aí virei para ele [o marido]: "Arthur é um bom nome". Aí ficou Arthur por conta disso", falou. "Já estou treinando ele para ser o Aquaman (Risos)", completou brincando.

Foto: Arquivo Pessoal

 

APOSENTADORIA PRECOCE
Pâmela Engel era destaque no início da carreira de nadadora de maratonas aquáticas. Baiana de Salvador, ela estava cotada para disputar o Pan-Americano de 2007 e os Jogos Olímpicos do ano seguinte, mas um problema no coração atrapalhou seus planos.

 

"Com 18 anos eu descobri que tinha uma arritmia cardíaca e tive que operar. Eu estava no pré Pan-Americano lá com a seleção do Pan no Rio de Janeiro, e numa bateria de exames, a médica viu que tinha essa arritmia e disse que eu não poderia continuar se não operasse", lembrou. "Eu estava no auge era a primeira ou segunda do Brasil, disputava com Marcelinha [Ana Marcela Cunha], mas ela ainda estava crescendo. Nessa época eu ganhava dela. Não que eu fosse melhor do ela, mas eu era mais velha, já estava disputando ali o primeiro e o segundo sempre, com outras pessoas também como Poliana [Okimoto], que estava começando a entrar nas maratonas aquáticas, ela só nadava na piscina até então. Tinha uma galera que ficava disputando ali primeiro-segundo, às vezes quarto-quinto, mas sempre na boca ali do Brasileiro", pontuou.

 

A operação parecia simples, mas segundo Pâmela, durou bem além do normal. "Foi uma ablação no coração. É até simples, mas o meu foi complicado. Foi um caso que até o médico pediu depois para estudar, porque era para durar 30 minutos, mas durou quatro horas de cirurgia".

Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

 

Após dois meses sem nadar, ela retornou aos poucos, mas não foi mais a mesma. "Não voltei no mesmo ritmo. Quem é atleta sabe como é difícil você retornar depois de parado. Quando voltei, as meninas já estavam lá na frente indo para Mundial e tal e me desanimou um pouco. Ainda insisti, continuei ficando nos pódios dos Brasileiros, fui para Mundial, não nas provas de 10km, que ficaram Marcelinha e Poliana. A de 10km que é prova olímpica. Fui para os 5km", falou.

 

Além da decepção por não ter ido ao Pan e às Olimpíadas, Pâmela perdeu o patrocínio, por causa da crise Mundial da época. "Eu já estava naquela idade de decidir o que ia fazer da vida, se eu queria isso mesmo. Estava me formando, aí resolvi deixar de lado e estudar para concurso. Foi aí que eu parei de fato". Cerca de quatro anos depois, ela passou num concurso e hoje divide o trabalho de servidora pública do Tribunal de Contas do Estado da Bahia com uma consultoria de concursos. Além de conciliar com a natação e agora com a gravidez. "Tudo é disciplina. Se você se organiza dá tempo para tudo. Tenho a vantagem de ser servidora pública então tenho um horário bem flexível lá no Tribunal [de Contas da Bahia], são seis horas por dia, aí dá para encaixar com a consultoria. A natação é um hobby, é a atividade que eu faço, por uma hora por dia. Como uma pessoa vai à academia, eu vou nadar. E a maternidade, estou descobrindo agora (risos). Vamos ver como vai ser no ano que vem. Por enquanto na barriga, ele não atrapalha, vai nadar, vai trabalhar. Ano que vem a gente vai ver como vai ficar", finalizou.

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