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Ex-melhor do mundo do vôlei de praia acha no tênis o esporte ideal para novo desafio

Por Leandro Aragão

Ex-melhor do mundo do vôlei de praia acha no tênis o esporte ideal para novo desafio
Foto: Luiz Fernandes / Seniors Brasil

Paulo Emílio foi jogador profissional de vôlei de praia até 2009. O baiano se destacou conquistando títulos como a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos em 2003, o terceiro lugar no Mundial em 1997, além de ser bicampeão Sul-Americano em 1991 e 1994. A aposentadoria veio por problemas no joelho. Nesta semana, sua presença foi destaque no Campeonato Brasileiro de Seniors de tênis, disputado no Costa Verde Tennis Clube, em Salvador, e que vai até sábado (8).

 

Ao invés de ir para a "fila de aposentados do INSS", resolveu deixar o conforto do lar onde mora na capital baiana e o tênis entrou na sua vida. "Queria um desafio novo, aí encontrei no tênis o esporte ideal. É um esporte individual e que só depende, na verdade, de mim mesmo para estar fazendo essa atividade. É um esporte maravilhoso, bem bacana", disse o agora tenista, de 48 anos, à reportagem do Bahia Notícias.

 

O ex-jogador de vôlei conta que não teve problemas com a preparação física, já que são bastante parecidas. Porém, o desafio maior é a adaptação ao novo esporte, a começar pelo óbvio que é usar uma raquete para bater na bola ao invés de usa a mão. "É um outro esporte. É um esporte que você tem que se adaptar. É um esporte que você tem uma raquete na mão, então ele é bem diferente", falou.

 

Além disso, o tempo de prática também é um obstáculo visto por Paulo Emílio. "Eu comecei a jogar tênis com 39 anos, o que já é bem diferente de uma pessoa que começou a jogar com oito ou dez anos, que já tem a técnica perfeita que vem desde pequeno", observou ele que disse nunca ter jogado tênis antes de parar com o vôlei.

 

Ao mesmo tempo que dava duas primeiras raquetadas, Paulo Emílio começou a disputar torneios sociais, de menor expressão. Isso acabou desmotivando-o em 2014. No entanto, neste ano um amigo o chamou para disputar uma competição nacional na categoria Seniors. A coisa ficou um pouco mais séria, já que além da premiação, as vitórias contam pontos para o ranking da ITF, sigla em inglês da Federação Internacional de Tênis. E então ele disputou o primeiro torneio em Brasília, no último mês de março.

 

"Mas aquele sangue competitivo não tem jeito. (O convite) reacendeu aquela chama de voltar a competir. Estou nessa pegada aí de voltar a treinar e competir", falou demonstrando empolgação. "Casou esse Brasileirão agora, logo de início para dar essa motivação", completou.

Paulo Emílio em ação no Brasileiro de Seniors em Salvador | Foto: Suely Barros / Divulgação

 

De volta ao circuito, ele disse que a força psicológica dos tempos dos rallies na areia encarando os melhores do vôlei lhe deu uma vantagem para o novo esporte. "O tênis exige muito a parte mental, que é um esporte individual que você tem que estar o tempo todo ali concentrado, o tempo todo atento. Então isso você leva do esporte que eu fiz de alto nível que foi o vôlei e consegue trazer isso para o tênis", pontuou. "Tipo, uma pessoa que tenha a mesma técnica do que eu, que jogue mais ou menos no mesmo nível, eu levo certa vantagem em relação a isso. Mas é apenas nisso", completou.

 

Paulo Emílio conta que o vôlei de praia não deixou nenhuma saudade. "Eu diria que é aquela saudade boa, aquela saudade que fica na memória as coisas positivas por tudo que passei e vivenciei. Mas não aquela saudade de pensar em jogar de novo, isso ficou no passado e tudo que aprendi e vivenciei vai ficar na minha memória o resto da vida como uma coisa maravilhosa que eu fiz", afirmou.

Foto: Reprodução

 

E o que ficou no passado ficou mesmo no passado. Emílio diz que não bate nem mais uma bolinha na praia com os amigos. "Porque para você pular depois de velho é complicado, viu? (risos). E o tênis você não precisa pular, é só movimentação", declarou.

 

Na temporada de 1992/1993, Paulo Emílio foi eleito o melhor jogador de vôlei de praia do mundo. No entanto, no tênis, ele ainda não almeja chegar ao topo do mundo na categoria Senior, ao menos por enquanto, quer dar um passo de cada vez. "Rapaz, vamos passo a passo. Minha ideia é começar agora conhecendo os adversários, ver realmente como é esse nível aí do tênis e aos poucos a gente vai ganhando espaço com as possibilidades e condições. Mas ano que vem a ideia é disputar mais alguns torneios e figurar entre os dez melhores do Brasil", finalizou.

Foto: Suely Barros / Divulgação