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Projeto social de Salvador torna-se 1º time de beisebol do NE a conquistar Torneio Nacional

Por Gabriel Rios

Projeto social de Salvador torna-se 1º time de beisebol do NE a conquistar Torneio Nacional
Foto: Divulgação

Praticar beisebol na Bahia não é uma tarefa das mais simples. Criar um projeto social com crianças de uma comunidade carente de Salvador e ser o primeiro time nordestino campeão do Torneio Nacional de Beisebol? Muito menos. Missão cumprida por Koji Shimizu, um dos apoiadores e criadores do Anisa Unions. Há um ano e meio, o paulista, juntamente com seu amigo Mitsuo Yaginuma, construiu um campo de beisebol no bairro do Cassange. Para fazer os jovens praticarem esse esporte desconhecido foi preciso negociar: “Primeiro vocês praticam beisebol e depois eu cedo o campo para vocês jogarem futebol”.

Koji é um dos apoiadores do projeto | Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Shimizu destacou a conquista inédita. Para ele, o título também rendeu frutos fora do campo. “Esse campeonato foi muito emocionante. Os jogadores da comunidade estão influenciando novas crianças a também praticarem beisebol”, contou.

 

Com pouco tempo de treinamento, o projeto recebeu uma grande ajuda. Por meio da Associação Cultural Nippo-Brasileira de Salvador (Anisa), a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) trouxe um treinador japonês. O beisebol é o esporte coletivo mais praticado na terra do sol nascente. Para Koji, a chegada de Naoya Takae foi crucial para os garotos.

 

“Ele já tem a formação de ser um professor. Ele tem a experiência que não temos. É difícil ensinar crianças. Em um ano e meio conseguimos ensinar um grupo de 10 pessoas que foi para São Paulo e o público ficou encantado. Fomos campeões com uma molecada inexperiente. Até hoje comentam. Eles abraçaram o técnico. O técnico interage com eles, já aprendeu mais gírias e palavrões em português. É uma troca. Os meninos gostam muito dele”, salientou.

Maoya Takae veio do Japão para treinar o time do Anisa Unions | Foto: Divulgação 

Além do beisebol, Takae também ensina japonês para alguns integrantes do time. Para Shimizu, o esporte e a cultura japonesa ajudaram a disciplinar os garotos.

 

“Cerca de quatro integrantes do time recebem aulas de japonês. Alguns são filhos de jogadores, são descendentes de japonês e recebem as aulas. Eles mudaram muito. Eram moleques e hoje estão muito disciplinados. O Beisebol disciplinou essa molecada”, apontou.

 

Atualmente, o projeto conta com cerca de 40 crianças. Koji afirmou que tem uma parceria com uma escola da região. “Eles treinam três a quatro vezes por semana. É uma escola particular, não depende de nenhum apoio. A gente doa as verduras e um sopão é feito toda terça-feira para ser distribuído para as crianças”, disse.

Projeto tem crescido no Cassange | Foto: Divulgação 

Questionado se pretende expandir o projeto, para que jovens de outras comunidades possam ter a mesma oportunidade, Koji afirma ter vontade, mas salienta que a falta de apoio impede a ampliação. “Nunca pensamos em nada grande. Fizemos com o pessoal da comunidade. A gente só pensava nas crianças da região. Quanto a ampliações, depende de dinheiro. É complicado. Nunca fui à prefeitura ou nenhum outro órgão. Tudo depende de mim. Enquanto der, eu faço. O que dá pra gente fazer, estamos fazendo, mas não sei até quando”, lamentou.

 

“Toda ajuda é bem vinda. Tivemos ajuda da associação, mas a maioria nós que bancamos. A gente pede ajuda a clientes nossos, mas toda ajuda é bem vinda. Todo ano tem o festival e a Anisa sempre traz material. Já que não tenho ajuda da prefeitura, nem de nada, não adianta divulgar. Se tivermos uma ajuda maior, nossa intenção é expandir. Nesse momento, não tem como por conta da questão financeira”, completou.

 

O apoiador revelou que nunca recebeu ajuda da prefeitura ou do governo: “Para a viagem de São Paulo, contamos com a Associação Japonesa. Todo ano eles fazem o Festival do Japão. Nos cederam uma porcentagem das vendas de bebidas. Os equipamentos, algumas entidades de São Paulo nos doaram, alguns jogadores também, o técnico que veio do Japão também trouxe materiais usados... É o suficiente para treinar. Não dependemos da prefeitura, nunca fomos pedir, mas tudo que vier é lucro. A comunidade precisa”.

Koji pretende ampliar projeto, mas pede ajuda de patrocinadores | Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias